Uma das primeiras grandes figuras saiu de Portugal e colocou um país inteiro a festejar como se de um feriado nacional se tratasse
Chegar a um Mundial de futebol já era um feito de si inédito e histórico para Cabo Verde, até porque esta qualificação se deveu ao total mérito, já que a seleção cabo-verdiana estaria no campeonato do mundo mesmo que ele fosse jogado a 32 equipas. Mas o que se seguiu era provavelmente inesperado, com Espanha a não conseguir de forma nenhuma dar a volta à situação, e muito à conta de um herói de 40 anos que até está desempregado, mas que virou sensação no mundo inteiro.
História do dia
Quando começou o jogo com a Espanha, Vozinha não tinha sequer clube. Despediu-se do Desportivo de Chaves na época que terminou e ainda não sabe se vai continuar a jogar, mas quis ir até aos Estados Unidos para viver o sonho conjunto daquele que é o segundo país mais pequeno de sempre a participar num Mundial. Seria até o primeiro, não fosse Curaçau ter conseguido a qualificação.
Não tinha clube e tinha cerca de 50 mil seguidores no Instagram (veja toda a história aqui). Uma conta até interessante para muitos e que em alguns casos já dá para uma parceria lucrativa, mas que de repente se tornou um fenómeno, em grande parte à boleia do Brasil.
Esgotado e ainda emocionado pelo que tinha acontecido em campo, Vozinha foi dar uma entrevista à brasileira Cazé TV, que o questionou sobre quantos seguidores teria então. O guarda-redes respondeu até algo embaraçado que seriam uns 500 mil. Nem lá perto. Uma conta constantemente em atualização que entrou para o novo dia a bater nos cinco milhões de seguidores, numa contabilização que deve continuar a subir.
Para se ter uma ideia, isto é mais do que a esmagadora maioria das personalidades portuguesas. Mais só mesmo Cristiano Ronaldo, claro, ou Dolores Aveiro, além dos vários jogadores da Seleção que são já estrelas planetárias. Se fizermos as contas de outra forma, e tendo em conta que Cabo Verde tem pouco mais de 500 mil habitantes, Vozinha é já 10 vezes maior que o seu próprio país em termos de seguidores.
Europa, que se passa?
São já 10 os jogos de seleções europeias neste Mundial, sendo que apenas três acabaram com vitórias e só num deles a seleção responsável foi um pouco para lá do que se pensaria. Suíça, Turquia, Países Baixos, Espanha, Bélgica e Turquia eram favoritos para os seus jogos, mas nenhum conseguiu ganhar, sendo que os turcos ainda perderam. Salvam-se Escócia e Alemanha, que acabaram por cumprir contra os claramente mais frágeis Haiti e Curaçau, enquanto a Suécia se destacou na goleada à Tunísia por 5-1.
Esta segunda-feira foi a vez de Espanha e Bélgica se juntarem a este mau começo europeu. Já sabemos o que fez Vozinha e todo o mérito deve ser dado a Cabo Verde pela estoicidade que revelou, mas a seleção campeã da Europa tem de ser capaz de mais, mesmo que só tenha tido Lamine Yamal na parte final do Jogo.
Quanto à Bélgica, um empate contra um Egito que é uma boa seleção, sim, mas é teoricamente inferior, pelo menos olhando à valia individual. Os comandados de Rudi Garcia só conseguiram empatar à lei da força de Romelu Lukaku, que levou toda a gente atrás de si para forçar um autogolo da equipa adversária.
Os outros jogos do dia
Se o empate de Cabo Verde com Espanha ameaçava baralhar o Grupo H, uma vitória da Arábia Saudita colocaria a classificação de pernas para o ar. O Uruguai acabou por conseguir evitar a derrota com um golo de Maxi Araújo, mas demonstrou que havia razões para todas as dúvidas em torno de uma seleção que já não tem Luis Suárez ou Edinson Cavani na frente.
Se Cabo Verde e Arábia Saudita chegavam a este grupo para aparentemente participarem e se divertirem, de repente estão conscientes de que uma vitória torna muito provável a qualificação para a próxima fase, nem que seja como um dos melhores terceiros.
Num jogo animado, Irão e Nova Zelândia empataram a dois golos, com vários momentos de registo nas bancadas, incluindo vaias ao hino iraniano e bandeiras do regime monárquico, que antecedeu a República Islâmica. Elijah Just marcou dois golos para a seleção da Oceânia, juntando-se no topo dos melhores marcadores ao lado de Folarin Balogun (Estados Unidos), Yasin Ayari (Suécia) e Kai Havertz (Alemanha).
Tudo igualado então neste grupo, com Bélgica e Egito a assumirem claro favoritismo para passarem à próxima fase. Já o Irão e a Nova Zelândia ficam numa situação complicada, já que tinham nesta primeira jornada a grande oportunidade de pontuarem. Terão agora de ir buscar pontos em jogos teoricamente mais difíceis.
