CRÓNICA MÉXICO 2-0 EQUADOR || Arraso inicial da equipa da casa, descanso depois disso
É mesmo daqueles jogos que cheira a Mundial: duas equipas exóticas que entusiasmam apesar de não estarem na prateleira dos favoritos, um estádio mítico e a rebentar pelas costuras e horas esquisitas.
O México-Equador teve tudo isso e ainda uma tempestade a ajudar à festa, ou a tentar estragá-la, já que o jogo começou com uma hora de atraso por causa do tempo que se abatia sobre a Cidade do México.
Lá em cima, a mais de dois mil metros acima do nível do mar, os pacientes esperaram e esperaram. Tinha de ser para tentar empurrar a seleção da casa rumo a mais uma eliminatória.
E a tempestade não fez tremer o Azteca, como não fez tremer a equipa da casa, que conta por vitórias todos os jogos realizados neste Mundial. Todos jogados neste estádio-talismã, diga-se, que vai continuar por ali, mas da próxima nos oitavos e contra Inglaterra ou República Democrática do Congo.
Quanto ao jogo, o melhor que se pode dizer do México é que não teve muita história depois de a ter. Esta equipa conseguiu imprimir o carrossel que até aqui tinha faltado - Gilberto Mora já vai sendo titular, será que ajuda? -, sufocando o Equador numa estonteante primeira meia hora que deu para resolver tudo. A seleção mexicana fez o seu jogo, marcou e depois geriu. Quando não teve a capacidade para o fazer da melhor forma, os adeptos empurraram a equipa para resistir.
Nota também para mais uma grande exibição defensiva. O México segue sem sofrer golos neste Mundial e assim vai ser difícil tirar a equipa da prova.
E se um golo chega para aplicar esse sentimento, dois chegam e sobram. Ao minuto 31 já o México ganhava por 2-0 - a tal meia hora -, aproveitando os golos de Julián Quiñones - sim, o homem que foi a primeira grande figura deste Mundial num agora aparentemente distante dia 11 de junho - e Raúl Jiménez - sim, o ex-Benfica que ganhou vida nova depois do susto com uma lesão na cabeça. Duas bombas lá para dentro a decidirem tudo.
A partir daí foi gerir. Com bola quando possível, explorando os espaços que o Equador inevitavelmente teve de dar, ou mantendo e garantindo a proteção da área frente a uma equipa sul-americana que nunca foi capaz de colocar a eliminatória verdadeiramente em causa.
É ainda muito cedo para tentar prever onde pode chegar este México - há 40 anos, também em casa, foi aos quartos de final -, mas é tempo mais do que suficiente para se dizer que, seja quem for que queira eliminar esta equipa, terá um osso duro de roer.
E isso é tanto mais verdade no mítico Azteca, que deve o nome a uma das mais importantes civilizações que a Humanidade já conheceu. Desta vez, das outras vezes, das vezes que estão para vir, também os antepassados estiveram com a equipa. O nome do estádio garante isso mesmo.
