O primeiro grande jogo deste Mundial trouxe-nos dois golaços e uma certeza: é mesmo para contar com Marrocos
Brasil-Marrocos era fácil de destacar como o primeiro grande jogo do Mundial. Felizmente não nos desiludiu, ainda que a Canarinha tenha ficado aquém daquilo que se lhe exige, não tendo certamente ajudado que jogadores como Endrick ou Rayan não tenham sequer saído do banco.
Dia cheio de futebol, o primeiro com quatro jogos no espaço de apenas 11 horas, com espaço para uma surpresa logo na primeira partida e uma delícia na abertura do Grupo C.
História do dia
A imagem de capa deste artigo diz tudo: por muito que o Brasil tentasse, o jogador que ameaça ser uma das estrelas deste Mundial não ia deixar. Exibição de sonho de Ayyoub Bouaddi, que só faz 19 anos em outubro, e se estreou na madrugada deste domingo num grande palco internacional.
A CNN Portugal já tinha deixado o cheirinho no dia 3 da Caderneta do Mundial, mas o médio que atua no Lille - e dificilmente ficará lá depois desta prova - também já só é meia surpresa, sobretudo depois do que fez no clube durante a época, mas também em anos anteriores. Anos, sim, já que se estreou em 2023, com apenas 16 anos.
Jogaço do médio que está avaliado em 50 milhões de euros pelo Transfermarkt - o mesmo valor de Victor Froholdt, por exemplo -, e que espalhou classe e domínio no meio-campo. Não é só a dimensão física que empresta, cobrindo grande parte do terreno com a passada larga que empresta, mas é também a calma com bola e a apetência para escolher sempre a melhor opção na hora de soltar a bola.
Se dúvidas existissem sobre o peso que já tem, basta ver como nomes pesados como Achraf Hakimi ou Brahim Díaz o respeitam e confiam nele. Basta também pensar que até Azzedine Ounahi, uma das estrelas do Mundial de 2022, saiu, enquanto Ayyoub Bouaddi fez os 90 minutos.
Favoritos? Candidatos? Ora aí estão
Era o primeiro grande jogo deste Mundial e não desiludiu. Brasil e Marrocos encontraram-se sabendo de antemão que dificilmente não passarão um grupo que ainda tem Escócia e Haiti, mas esta partida, além de ser a estreia, também servia para marcar uma posição à partida.
Por razões diferentes, estamos perante duas seleções que sonham - e têm razões para isso - ir longe neste Mundial. O Brasil é o único pentacampeão mundial e isso chega, faltando saber se o elenco de Carlo Ancelotti chega para dar a alegria que o país tanto procura. Marrocos foi às meias-finais em 2022 - derrotou Portugal para lá chegar - e provavelmente tem uma equipa ainda melhor.
O que este primeiro jogo nos mostrou foi que no Brasil há ainda muitas dúvidas, até porque o estatuto parece estar a pesar. Vinícius Júnior, por exemplo, fez um golaço, mas abdicou de jogar na segunda parte, só que ainda assim completou os 90 minutos, deixando nomes como Endrick ou Rayan no banco.
A partida mostrou-nos também uma equipa de Marrocos já muito bem oleada, a contar com estrelas firmadas como Achraf Hakimi ou Brahim Díaz, mas também com estrelas emergentes como Ayyoub Bouaddi, Bilal El Khannouss ou Ismael Saibari. A título de curiosidade, nenhum destes cinco jogadores nasceram no país que representam, mas antes na Europa, preferindo ainda assim representar os leões do Atlas. Com efeito, do onze que defrontou o Brasil apenas um jogador, mais precisamente Azzedine Ounahi, nasceu em Marrocos, na cidade de Casablanca.
Espera-se mais do Brasil, espera-se precisamente isto de Marrocos, provavelmente uma daquelas seleções que muitos cidadãos não marroquinos vão querer apoiar.
Os outros jogos do dia
Foi com surpresa que Suíça se deixou empatar com o Catar, que à partida para este Mundial parecia ser a equipa mais fraca do Grupo B, que também tem Canadá e Bósnia, e que acaba de ficar totalmente empatado.
Visivelmente superior, a seleção europeia não conseguiu materializar o ascendente enquanto o teve e permitiu aos anfitriões do Mundial de 2022 acreditarem até ao fim, ao ponto de ter aparecido o golo ao cair do pano.
Este empate imprevisível deixa as quatro seleções muito provavelmente a uma vitória do apuramento, mas também no perigo de caírem já.
A Escócia venceu o Haiti por 1-0, mas teve vários calafrios, confirmando um começo difícil para as seleções europeias, que só à quarta tentativa conseguiram a primeira vitória, depois da Chéquia ter perdido e de Bósnia e Suíça terem empatado.
Tendo em conta que Escócia e Haiti têm como adversários Brasil e Marrocos, fica difícil imaginar que possam pontuar mais neste grupo, pelo que os haitianos estão numa situação verdadeiramente complicada, enquanto os escoceses podem tentar agarrar-se à possibilidade de um terceiro lugar suficiente. Isto, claro, se a lógica imperar.
Por falar em problemas para a Europa, a Turquia foi surpreendida pela Austrália. Melhor dizendo, a Austrália apareceu com uma desenvoltura que não se esperaria, baseando o seu jogo em apoios curtos por vezes, mas a contar muito com os dois jogadores mais adiantados, Nestory Irankunda e Mohamed Touré.
