O melhor conjunto do mundo e a melhor equipa do mundo entram num bar. No fim saem cada um com uma lição

14 jul, 21:59
França-Espanha (Ashley Landis/AP)
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CRÓNICA FRANÇA 0-2 ESPANHA || A debacle de França explica-se pelo agigantar de Espanha, que nos mostrou a sua melhor versão no Mundial para dizer a toda a voz que está mesmo aqui para ganhar

Olhamos para o onze de França e Espanha e não temos dúvidas, a seleção gaulesa, jogador a jogador, é melhor. Talvez os laterais entrem no lugar dos franceses, Rodri e Lamine Yamal certamente entram, mas não há muito mais.

O que há, isso sim, é uma ideia, um treinador e um pensamento coletivo. Aí Espanha é a melhor, já o sabíamos de antemão e nunca mudou muito. A grande dúvida estava no Mundial até aqui cinzento da campeã europeia, como se viu no jogo contra Portugal, em que foi melhor, mas não colocou toda a sua capacidade dentro de campo, também porque havia jogadores em baixo rendimento.

Desta vez foi diferente. O adversário, a França, pedia uma resposta muito mais robusta, pedia uma equipa a sério para lidar de frente com o melhor ataque do mundo. E foi isso que aconteceu, ainda que pelo caminho tenha sido um erro quase amador de Lucas Digne - claramente uma das unidades mais frágeis desta equipa - a deitar a equipa abaixo.

As duas equipas ainda tentavam perceber o que é que iam fazer para dentro de campo quando o lateral-esquerdo que vai jogar no Paris Saint-Germain na próxima época - quando Nuno Mendes deixar, claro, porque até parece que nem jogam o mesmo desporto, dada a diferença de qualidade - teve uma espécie de paragem cerebral. Cortou a bola com a cabeça para cima e depois tentou aliviar, mas o esférico ficou mesmo muito longe e a única coisa que o francês pontapeou foi Lamine Yamal.

Penálti incompreensível, mas penálti claro. Demasiado frustrante para qualquer francês naquele momento, ainda mais frustrante perante o andamento do jogo.

Talvez por se apanhar pela primeira vez numa situação delicada, talvez porque não estava preparada para lidar com isto, a França nunca mais se encontrou com o futebol. Sabemos que Didier Deschamps não é mestre da tática, pelo que nunca seria por aí, e os astros da frente estavam na noite mais desinspirada.

Num jogo coletivo, aquilo que se percebeu foi que Espanha tem o coletivo mais forte. Lá está a ideia outra vez, e aí Luis de la Fuente ganha aos pontos a Didier Deschamps, como ganha a qualquer selecionador por estes dias.

Ao penálti convertido por Mikel Oyarzabal seguiu-se um autêntico espetáculo de Espanha, que controlou com toda a calma as operações até ao final da partida, talvez com a única exceção de um lance em que Unai Simón quis devolver a gentileza de Lucas Digne e quase que borrava totalmente a pintura.

Com toda uma segunda parte para jogar, ajudou, e muito, que Espanha tivesse marcado logo a abrir, num lance de grande futebol coletivo que acabou finalizado por Pedro Porro. Se com o 0-1 a sensação era de impotência total de França, o segundo dos espanhóis foi uma espécie de pedra sobre o assunto.

Até final houve pouca história, com Espanha a controlar as operações, muitas vezes até com bola e em posse prolongada, enquanto França não se ajudou nem foi ajudada pelo selecionador, que mais uma vez falha em levar uma geração com talento para dar e vender a um título.

Didier Deschamps é o obreiro do Mundial de 2018, é certo, é o obreiro da final do Mundial de 2022, claro, mas fica a sensação de que tantos anos à frente da seleção francesa tinham obrigatoriamente de acabar em mais alguma coisa.

Até ao final França nunca foi capaz de fazer nada de especial e até ficou a sensação de que Espanha podia acelerar para mais, tendo criado as melhores oportunidades já depois do segundo golo.

Sem ser espetacular até chegar aqui, Espanha elevou o nível do seu futebol e é, agora, a maior candidata a ser campeã mundial. Pelo contrário, França parecia estar até a brincar e ser quase imbatível, mas colapsou totalmente perante um coletivo que o é em toda a linha.

O melhor conjunto do mundo aprendeu que isso não chega, é preciso ser também uma equipa, sobretudo nas fases mais difíceis. Foi o que Espanha, que é antes a melhor equipa do mundo - falando de seleções, claro - mostrou com toda a capacidade.

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