CRÓNICA PAÍSES BAIXOS 2-2 JAPÃO || Pela primeira vez neste Mundial houve duas equipas a marcar mais de um golo no mesmo jogo. Houve também espaço para recordar lendas e para se fazer esquecer outras
É daqueles jogos que cheira mesmo a Mundial mas demorou a arrancar, ainda que no fim tenha valido a pena. Os Países Baixos empataram com o Japão numa partida altamente equilibrada em que as duas equipas foram tomando conta do jogo à vez.
Fustigadas por ausências decisivas, ambas as equipas assumiram uma postura ofensiva, ainda que sempre pragmática e cautelosa, por vezes a fazer lembrar o xadrez. Procuraram ganhar, portanto, mas sempre com o respeito e conhecimento de que do outro lado estava um grande adversário.
A primeira parte foi feita de um Japão mais atrevido e mais capaz de fazer as ligações necessárias para chegar à área com perigo. Contam-se alguns remates e aproximações à baliza dos Países Baixos na primeira parte, com os neerlandeses a terem claras dificuldades em assumir o que queriam do jogo, ainda que tenham conseguido aproximações perigosas.
Com um meio-campo composto por Frenkie de Jong, Tijjani Reijnders e Ryan Gravenberch dá para sonhar com tudo, mas os três juntos parecem ainda não ter a química que se exige, até porque à frente não há o talento de outrora - que saudades de Wesley Sneijder ou Patrick Kluivert antes dele.
Do outro lado, e por impossibilidade física, esse talento que podia vir dos pés de jogadores como Kaoru Mitoma ou Takumi Minamino teve de ficar entregue a figuras como Takefusa Kubo ou Daichi Kamada.
A segunda parte chegou com esse cheiro de que um golo podia mudar a coisa, tornar o jogo menos tático e mais divertido, mais picante.
Foi o que aconteceu depois do golo do Virgil van Dijk, que num movimento caraterístico subiu com qualidade para colocar os Países Baixos em vantagem ainda cedo na segunda parte, talvez quando nenhuma das equipas justificasse totalmente estar em vantagem, ainda que ambas tenham tido ocasiões para marcar até ali.
Um pouco à imagem do que a Coreia do Sul fez com a Chéquia, o Japão não se desmontou em desespero e manteve a ideia que trazia para o campo, conseguindo daí o empate num remate de Keito Nakamura à entrada da área.
Sempre nas mesmas bases, a partida continuou a toada de ataques mútuos, com um improvável Crysencio Summerville a aparecer como herói do momento - e da partida para os Países Baixos não fosse o que aconteceu já perto do fim.
Voltando ao talento de outrora, o jogador do West Ham parece ter-se inspirado em Arjen Robben para fazer aquele movimento clássico que todos conhecem mas poucos impedem. Remate em arco a fechar para a baliza e golaço dos Países Baixos.
Confirmando a parada e resposta constante deste jogo, o Japão voltou a tomar conta da partida, saindo premiado com um golo de canto num cabeceamento que encontrou uma carambola em Daichi Kamada, numa bola metida para a área com uma colher que podia ter sido servida por outro nome clássico de mundiais, Keisuke Honda.
Depois de uma primeira parte meio morna, é um resultado que acaba por servir aos dois lados, mas que ainda serve um terceiro, que é o nosso, o do adepto, que viu uma bela segunda parte de futebol. Ficamos mesmo todos contentes.
Resultado justo na primeira partida deste Mundial em que ambas as equipas marcam mais de um golo. Num grupo equilibrado que ainda tem Suécia e Tunísia, todos os pontos podem ser importantes.
