CRÓNICA FRANÇA 3-0 SUÉCIA || Brincadeira da seleção francesa, claramente a melhor equipa do torneio até ao momento. Se tiver a sorte e o engenho de lá chegar, Portugal vai, muito provavelmente, ter o azar e o desafio de ter de os eliminar para chegar à final
É quase hipnótico. Kylian Mbappé dá para Ousmane Dembelé, que dá para Michael Olise, que dá para Bradley Barcola. Não dão para Désiré Doué ou para Rayan Cherki porque nem é preciso entrarem todos ao mesmo tempo. Bem que nos podiam dispensar um destes.
Talento a França sempre teve, mas chega a este Mundial num ponto de rebuçado que ainda não se tinha visto, nem mesmo nas últimas duas competições, nas quais foi finalista - em 2018 venceu mesmo.
Conhecido pelo pragmatismo e pelo caráter às vezes até chato, Didier Deschamps conseguiu encontrar o equilíbrio necessário para permitir aos artistas que expressem o seu melhor futebol.
E nem é que as estrelas com grandes egos deixem o trabalho defensivo para os outros. Bastava ver aos 72 minutos, a ganhar por 2-0, como Mbappé, Olise ou Dembelé estavam comprometidos defensivamente.
França atropelou a Suécia nos 16 avos de final, avançando facilmente para a próxima fase, não se permitindo a surpresas como a da Alemanha ou a uma quase-surpresa como a do Brasil.
Mbappé foi figura maior com dois golaços, mas todos brilham, sobretudo os da frente. Desta vez foram Dembelé, Olise e Barcola a acompanhar o avançado do Real Madrid, mas tanto faz, dá na mesma com Doué - quiçá ainda melhor que Barcola -, que ainda entrou para ganhar uns minutinhos.
Depois de um início em que a Suécia tentou mostrar um lado corajoso a subir as linhas de pressão e a não deixar a França pensar, os gauleses instalaram-se no meio-campo contrário para começarem a rendilhar.
Enviaram duas bolas ao poste em belas jogadas - a bicicleta de Olise merecia ter sido golo em vez de bater no poste – e ainda falharam mais algumas oportunidades.
Cansados da brincadeira, Olise, Dembelé e Mbappé fabricaram um golo que até parece fácil. O avançado do Real Madrid bailou sobre os adversários para colocar a bola longe do alcance de qualquer guarda-redes. O primeiro era questão de tempo e até chegou tarde, ao minuto 45.
A França não tirou o pé do acelerador na entrada para a segunda parte e marcou cedo para descansar melhor. Olise descobriu Barcola com classe e o extremo do Paris Saint-Germain quis entrar no clube dos astros e fazer um belo golo. Quase toda a segunda parte por jogar e jogo resolvido, com uma Suécia a acusar um autêntico atropelo em pleno relvado.
A França manteve a toada, pelo menos a nível de concentração - lembra-se do lance ao minuto 72? - e Olise, quase sempre ele, voltou a descobrir espaço nas costas do adversário. A bola foi para a Mbappé, que está numa forma absolutamente formidável, e só acabou lá dentro.
Um regalo ver a França jogar. Foram 3-0, podiam ter sido 5, 6… Não tem a Alemanha pela frente, mas quase que apetece dizer que também não faz diferença, parece impossível travar esta equipa de momento. É quase como se tratasse de uma teia com várias arestas em que cada pontinho tem várias aranhas construtoras e até trabalhadoras, mesmo apesar do ego que têm. Quem pára esta teia?
Talvez Portugal tenha tido sorte, já que, se conseguir ir avançando, só apanhará este colosso nas meias-finais. É a melhor equipa do torneio, é a melhor seleção do mundo.
