SUPERCRÓNICA COLÔMBIA 0-0 PORTUGAL || Jogo muito pobre de Portugal nas duas áreas, com claras falhas no processo coletivo acima de tudo. Nenhum jogador fez uma péssima exibição, mas todos juntos não estão a funcionar
São negativas as sensações para Portugal na saída da fase de grupos. Mais do que o empate contra a Colômbia, que nos deixa numa árvore do torneio teoricamente mais complicada, o que preocupa mesmo são as incapacidades em ambas as áreas.
Portugal controlou aparentemente o jogo, mas sempre que a Colômbia acelerou a defesa lusa tremeu e de que maneira.
Diogo Costa sai como um dos melhores em campo, provavelmente até o melhor, com uma defesa de grande nível ainda nos primeiros minutos, mantendo sempre a atenção quando foi chamado.
Do outro lado, Portugal foi incapaz de criar situações de golo em quantidade. Há um belo lance de João Cancelo a imitar o que o mesmo fez contra o Uzbequistão no primeiro golo, mas desta vez a bola foi para Bruno Fernandes e o guarda-redes da Colômbia respondeu com a defesa da noite, uma das melhores do Mundial até agora.
Vitinha ainda tentou acelerar movimentos, mas a equipa parece totalmente presa e sem saber o que fazer à bola em grande parte do tempo. Não é falta de tentativa - João Félix, Bruno Fernandes e Pedro Neto fartaram-se de tentar -, é mesmo uma notória ausência de trabalho tático.
Tal como atrás, nem se trata de um jogo em que algum elemento tenha estado particularmente mal, mas parece haver falta de trabalho, porque as falhas mais gritantes são todas de processo coletivo, nomeadamente na transição defensiva e na organização ofensiva.
É uma partida em que ficam várias coisas por perceber:
- O que queria Roberto Martínez com Rúben Neves? Percebe-se ainda menos depois de ver a saída do jogador ao intervalo?
- Portugal queria ganhar o jogo? Teoricamente facilitaria a tarefa, mas a equipa nunca pareceu assim tão interessada, mesmo sabendo que perder ou empatar era completamente igual.
O jogo foi dividido e houve oportunidades nas duas áreas, mas a Colômbia foi melhor, foi mais igual a si mesma e, havendo um vencedor, teria de ser sempre a seleção sul-americana, que foi aquela que mostrou mais querer os três pontos, mesmo que fosse a única que não precisava deles.
Prova disso é não ter colocado Gonçalo Ramos, Francisco Conceição ou Francisco Trincão. Roberto Martínez ou não tem ideias ou só tem uma e não sabe o que fazer quando ela falha. Depois ainda mostra claramente que há seis/sete jogadores que foram ao Mundial só para passear.
No fim do dia, não ter perdido o jogo até acabou por ser bom, já que a Colômbia acabou por cima e só por uma unha não marcou. Quer dizer, marcou, mas Davinson Sánchez estava em fora de jogo, mesmo que a imagem a nu não o fizesse crer.
Concluindo a ideia, Roberto Martínez não quis fazer tudo para ganhar o jogo. Das duas uma: ou prefere jogar com a Croácia do que com o Gana de Carlos Queiroz, ou prefere fugir à Argentina e apanhar pela frente a Espanha. É isso que vai acontecer, com os croatas a serem o próximo adversário, já nos 16 avos de final. Caso ganhemos teremos de defrontar o vencedor do jogo da Espanha, que vai jogar com a Áustria.
O melhor
Diogo Costa apareceu ao seu nível e confirmou que é um bastião da Seleção quando tudo falha. Tem várias defesas de guarda-redes grande e ainda duas intervenções perto da classe mundial.
Menção honrosa ainda para Renato Veiga, que vinha sendo dos piores, mas foi um esteio na defesa, sobretudo na proteção da área e na capacidade física. Rúben Dias também esteve bem, o que falhou não foi por individualidades.
O pior
Pegamos no fim do melhor. É que o pior foi o processo coletivo, a defender e a atacar, mas sobretudo lá atrás. Luis Díaz esteve desaparecido e Luis Suárez mostrou a pior versão a finalizar, senão dificilmente Portugal tinha empatado este jogo. O que está a falhar é mesmo coletivo e parece difícil de resolver.
A surpresa
As opções de Roberto Martínez. João Neves vinha a ser dos melhores e começou no banco, para depois entrar ao intervalo. João Cancelo saiu ao intervalo depois de ser dos melhores. Gonçalo Ramos voltou a demorar demasiado tempo a entrar. Não se percebe o que quer Roberto Martínez em grande parte do tempo.
