Desde tensões diplomáticas até aos preços dos bilhetes e custos de viagem, o torneio tem sido notícia antes mesmo de a bola ter começado a rolar
Falta muito pouco para o pontapé inicial do primeiro jogo do Campeonato do Mundo da FIFA deste verão, e já há muito de que falar. Desde tensões diplomáticas até aos preços dos bilhetes e custos de viagem, o torneio tem sido notícia antes mesmo de a bola ter começado a rolar, e esse interesse só tende a aumentar à medida que nos aproximamos do jogo de abertura entre o México e a África do Sul, a 11 de junho.
Para o ajudar a compreender tudo o que tem acontecido dentro e fora do campo, a CNN Sports analisa as cinco coisas que precisa de saber.
1. Preços dos bilhetes
Este Campeonato do Mundo tem tido várias polémicas e talvez a maior delas até agora seja o custo associado à sua assistência. Os preços dos bilhetes para os jogos atingiram novos máximos, dissuadindo muitos adeptos de acompanhar as suas seleções nos jogos na América do Norte.
Os lugares mais baratos para o jogo de estreia dos EUA contra o Paraguai, a 12 de junho, custam agora mais de 1.000 dólares cada (cerca de 862 euros). Esses preços disparam ainda mais para os jogos mais importantes, com os bilhetes para a final a atingirem agora os 32.970 dólares (28.400 euros).
Até o presidente Donald Trump ironizou alguns dos custos, dizendo ao New York Post que “também não pagaria, para ser sincero”, referindo-se ao preço de quatro dígitos dos bilhetes da seleção masculina dos EUA.
Se acha que estes preços já são de fazer chorar, espere até ver os preços de revenda. A FIFA criou uma plataforma para que os detentores de bilhetes possam revender os seus lugares pelo valor que acharem adequado. O organismo regulador não define os preços, mas retém 15% tanto do comprador como do vendedor.
Estes bilhetes estão a ser vendidos por dezenas, senão centenas, de milhares de dólares. Um detentor de um bilhete para a final está até a revender o seu lugar, que fica mesmo no fundo do estádio, por mais de 11 milhões de dólares (9,5 milhões de euros).
E embora ninguém espere, realisticamente, que alguém pague isso, este facto demonstra o quão inacessíveis estes preços são para a maioria dos adeptos comuns em todo o mundo.
A FIFA tem defendido consistentemente a sua estrutura de preços, afirmando que disponibilizou bilhetes a partir de 60 dólares (52 euros) para todos os jogos, incluindo a final, que serão atribuídos especificamente aos adeptos das equipas qualificadas através das respetivas federações nacionais. Afirma também que, como organização sem fins lucrativos, as receitas são reinvestidas diretamente no futebol.
“Temos de olhar para o mercado. Estamos num mercado em que o entretenimento é o mais desenvolvido do mundo, por isso temos de aplicar as taxas de mercado”, justificou recentemente o presidente da FIFA, Gianni Infantino, na Conferência Global do Milken Institute, na Califórnia. “Nos EUA é permitido revender bilhetes, por isso, se os vendermos a um preço demasiado baixo, esses bilhetes serão revendidos a um preço muito mais elevado. E, na verdade, embora algumas pessoas digam que os nossos preços são altos, acabam por chegar ao mercado de revenda a um preço ainda mais elevado, mais do dobro do nosso.”
Mas quando se tem em conta o custo dos voos, das deslocações para os jogos e dos hotéis, o torneio deste ano torna-se simplesmente inacessível para muitas pessoas. E é provável que os preços no próximo mês subam ainda mais, à medida que a procura aumenta.
2. A participação do Irão
Outro tema importante na preparação para o Mundial deste ano tem sido a situação no Irão e o impacto que esta poderá ter na participação do país no torneio.
