Roberto Carlos: «Ancelotti melhorou o Brasil, vamos tentar igualar Portugal»

Samuel Santos , Estádio do Dragão, Porto
6 fev, 13:56

Campeão do Mundo em 2002, no Japão, o lendário defesa esquerdo visitou o Dragão, a propósito da inédita presença do troféu do Mundial em Portugal. Enquanto Roberto Carlos anseia recuar no tempo, Domingos Paciência aponta à inédita conquista de Portugal nos Estados Unidos

O dilúvio da alvorada desta sexta-feira deu tréguas na Invicta para a inédita presença do troféu do Mundial em Portugal. E o sol até espreitou, iluminando o relvado em tratamento no Estádio do Dragão. Entre convidados – como Bruno Alves e Ricardo Carvalho – e funcionários da promotora da “tour” que viaja por 30 países, Roberto Carlos distingue-se na multidão. O ex-internacional brasileiro, de sorriso fácil, atrai olhares e anseia voltar a erguer o pedaço de ouro maciço que beijou em 2002.

Ao final da manhã, e numa cerimónia com segurança e preparativos a condizerem com o principal anfitrião do Mundial 2026 – os Estados Unidos – Roberto Carlos até se gabou da réplica do troféu que ostenta. Afinal, são 36,8 centímetros e mais de seis quilos de uma peça cuja original tem 18 quilates de ouro maciço.

«Tenho uma réplica em casa. É o máximo da carreira. Perdemos a final em 1998, mas ganhámos em 2002, com Ronaldinho, Cafú. Uma equipa básica! Estar próximo do troféu faz-me lembrar o trajeto até ao estádio da final [Yokohama], o choro do Ronaldo, o caminho para o balneário. Todos os jogadores querem conquistar o Mundial. É algo bonito.»

«Eu quero que o Brasil ganhe. O Carlo Ancelotti melhorou a seleção, vamos tentar igualar França, Espanha, Portugal e as melhores seleções. Se pudesse voltar no tempo e ser convocado, seria bom», referiu, entre risos trocados com André Villas-Boas.

Terminado o breve discurso, o momento alto, o “matar saudades” daquele pedaço de ouro que permite viajar no tempo. Uma das mais belas obras do escultor Silvio Gazzaniga, desde 2006 apenas manejado pelos jogadores no momento da consagração. De recordar que a base da taça tem gravados os nomes de Alemanha RFA, Alemanha, Argentina, Itália, Brasil, França e Espanha, seleções que conquistaram a prova desde 1974, ano que marcou a estreia do atual troféu.

Com vista para o relvado do Dragão também discursou Domingos Paciência, em representação de Pedro Proença, uma vez que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol está na Eslovénia, a propósito da final do Europeu de futsal.

«Era o ideal este troféu voltar em julho a Portugal. É uma competição capaz de unir povos e religiões. Assumimos o objetivo de conquistar o Mundial, sem rodeios. Vamos ao Mundial para fazer o que ainda não foi feito. Daqui a quatro anos vamos ser um dos anfitriões e um dos palcos será o Dragão», atirou o antigo avançado.

E nesta manhã, apesar de cheias na Afurada e Miragaia, também falou o presidente da Câmara Municipal do Porto.

«Falar do Porto é falar de uma cidade insubmissa, íntegra, que nunca se vergou, que rema contra a corrente e para sempre invicta. Para os tripeiros, o futebol não é apenas um jogo, o futebol nasce na rua, nas escolas e nas margens do Douro. Cada noite inesquecível é mais do que um troféu. O futebol tem o poder de esbater diferenças sociais. O futebol dá à cidade uma voz global.»

«O FC Porto é uma das maiores marcas, carrega em si o simbolismo de uma cidade liberal e progressista. Em 2030 estaremos com orgulho como cidade sede do Mundial», referiu Pedro Duarte.

O pavilhão do FC Porto – o Dragão Arena – recebe o troféu do Mundial até às 21 horas desta sexta-feira. Depois da Invicta, esta "tour" segue para Madrid.

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