Mesmo a jogar com Arda Güler, Orkun Kökcu, Hakan Çalhanoglu e Kerem Aktürkoğlu, tendo ainda feito entrar Kenan Yildiz ao intervalo, a seleção turca perdeu 2-0 contra um adversário que se pensava ser mais fraco.
Tudo em aberto neste Grupo D, que ainda conta com Estados Unidos e Paraguai.
Golo do dia
Que classe, que chapéu, que golo. Ismael Saibari explicou a todo o mundo porque é que o Bayern de Munique anda atrás dele. Finalização de classe que na altura colocou Marrocos na frente do marcador.
Saibari abre o marcador para Marrocos! 🇲🇦#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Brasil #Marrocos #betano pic.twitter.com/ka7tumC1hR
— sport tv (@sporttvportugal) June 13, 2026
Frase do dia
"A equipa vai melhorar no próximo jogo. A equipa teve problemas na primeira parte. Muitas bolas perdidas. Temos de melhorar nesse aspeto. Não podemos perder a confiança. Num primeiro jogo do Mundial, tudo pode acontecer. A equipa não estaria perfeita no primeiro jogo. O resultado não é ruim, mas vamos lutar na segunda parte", afirmou Carlo Ancelotti ainda ao intervalo, mas já dando a entender que a coisa não está no ponto
Jogador do dia
Há um ano estava no Leganés e valia 1,5 milhões de euros. Hoje está no RB Leipzig - mas certamente que não vai continuar lá depois do Mundial - e vale 90 milhões de euros, de acordo com o Transfermarkt.
Yan Diomande valorizou o seu valor em 60 vezes no espaço do ano, muito à custa de uma equipa absolutamente desconcertante que o torna um dos alvos mais apetecíveis do mercado, com nomes como o Liverpool a aparecerem à cabeça para a sua contratação.
Com apenas 19 anos fez 12 golos e nove assistências em 33 jogos na Bundesliga, carimbando uma época de sonho de um menino que há 18 meses estava na DME Sports Academy, na Florida.
A olhar para o Mundial, Yan Diomande é a grande figura de uma entusiasmante seleção da Costa do Marfim, que tem um não menos entusiasmante encontro com o Equador para abrir a fase de grupos.
Com um futebol ziguezagueante, é a figura do dia e um dos jogadores a acompanhar neste Mundial.
Camisola do dia
Foi e é uma das camisolas mais requisitadas do Mundial 2026, chegando mesmo a esgotar em vários tamanhos nos sites que a vendem, obrigando a Adidas a prometer que ia fabricar mais edições.
O equipamento alternativo de Curaçao não é complexo, e talvez seja por isso que corre tão bem. A nação caribenha de apenas 155 mil pessoas é aqui representada num tom pastel e “celebra a capital Willemstad e os edifícios coloridos dos distritos de Punda e Otrobanda” através das riscas rosa, turquesa e laranja que ficam no lugar da marca alemã.
Músicas do dia
Moderat - A New Error | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
A junção de membros de Apparat e Modeselektor rebentou com as pistas da Alemanha logo à primeira. No ativo desde 2003, são claramente nome de referência no que se tornou a noite de Berlim, uma das melhores da Europa e do mundo.
Rudy Plaate - Raspado | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Não há jogadores de Curaçao nascidos na pequena ilha que ainda tem ligação aos Países Baixos, mas Rudy Plaate teve essa sorte, tornando-se rapidamente num dos cantores mais populares logo na década de 1970, até porque as suas letras falam sobre os problemas e os feitos do seu povo. É de tal forma relevante que uma das suas músicas, "Atardi", é o hino não oficial de Curaçao.
Alpha Blondy & The Wailers - Jerusalem | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Leu bem, The Wailers, banda que ficou conhecida pela ligação a Bob Marley, mas que também ajudou Alpha Blondy a atingir a popularidade continental, já depois de o seu reggae ter conquistado a Costa do Marfim. Símbolo da paz, o artista canta em inglês em francês, mas também faz versos em diúla - idioma próprio daquela zona de África -, mas também em árabe e hebraico.
La Máquina Camaleón - Shiva | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Com um som muito próprio, esta banda do Equador vai do rock sinfónico ao rock psicadélico em questão de segundos, atirando sintetizadores para o ar com facilidade, como vemos no início desta música. É um dos projetos mais entusiasmantes da América do Sul.
Golden Earring - Radar Love | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Os velhinhos Golden Earring são contemporâneos dos The Beatles, mas nos Países Baixos foram pioneiros de tudo o que se pode chamar a nova música da altura. A guitarra aqui presente nesta música lançada em 1973 faz até lembrar mais The Doors.
DJ Krush - Final Home | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Hideaki Ishi, mais conhecido por DJ Krush, é um dos grandes pioneiros da música eletrónica no Japão, mas também do hip hop. Ia-se perdendo na juventude quando entrou na Yakuza, mas saiu a tempo, felizmente para todos nós.
Pryda - Layers | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Pryda é o alter ego de Eric Prydz, que também produz músicas em nome próprio e até ficou famoso por fazer parte do trio Swedish House Mafia. Ainda assim, a solo, e especialmente com esta vertente, é um regalo para uma música mais alternativa, ainda que sempre a apontar para a dança.
Gultrah Sound System - Douri | Spotify; Apple Music; Tidal; Youtube
Voltamos ao reggae, ainda que bem mais para a frente. Os Gultrah Sound System, da Tunísia, adicionam apontamentos sintéticos ao som tradicional deste tipo de música, cantando entre o árabe e o inglês.
