Gladiador Ounahi lidera marroquinos na batalha campal de Houston
Jogo feio, sem grande emoção e com muitos cartões amarelos – é este o resumo da primeira parte do primeiro jogo dos «oitavos» do Mundial 2026.
Canadá e Marrocos - já depois de terem eliminado África do Sul e Países Baixos respetivamente – ofereceram-nos uma partida pobre no que concerne ao espetáculo nos primeiros 45 minutos. No segundo tempo, tudo mudou.
Em Houston, não faltou, porém, agressividade – por vezes a roçar o limite do aceitável. Tanto é que ao intervalo seis cartões amarelos já tinham sido mostrados. No final foram oito no total numa verdadeira batalha campal.
Provavelmente contra as expectativas, foi o Canadá quem entrou melhor, e com mais incitava, no jogo. Com Eustáquio, ex-FC Porto, a servir de maestro, a equipa que jogava pela primeira vez os «oitavos» do Mundial ia testando a atenção de Bounou.
Aos dez minutos, Oluwaseyi rodou à entrada da área e atirou rasteiro para uma enorme intervenção com a perna esquerda do guarda-redes do Al Hilal. Depois disso, pouco – ou nada - aconteceu.
Aliás, o que veio a seguir foi tudo... menos futebol. Primeiro, Marrocos perdeu Saibari, que saiu por lesão. O melhor marcador marroquino, que foi contratado pelo Bayern, teve de ser substituído relativamente cedo.
Ainda no primeiro tempo o jogo voltou a aquecer, por encontrões. Hakimi desentendeu-se com Laryea – o que levou a empurrões entre as equipas.
Após uma primeira parte pobre, o segundo tempo trouxe-nos o golo relativamente cedo – através de uma bola parada.
Num livre do lado direito, Hakimi serviu Ounahi. O médio do Girona surgiu em corredor central e atirou de primeira à entrada da área para o primeiro golo do encontro. Estava, finalmente, aberto o marcador.
Marrocos cresceu o no jogo e, com o golo, conseguiu começar a impor o seu jogo. O registo manteve-se, porém, o mesmo: sem oportunidades claras de golo, embora que com um pouco mais de baliza.
Eustáquio sofreu falta à entrada da área. Jonathan David tentou surpreender, mas o remate saiu por cima, sem perigo. Pouco depois, Bounou disse mais uma vez «presente». O guardião marroquino voou para negar um golaço ao Canadá.
Quem não marca, sofre. E assim foi.
Num contra-ataque que deve ser ensinado nos livros da modalidade, o gladiador Ounahi apareceu uma vez mais. Desta vez, já dentro de área, o médio finalizou com muita qualidade para fechar as discussões. Parecia decidido, mas havia tempo para mais.
Novamente em contra-ataque, desta vez foi Soufiane Rahimi, que sucedeu Saibari no primeiro tempo, quem finalizou para o golo marroquino.
O triunfo já não escapava e, pela segunda vez consecutiva, Marrocos chega aos «quartos» do Mundial. Fica, agora, à espera do vencedor do jogo entre França e Paraguai.
Negativo: muita agressividade e pouca baliza
Jogo pobre em grandes oportunidades, mas rico em cartolinas amarelas. Poucas balizas e muita bola disputada no meio-campo. A agressividade é boa – quando surge nos patamares normais. Neste caso, Michael Oliver recorreu muitas vezes ao bolso durante a partida. Muita «luta» e pouco futebol.
Figura: Azzedine Ounahi (Marrocos)
Foi o herói improvável. Numa seleção marroquina recheada de talentos e nomes com atenção mundial, foi o médio do Girona quem guiou a seleção africana à vitória. Dois golos de primeira – que provam posicionamento eficaz e finalização acima da média. Não precisou de muito para bisar, sendo preponderante para o triunfo.
