CRÓNICA EUA 1-4 BÉLGICA || Eliminação dramática para os Estados Unidos, até aqui uma das melhores equipas deste Mundial, mas que caem com estrondo frente a uma revigorada Bélgica
Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku à cabeça, mas também um nome como Jérémy Doku. Rudi Garcia olhou para todos eles e pensou além do ego e do estatuto, entendendo que era sangue novo que faltava a uma seleção da Bélgica até aqui a apática, mas que, de repente, já está nos quartos de final do Mundial.
Depois de uma fase de grupos frouxa e de ter sido pior no jogo em que venceu o Senegal nos 16 avos de final, a Bélgica ia a Seattle defrontar o último anfitrião ainda prova, os Estados Unidos.
Prova de fogo para os Diabos Vermelhos, que estavam mal até aqui, e ainda por cima tinham de defrontar uma das equipas que mais tinha mostrado neste Mundial, ainda que sem ter feito um jogo contra uma seleção de montra.
Mas voltemos a Rudi Garcia, que mostrou ter a coragem que Roberto Martínez nunca pareceu sequer pensar que podia ter. O selecionador da Bélgica olhou para aqueles três nomes de lá de cima, olhou para a exibição contra o Senegal e pensou que tinha de mudar.
Romelu Lukaku já vinha começando no banco - entrando até bem, diga-se, como também desta vez, em que marcou um golo -, mas Kevin De Bruyne e Jérémy Doku, respetivamente o ex-maior nome e o maior nome da Bélgica tinham sido aposta regular nos primeiros quatro jogos.
Não por acaso foram os primeiros a sair contra o Senegal, e logo aí Rudi Garcia deu prova de força. Demonstração essa reiterada com um onze sem os dois astros que chegaram a coabitar no Manchester City.
Uma prova que Roberto Martínez deu apenas de forma momentânea em relação a Cristiano Ronaldo ou Bruno Fernandes, mas que não teve seguimento contra a Espanha, no jogo que ditou a eliminação contra Portugal.
Para a Bélgica isso resultou numa clara mais-valia. Se é verdade que foram os Estados Unidos a assumir as despesas do jogo em grande parte do tempo, a seleção belga foi capaz de se unir como ainda não se tinha visto, partindo de forma letal para o ataque, sendo que as debilidades defensivas dos norte-americanos também ajudaram muito à festa.
Charles De Ketelaere emergiu como a estrela maior com golos plenos de oportunidade, mostrando que pode ir a tempo de confirmar todo o potencial que demonstrou no início da carreira.
E se um livre batido por Malik Tillman que desviou na barreira ainda deixou tudo empatado por alguns segundos, a Bélgica voltou a carregar e não mais permitiu ao adversário uma reação efetiva, até porque o 1-3 surgiu ainda cedo na segunda parte, deitando por terra as ambições dos comandados por Mauricio Pochettino, que acabam por sair pela porta pequena depois de terem chegado a construir uma porta grande.
Apesar de a Bélgica se ter revigorado, não deixa de ser assinalável o autêntico suicídio defensivo dos Estados Unidos, que estiveram francamente mal em todos os golos sofridos.
Saiu a mal a Roberto Martínez a falta de coragem e de audácia, saiu bem a Rudi Garcia o gesto oposto, já que a Bélgica encarrilou para a sua melhor exibição neste Mundial, goleando os Estados Unidos por 1-4, num jogo chocante para o público norte-americano, que certamente não esperaria sair já da competição, e muito menos assim.
A menos que Donald Trump ligue outra vez para a FIFA a pedir um qualquer favor - o caso Folarin Balogun é absolutamente dramático -, os Estados Unidos estão mesmo fora deste Mundial, depois de até terem demonstrado que podiam pensar seriamente em algo grande.
Mérito para a Bélgica, claro, e para Rudi Garcia, o grande vencedor desta eliminatória. Para os Diabos Vermelhos segue-se a mesma Espanha que nos eliminou. Uma dessas seleções estará nas meias-finais para jogar com França ou Marrocos.