Golo do dia
Golaço de Emam Ashour, atacante do Al Ahly que não tremeu por estar a jogar ao lado de Mohamed Salah e Omar Marmoush e disparou com toda a força para a baliza da Bélgica, tanto que Thibaut Courtois foi incapaz de parar o remate que na altura deixou o Egito em vantagem.
Emam Ashour do meio da rua 🚀
— sport tv (@sporttvportugal) June 15, 2026
Egito na frente! 🇪🇬#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #belgica #egito #betano pic.twitter.com/mHcJ8p1pvA
Frase do dia
"Sonhei toda a minha vida com este momento. Trabalhei toda a minha vida para estar nestes palcos, hoje consegui-o. Ajudei a equipa com a minha experiência e estou muito feliz por isso", afirmou Vozinha após o histórico empate com a Espanha.
Jogador do dia
Ibrahim Maza nasceu em Berlim e foi lá que fez a formação, tendo saltado para posição de destaque na época passada, então na Bundesliga 2. Mas os seus desempenhos em 33 dos 34 jogos da liga chamaram a atenção do Bayer Leverkusen, equipa sempre atenta a estas pérolas mais exóticas e desconhecidas.
Chega ao Mundial como uma das figuras da equipa campeã da Bundesliga há dois anos, tendo realizado 44 jogos na época, incluindo 12 na Liga dos Campeões, competição na qual até veio jogar ao Estádio da Luz, com o Benfica.
"Sou um miúdo multicultural com três nacionalidades diferentes: Alemanha, Argélia e Vietname", lembrou Ibrahim Maza já este ano, ainda antes de escolher o país de origem do pai, que emigrou ainda jovem para a Alemanha à procura de outras oportunidades.
Como vimos com o caso de Ayyoub Bouaddi, esta é uma tendência que vai começando a aparecer, ao contrário do que acontecia há uns anos, em que os jovens com outras origens preferiam optar por seleções europeias. A Argélia não será tão forte como Marrocos, mas é uma seleção para acompanhar com atenção, nem que seja pela alegria e diversão que nos promete.
Camisola do dia
É quase como vestir a bandeira, mas neste caso assenta que nem uma luva. A camisola principal da Noruega é revestida de classe, algo que se espera que possa passar para dentro do relvado, onde estará uma das grandes expectativas deste Mundial.
Músicas do dia
The Blaze - Virile | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Já são uma certeza da cena eletrónica de França e do mundo. Os primos Guillaume e Jonathan Alric aliam a simplicidade do som a uma singularidade especial na produção de videoclips, tendo até uma das músicas vencido um prémio em Cannes.
Lindstrøm - I Feel Space | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Seja a solo ou com Prins Thomas, Lindstrøm é um dos nomes marcantes dos últimos anos da música da Noruega. Oscila entre sons mais dançáveis como este aqui apresentado até álbuns mais conceptuais, passando ainda por projetos como o que tem com a artista Christabelle, em que pede a uma voz feminina que lhe dê algo mais ao som que produz.
Orchestra Baobab - Utrus Horas | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Começaram na década de 1960 como a banda de um bar em Dakar, no Senegal, mas rapidamente se tornaram num ícone da música do país, pedindo à famosa árvore africana o nome emprestado. Com uma grande complexidade de instrumentos, nem a morte do fundador, Balla Sidibé em 2020 diminui a influência do grupo.
Acrassicauda - The Cost of Everything and the Value of Nothing | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Foram buscar o nome a uma das espécies de escorpião mais venenosas do mundo. Um animal que anda pelo Médio Oriente, precisamente onde esta banda do Iraque começou. Tornaram-se conhecidos localmente por tocarem durante o regime repressivo de Saddam Hussein, mas tiveram de sair para Brooklyn, em Nova Iorque, para exprimirem todo o lado de heavy metal que têm, mas que vai buscar sons locais, como se pode ver no início desta música. Um trabalho da revista Vice que explorava o Heavy Metal em Bagdade (nome do trabalho) deu-lhes a projeção que faltava.
Imarhan - Tellalt | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Um quinteto do chamado rock do deserto. É a melhor definição desta banda da Argélia, que trabalha diretamente com editoras alemãs para ter maior projeção. O álbum Essam, que em tuaregue significa "relâmpago", chega mesmo a tempo para celebrar 20 anos de carreira.
dZihan & Kamien - Deep Kitsch | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Um vem da Bósnia e outro da Suíça, mas foi em Viena, capital da Áustria, que Vlado Džihan e Mario Kamien se encontraram para dar uma nova cor ao acid jazz, tornando pianos e instrumentos de sopro ainda mais dançáveis.
Los Fabulosos Cadillacs - Matador | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Esta banda da Argentina vai a quase todo o lado. O estilo principal é o ska, mas os Los Fabulosos Cadillacs também tocam jazz, salsa, tango, reggae e até samba. São uma das bandas mais influentes do país.
El Morabba3 - ليكون | Spotify; Apple Music; Youtube
Traduzindo à letra do árabe, esta música significa "Para ser". E é isso que esta banda da Jordânia procura, tendo já granjeado uma grande popularidade em todo o país, mas também em todo o mundo árabe.
