Mundial 2026: Alemanha-Curaçao, 7-1 (crónica)

14 jun, 20:17
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Pragmatismo germânico batiza romântico Curaçao com uma goleada

A pouco mais de 60 quilómetros acima da Venezuela, no Mar do Caribe, um pequeno território ultramarino dos Países Baixos – Curaçao -, parou durante duas horas para assistir à estreia da sua seleção no Mundial 2026. Contou pouco o resultado – víamos até alguns jogadores sorridentes apesar de perderem ao intervalo -, e mais a ocasião.

Uma das quatro seleções estreantes deste Mundial, com ligações a Portugal durante os Descobrimentos e também no século XX, com uma vaga de emigração madeirense, Curaçao chegou a esta competição como a mais pequena nação em Mundiais, em termos de população e área.

E teve logo a tarefa inglória de defrontar a Alemanha na jornada inaugural do Grupo E, acabando goleada por 7-1. Conhecidos pelo pragmatismo e frieza, os germânicos não quiseram dar azo a uma história ainda mais bonita.

RECORDE AQUI O FILME DO JOGO. 

Dick Advocaat chorou durante o hino e ainda bateu recorde

O momento do hino foi emocionante. Uma pequena nação, a mais pequena a participar em Mundiais, teve um momento de afirmação planetário ao cantar o hino em Houston, diante de uma das maiores potências do futebol mundial. Se nas bancadas havia emoção, no banco talvez ainda mais.

Dick Advocaat, o treinador mais velho de sempre em Mundiais, com 78 anos e 260 dias, mostrou que nunca é tarde para mostrar os sentimentos. Chorou ao ouvir o hino de Curaçao, um país que nem é o seu. Já tinha participado em três Mundiais, esteve até em dúvida para este, após problemas pessoais, mas marcou presença. E ainda fez história.

Depois disso, começou o domínio alemão. Que teve um pequeno hiato por volta dos 20 minutos, mas que se estendeu durante praticamente todo o jogo. O primeiro golo surgiu logo ao segundo remate. Felix Nmecha, o mais dinâmico dos 22 titulares, marcou com um remate afinado aos 6 minutos.

Golo de Livano Comenencia fez sonhar Curaçao

O momento mais bonito do jogo chegou aos 21 minutos, com um golo inesperado de Curaçao, que ainda relançou a discussão do jogo (até à pausa para hidratação). Numa das saídas rápidas dos curaçauenses para o ataque, a bola sobrou para o jovem médio Comenencia. O ex-PSV e Juventus, atualmente no Zurique, atirou com certezas e ainda beneficiou de um desvio em Kimmich. A bola ultrapassou Neuer e a festa dos caribenhos foi incrível.

O sonho durou pouco tempo. A Alemanha insistia no ataque e os créditos defensivos de Curaçao não convenciam. Aos 38m, Schlotterbeck repôs a normalidade no marcador de cabeça, após um canto. Ainda antes do intervalo, Riechedly Bazoer, ex-FC Porto, cometeu uma grande penalidade sobre Nmecha. Havertz converteu com mestria.

Segunda parte de pragmatismo imparável da Alemanha

Dick Advocaat ainda lançou um ex-Moreirense para o campo na segunda parte (Jeremy Antonisse), mas a Alemanha não tirou o pé do acelerador. Musiala marcou logo aos 47 minutos na primeira de duas assistências de Joshua Kimmich – capitão apesar da titularidade de Neuer.

Nathaniel Brown estreou-se a marcar pela Alemanha aos 68 minutos e Deniz Undav fez o 6-1 aos 78, pouco depois de ter entrado. Kai Havertz chegou ao bis com um belo golo em contra-ataque, após os caribenhos perderam a bola no meio-campo. Contas feitas, 7-1. 

Apesar da diferença no resultado, esta não é sequer a maior goleada da Alemanha no Mundial. Em 2002, venceram por 8-0 a Arábia Saudita. Missão cumprida para os homens de Julian Nagelsmann. Já os curaçauenses podem orgulhar-se da estreia e de terem igualado o resultado concedido pelo Brasil… em 2014.

A Figura: Felix Nmecha

Talvez fosse um nome insuspeito antes do jogo, mas Nmecha foi mesmo a figura desta Alemanha goleadora. Teve a sagacidade de marcar logo aos seis minutos, com um belo remate em arco; teve nova tentativa impressionante pouco depois, a rasar o poste; ganhou uma grande penalidade e teve várias outras ações importantes no meio-campo adversário. O médio do Borussia Dortmund foi o mais decisivo, apesar de Kai Havertz ter bisado em golos e Joshua Kimmich em assistências.

O Momento: golo de Livano Comenencia, 21m

Arriscamos ao dizer que este golo teve quase o sabor de uma vitória para os adeptos de Curação presentes em Houston. O 1-1 do médio do Zurique mostrou que era possível a discussão do resultado, apesar da diferença colossal entre as duas equipas. Foi o primeiro golo desta nação em Mundiais. Acabou também por funcionar também como wake-up call, um alarme para os germânicos, que puseram em marcha o foco total. 

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