CRÓNICA INGLATERRA 2-1 RD CONGO || Jogo muito mais difícil do que seria de esperar para a seleção inglesa. Segue-se o México e o inferno do Azteca
Estivemos quase um jogo inteiro a pensar noutra grande surpresa, mas depois apareceu o homem das decisões, aquele que não é francês e pode sonhar com a Bola de Ouro, aquele que andou uma vida toda a escorregar nas decisões.
Falamos de Harry Kane, claro, autêntico abono de família de uma Inglaterra que apanhou um susto a valer contra a República Democrática do Congo - lembras-te, Portugal? -, e que sozinho resolveu um osso muito mais duro de roer do que se pensava.
Talvez a Inglaterra tenha chegado para dar razão a Portugal e a Roberto Martínez. Esta seleção africana era mais difícil do que se queria acreditar. Não foi só culpa de Portugal, portanto.
Em todo o caso, a Inglaterra tinha sempre obrigação de passar a eliminatória para encontrar o México nos oitavos de final. Podemos já perspetivar um duelo escaldante no Azteca, que tem servido de talismã a um dos três organizadores deste Mundial. Veremos se a seleção dos Três Leões tem andamento para isso.
Voltando ao jogo que abriu esta quarta-feira, a Inglaterra foi melhor - mal seria -, mas não tão melhor que um prolongamento fosse escandaloso.
Para se perceber como o jogo decorreu, a República Democrática do Congo ficou a centímetros de estar a ganhar por 2-0 ainda na primeira parte, mas atirou com estrondo ao poste.
Antes disso foi Brian Cipenga, jogador que fez quase toda a carreira em Portugal - começou ainda jovem no Boavista e depois andou por Freamunde, Famalicão, Ideal, Anadia, Länk Vilaverdense ou Paços de Ferreira - e agora anda em Espanha.
Antes de voltar à Península Ibérica foi estrela da seleção africana, com um remate em que Jordan Pickford podia ter feito melhor. O relógio marcava o minuto 7, havia muito por jogar, mas a Inglaterra não conseguiu reagir da melhor forma.
Tanto que durante toda a primeira parte a outra melhor oportunidade foi também da República Democrática do Congo, na tal bola ao poste.
A segunda parte não foi especialmente diferente, com Inglaterra a sentir muitas dificuldades em penetrar a defesa coesa. As mesmas dificuldades que Portugal teve, lá está.
Mas o futebol dá sempre voltas e este texto também. Uma volta de regresso ao início, para nos encontrarmos com Harry Kane, o tal que é candidato à Bola de Ouro, o tal que a pode roubar aos franceses Ousmane Dembelé ou Michael Olise.
Quando se tem o melhor avançado do mundo dá para pensar em qualquer coisa. Então, que seja, a Inglaterra que pense em tudo, até em vencer este Mundial. Mesmo sem jogar muito, tem lá o rapaz para as sobras.
É assim esta Inglaterra: tem tudo em Harry Kane, talvez não tenha nada em Jordan Pickford. Para já vai chegando.
Segue-se então o jogo com o México. Escaldante, relembramos.