Logo após o início da guerra, houve declarações do Irão de que não haveria forma de os seus jogadores viajarem em segurança e participarem nos jogos. A situação tornou-se ainda mais confusa com porta-vozes da FIFA, do Irão e dos EUA a trocarem comentários sobre como tudo poderia evoluir.
Trump tinha afirmado que o Irão era bem-vindo ao torneio, mas sugeriu que jogar nos EUA poderia não ser adequado “para a sua própria vida e segurança”. Isso levou o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, a discutir com a FIFA a possibilidade de transferir os jogos do Irão dos EUA para o México.
Com a participação do Irão em dúvida, a atenção voltou-se para quem poderia substituir a seleção iraniana, incluindo a estranha proposta de um dos conselheiros de Trump de dar à Itália uma vaga no torneio, apesar de esta não se ter qualificado.
Em última análise, a um mês do início do torneio, parece agora muito provável que o Irão venha a participar. No mês passado, um porta-voz do governo iraniano afirmou que a seleção se estava a preparar para uma “participação orgulhosa e bem-sucedida” no Mundial e que iria disputar os seus jogos nos EUA, segundo a Associated Press. A FIFA também procurou esclarecer a situação, com Infantino a afirmar recentemente que estava confiante de que o Irão iria competir.
O Irão deverá defrontar a Nova Zelândia, o Egito e a Bélgica este verão, com dois jogos a decorrerem em Los Angeles e o outro em Seattle.
Se tanto os EUA como o Irão terminarem em segundo lugar nos seus respetivos grupos, irão então defrontar-se na fase de 32 em Dallas, a 3 de julho.
3. Preocupações com a segurança
Antes de falarmos do futebol propriamente dito, têm surgido preocupações em relação à segurança no Mundial deste ano, devido ao contexto político nos países anfitriões.
Por exemplo, depois de testemunharem operações de grande visibilidade do ICE e de saberem que o governo dos EUA está a considerar monitorizar a atividade dos visitantes nas redes sociais, alguns adeptos decidiram que não valia a pena viajar para o Mundial.
Outros adeptos podem nem sequer ter escolha, com a proibição de viagens imposta por Trump a impedir 39 nações – na sua maioria países não brancos, africanos ou de maioria muçulmana – de sequer visitarem o país durante o Mundial. Isto inclui proibições totais para pessoas do Haiti e do Irão, e restrições parciais para o Senegal e a Costa do Marfim. No entanto, jogadores, equipa técnica e dirigentes destas nações participantes continuarão a ter acesso.
Existem também preocupações com a segurança no México, que irá acolher 13 jogos em três cidades anfitriãs este verão. A ansiedade é particularmente forte na área metropolitana de Guadalajara, que irá acolher quatro jogos.
As preocupações suscitadas têm origem nas consequências de uma operação levada a cabo pelas forças federais em fevereiro para deter Nemesio Oseguera Cervantes, também conhecido como “El Mencho”, líder do Cartel de Jalisco de Nova Geração (CJNG). O grupo é considerado uma das “organizações criminosas mais poderosas e implacáveis” do México, de acordo com a Agência Antidrogas dos EUA (DEA). “El Mencho” ficou gravemente ferido na operação e morreu a caminho do hospital. A sua morte desencadeou o caos e uma onda de violência em várias partes de Jalisco, incluindo Guadalajara.
Houve também protestos no exterior do Estádio Banorte, na Cidade do México, após a sua reabertura no início deste ano, com manifestações que chamaram a atenção para a crise de desaparecimentos no país, bem como para a falta de água e de habitação a preços acessíveis na capital mexicana. Os países anfitriões e a FIFA têm agora um trabalho a fazer ao longo do próximo mês para acalmar as preocupações e tornar a assistência aos jogos mais apelativa.
4. Estreantes
Mas há muito pelo que ansiar, especialmente em campo.
