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A "óra dja txiga" para Cabo Verde. Vozinha salva o tubarão e mostra que não é só Cristiano Ronaldo que consegue enganar o tempo

15 jun, 19:22
Vozinha, o herói de Cabo Verde no jogo com a Espanha (Mike Stewart/AP)
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SUPERCRÓNICA ESPANHA 0-0 CABO VERDE || O segundo país mais pequeno deste Mundial estrou-se com um empate com a Espanha, uma das principais candidatas ao título

“Nos óra dja txiga” e não é que pode muito bem ter mesmo chegado? O nome da morna oficial da seleção de Cabo Verde traduz-se em “a nossa hora chegou” e, face ao colosso espanhol, os estreantes cabo-verdianos resistiram. Um "incrível" 0-0, ouviu-se no relato. 

Os Tubarões Azuis estrearam-se num campeonato do mundo, já a Espanha, campeã da Europa em título, parece que ainda não chegou aos EUA.

"Nos téra, nos povu, 10 ilia na alma, diáspura na korason

Na kanpu, nu djuga ku koráji, stória ki sta déntu nos

Luta, luta, Tubaron

Forsa seleson, nos óra dja txiga!", ouve-se na música de Cabo Verde e que se traduz para:

 

"Nosso povo, nossa terra, 10 ilhas na alma, diáspora no coração

 

No campo, jogamos com coragem, a história que está dentro de nós

Luta, luta, Tubarão

Força e união, o nosso tempo chegou!".

 

Em Atlanta, a armada castelhana dominou quase por completo o jogo, mas longe vão os tempos do tiki-taka rendilhado que o meio-campo blaugrana trazia a cada dois anos para a La Roja. E depois houve um gigante Vozinha na baliza do outro lado.

Um jogo marcado por uma estreia exemplar e pela saudade - tanto típica a Portugal e Cabo Verde -, pela saudade de ver Xavi, Iniesta ou David Silva a tratar a bola como ela mais merece ser tratada.

Vale a pena dizer, ainda assim, que Lamine Yamal jogou apenas meia parte e visivelmente constrangido. Caso consiga encontrar o seu momento para lá da lesão que o atormentou no final da época, o jogador do Barcelona pode fazer toda a diferença entre a banalidade e a genialidade.

O melhor: Vozinha

O jogo foi de sentido único, mas, durante 90 minutos, o futebol rendilhado da La Roja esbarrou em Vozinha. O guarda-redes cabo-verdiano de 40 anos foi o homem do jogo com voos para quase todos os gostos e mantendo aceso o sonho do tubarão azul. E, no fim, Vozinha era o homem mais feliz em Atlanta naquele preciso instante.

A cada Mundial há um guarda-redes que se destaca. Ochoa, do México, é nome certo de espetáculo nas grandes competições. Bono, de Marrocos, também esteve em excelente plano em 2022 - para infortúnio tanto português como espanhol - e agora Vozinha parece estar a preparar-se para ser a revelação entre os postes desta edição. Vozinha aliás que é, neste momento, um jogador sem clube, depois da passagem pelo Desportivo de Chaves ter terminado esta época.

O lance-chave terá de ser inevitavelmente a bola de Ferran Torres à barra, ao minuto 39. Apesar de Cabo Verde ter resistido à armada castelhana, o jogo teria tido um desfecho provavelmente bem diferente se a Espanha tivesse conseguido marcar o primeiro.

O momento: ainda antes do apito

Num jogo sem lances maiores, tirando a bola na barra de Ferran Torres, há um momento maior neste Espanha -  Cabo Verde: o momento, antes do apito inicial, em que pela primeira vez se ouviu o "Cântico da Liberdade" - o hino cabo-verdiano - num Mundial.

O pior: Espanha é mesmo candidata?

O pior do jogo terá de ir para esta estreia da La Roja. Espanha é uma das principais candidatas ao título de campeã do mundo, mas ficou aquém do esperado.

Para além da bola na barra da baliza defendida por Vozinha ao minuto 39, Espanha não teve mais nenhum lance claro de golo.

O tempo dirá o que vai esta seleção espanhola fazer no Mundial 2026, mas, à semelhança de Brasil ou Países Baixos, esta La Roja não mete o mesmo respeito que colocava nos tempos de Xavi e Iniesta. Falta perceber se com Lamine Yamal no topo a sinfonia é tocada de outra forma.

A surpresa: o erro estratégico de De la Fuente

Para espanto de quase todos, Lamine Yamal e Nico Williams - as duas esperanças maiores do futebol espanhol - ficaram sentados no banco ao lado de De la Fuente. Poupança, lesões ou menosprezo pelo potencial de Cabo Verde? Qualquer que seja o caso, sentiu-se a falta dos dois extremos criativos espanhóis.

De la Fuente lá acordou e chamou Yamal a jogo, já se jogava era o minuto 70. A três minutos dos 90’, foi a vez de Williams. Acabou por não ser tempo suficiente travar um tubarão azul cuja “óra dja txiga” ajudou a entrar bem no seu primeiro Mundial.

Com este sofrido ponto e sendo que passam para a fase do mata-mata os oito melhores terceiros lugares, o Tubarão Azul está muito bem encaminhado para passar aos 16avos de final. Com uma vitória frente à Arábia Saudita ou Uruguai, teremos quase certamente Cabo Verde na fase seguinte.

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