Jan e a esposa aproveitaram a lua de mel para viajar para os Estados Unidos e, em clima de amor, viverem a festa do campeonato do mundo. Mas não vieram sozinhos: nas costas ele carrega o nome de Diogo Jota, de quem era fã no Liverpool.
No meio do mar de cores, bandeiras e sotaques que inunda as ruas de South Beach, em Miami, há camisolas que contam histórias. Umas falam de ídolos de infância, outras de vitórias épicas.
A camisola encarnada do Liverpool que Jan traz vestida, por exemplo, fala de saudade e de uma tragédia que o futebol ainda tenta digerir. Nas costas, carrega um nome que arrepia a pele a qualquer português: Diogo Jota.
Jan é polaco, está nos Estados Unidos em plena lua de mel e, no meio da festa global, fez questão de trazer o internacional português nas costas. Quando o abordamos, o sorriso rasgado de quem está a viver a viagem de uma vida cruza-se com o peso da homenagem.
«Adoro o Liverpool e adoro o Diogo Jota. Ele era um dos melhores jogadores do Liverpool. Acho que é um jogador muito especial», começa por explicar.
Apresenta-se com o brilho nos olhos de quem fala de um ídolo e garante que a ligação ao clube inglês não é de agora: é uma paixão de vida.
«Sou adepto do Liverpool há 20 anos. Adoro a forma como o Diogo Jota jogava. Além disso ele era, na minha opinião, muito boa gente.»
Caminhar com aquele nome nas costas no meio de um Campeonato do Mundo tem sido um íman para conversas, abraços e jornalistas. A nossa abordagem não foi caso único.
«Sim, as pessoas aqui reconhecem a camisola. É a minha terceira entrevista porque tenho a camisola do Diogo Jota», confessa.
«Ele devia estar aqui, devia estar neste Mundial... Ele devia estar no Mundial. Olha, repara na minha pele, até fico com pele de galinha. Não sei o que dizer quando penso nesta tragédia.»
A torcer por Portugal... e sobretudo por Cristiano Ronaldo
Apesar da dor partilhada com os portugueses, Jan está na América para celebrar também o amor: pelo futebol, claro, mas pela namorada transformada recentemente em esposa. A Polónia deles é que não conseguiu o apuramento, mas isso não os impediu de atravessar o Atlântico.
«Vim de lua de mel só pelas férias, pelo futebol e para sentir o ambiente aqui. Quero ver todos os jogos porque sou fã de futebol.»
«Por quem vamos torcer? Posso dizer que torcemos por Portugal», atira.
«Por causa da equipa, porque jogam bom futebol. E queremos que Portugal ganhe também por causa do Cristiano Ronaldo. Acho que é o último Campeonato do Mundo para ele e seria ótimo se ele terminasse a ganhar o Mundial. Ele merece e seria muito justo.»
A conversa chega ao fim. Jan tem uma lua de mel para aproveitar e um Mundial para viver.
Antes de se despedir, pedimos-lhe para se virar, para que a câmara possa captar o nome nas costas da camisola vermelha. Ele acede com orgulho, aponta para as letras e despede-se com um grito que ecoa nas ruas americanas, mas que bate fundo em Portugal.
«Viva o Diogo Jota! Viva Portugal!»