Vai ser um mês importante para as equipas, que estão todas ocupadas a preparar-se para o arranque dos jogos na América do Norte, mas talvez ainda mais para as quatro nações que fazem a sua estreia no Mundial. A Jordânia, Cabo Verde, Curaçao e o Uzbequistão terão a sua primeira participação na competição, um feito facilitado pela decisão de alargar o Mundial deste ano para 48 equipas pela primeira vez.
Todas as estreantes tiveram sorteios difíceis, mas memoráveis, o que significa que irão defrontar algumas das melhores equipas e jogadores do mundo.
A Jordânia, por exemplo, irá defrontar a atual campeã, a Argentina, no seu último jogo do Grupo J, o que provavelmente a levará a enfrentar Lionel Messi. A seleção jordaniana tem vindo a construir-se gradualmente nos últimos anos, tendo chegado à final da Taça da Ásia em 2023, antes de ser derrotada pelo Catar.
Na mesma linha, o Uzbequistão foi sorteado no mesmo grupo que a seleção de Cristiano Ronaldo, Portugal. Os uzbeques são treinados pelo lendário defesa italiano Fabio Cannavaro, que levantou o troféu do Campeonato do Mundo pela sua seleção em 2006.
Entretanto, Cabo Verde vai defrontar uma das favoritas do torneio, a Espanha. A seleção africana pode partir como azarada para a fase de grupos, mas apresentou um registo brilhante nas eliminatórias – com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota.
Curaçau também enfrentará desafios difíceis no Grupo E, onde irá defrontar gigantes europeus como a Alemanha. A ilha caribenha tornou-se a nação mais pequena de sempre a qualificar-se para a fase final, com uma população de apenas 156.000 habitantes. Conseguiu tirar partido da ausência dos EUA, do Canadá e do México no processo de qualificação, uma vez que as três nações anfitriãs já estavam automaticamente qualificadas.
5. Jogadores a seguir
Muitas das principais ligas nacionais de futebol ainda estão em curso, o que significa que alguns dos melhores jogadores do mundo ainda estão a lutar para conquistar títulos para os seus clubes.
Na verdade, a maioria dos melhores jogadores que irão ao Mundial atuam na Europa, com a final da Liga dos Campeões, a 30 de maio, a terminar a época europeia de clubes. E embora isto seja uma boa notícia para os fãs de futebol ansiosos por mais emoção, significa que alguns jogadores ainda correm o risco de se lesionarem antes do Campeonato do Mundo.
A principal dessas preocupações atuais é o extremo espanhol Lamine Yamal. O jovem de 18 anos é um dos melhores jogadores do planeta e muitos estariam entusiasmados por vê-lo em campo naquele que seria o seu primeiro Mundial. Mas agora há receios de que não esteja apto para ser titular pela Espanha, depois de o craque do Barcelona ter sofrido uma lesão na coxa no mês passado, enquanto jogava no seu clube. Não se espera que volte a jogar esta época, mas há esperança de que recupere a tempo para o Mundial, em junho.
No entanto, há uma série de jogadores que sofreram lesões devastadoras que acabaram com os seus sonhos de disputar o Mundial. Nomes como o da estrela holandesa Xavi Simons e o do avançado francês Hugo Ekitike são apenas dois dos grandes nomes que ficaram de fora.
A seleção dos EUA também foi afetada pela lesão do avançado Patrick Agyemang, que esperava estrear-se no Mundial deste verão. O jogador de 25 anos foi descartado após uma grave lesão no tendão de Aquiles no mês passado. “As palavras não conseguem descrever o momento em que percebi o que tinha acontecido. Podem imaginar os pensamentos que me passaram pela cabeça", escreveu no Instagram, na altura.
Apesar disso, vários jogadores de topo continuarão a marcar presença no torneio, incluindo nomes como Messi e Ronaldo. Nenhum dos dois craques está perto do auge das suas carreiras, mas será uma oportunidade para os adeptos os verem jogar em campo talvez pela última vez. Ronaldo, não se esqueçam, ainda não ganhou o Mundial, pelo que tudo fará para igualar Messi nesse aspeto.
