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Teremos sempre um truque de Ruben Amorim quando nada mais serve para dar justiça ao futebol

30 jun, 05:33
Seleção de Marrocos celebra qualificação frente aos Países Baixos (Ricardo Mazalan/AP)
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CRÓNICA PAÍSES BAIXOS 1-1 MARROCOS || Jogo de loucos no espetacular estádio de Monterrey, com Marrocos a eliminar os Países Baixos num show de bola

Que jogo de loucos e com o futebol a ganhar em toda a linha. Aqueles que tiveram a coragem de ficar acordados para acompanhar o Países Baixos-Marrocos não se arrependeram.

Aqueles que ainda decidiram esticar a corda para seguir um escaldante prolongamento também não.

Estamos apenas nos 16 avos de final, mas este é já um dos grandes jogos do Mundial, com duas equipas objetivas e à procura de fazer o seu trabalho, ainda que uma preze o espetáculo pelo meio.

É por isso que não deixa de ser saborosa a vitória de Marrocos, que foi e é a melhor das duas equipas. O conjunto africano esteve por cima durante praticamente todo o jogo, talvez até mesmo durante todo o jogo.

Munida de uma série de armas diferentes, a seleção de Marrocos tomou conta da partida desde o início, empurrando os Países Baixos para trás, quase como se não fosse um jogo de 50/50.

Os Países Baixos aceitaram claramente esse papel, sobretudo na segunda parte, num recuar de linhas que até parecia estar a opor uma equipa totalmente favorita a outra menos capaz.

De certa forma, foi o que aconteceu muitas vezes.

O avançar do tempo acabou por dar a Ronald Koeman uma sensação ainda maior de que o conservadorismo era a receita. O selecionador neerlandês retirou toda a ligação com o meio-campo e fez entrar Wout Weghorst, aquele pinheiro típico.

Por sorte ou engenho, o avançado ganhou logo uma bola no primeiro lance que disputou. O cabeceamento serviu para acionar as motas da frente, com Crysencio Summerville a conduzir e a assistir para Cody Gakpo fazer o 1-0.

Letal a seleção dos Países Baixos ao minuto 72, mas Marrocos não abanou. Mostrou que confiava no seu processo e fez apenas alguns ajustes. Um deles foi à Ruben Amorim, com Issa Diop a subir à área qual Seba Coates. Quando tudo o resto falha, este é um truque que aparece quase sempre na altura certa a compensar o que a lógica não dá.

Estávamos já a entrar nos descontos e tudo empatado. Mais meia hora de jogo.

O prolongamento manteve a toada. Marrocos mais forte, a criar oportunidades, Países Baixos à procura de passar ao lado do jogo e, sobretudo, que o jogo passasse ao seu lado sem se notar muito.

Lá conseguiu estancar o adversário, mas a justiça do poética do futebol chegou nos penáltis. Os Países Baixos falharam três vezes e Marrocos apenas duas, com a seleção africana a conseguir uma merecidíssima passagem.

Segue-se um confronto com o Canadá nos oitavos de final, com Marrocos a poder e a dever sonhar já com uma presença nos quartos de final. Depois logo se vê.

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