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Há um elástico que estica e encolhe e a Argentina faz isso como ninguém para aproveitar o maior trunfo dos Mundiais

22 jun, 20:03
Mundial 2026: Argentina-Áustria (FOTO: EPA/JEFFREY MCWHORTER)
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CRÓNICA ARGENTINA 2-0 ÁUSTRIA || A seleção campeã do mundo não joga por aí além e até dá algum sono aqui e ali, mas é candidata a sério a voltar a vencer e já está na próxima fase

O jogo da Argentina é do mais simples que há. Coloca um jogador no meio do campo e cada um dos outros jogadores tem uma espécie de elástico invisível colado ao tal homem do meio-campo.

Meio-campo é como quem diz todo o campo. Falamos de Lionel Messi, claro, que joga e faz jogar esta seleção à sua medida. É incrível como todos os jogadores, mesmo os que podiam ter complexo de estrela como Lautaro Martínez, Julián Alvarez ou Enzo Fernández, percebem que há uma estrela maior e que a maior hipótese que têm de chegar ao sucesso é exponenciar isso o mais possível.

Com mais um jogo em que esteve longe de ser brilhante, foi dessa mesma forma que a Argentina venceu uma organizada e perigosa Áustria, que nunca deixou de meter em sentido a seleção das Pampas, que até já está na próxima fase do Mundial.

Ainda nos primeiros minutos preparou-se tudo para a história. Penálti evidente para a Argentina que o VAR demorou demasiado tempo a perceber que era mesmo e Lionel Messi pegou na bola para entrar para a história.

O jogador do Inter Miami já sabia que um golo seu em Dallas o colocava no Olimpo e na frente dos melhores marcadores de sempre em Mundiais, ultrapassando o alemão Miroslav Klose. Acabaria por acontecer, mas só depois de um mini golpe de teatro.

Só que Lionel Messi e o destino traíram-nos. Aquele pé esquerdo não podia entrar para a história com um penálti, tinha de ser de outra forma. Talvez tenha sido isso que pensou o número 10, já que a grande penalidade foi mesmo muito mal batida.

O jogo continuou naquela toada morna, mas depois apareceu Lionel Messi outra vez. Jogada rápida com grande intervenção de Thiago Almada na condução e depois a perceber o que já se explicou, que a bola tem de ir parar sempre a um sítio. Simulação espetacular do atacante, com a bola a ficar mesmo a jeito de um daqueles pontapés em estilo raquete que Lionel Messi tanto aplica.

Autêntico dejá vu de Lionel Messi, que marca golos destes uma, outra e outra vez. Vantagem para a Argentina e espaço para maior gestão da partida, ainda que nada tenha mudado muito. Essa é uma vantagem de Lionel Scaloni, que mantém sempre o plano, às vezes até demais.

A segurança não foi tão grande como a vista contra a Argélia, mas apenas porque o jogo não viu o resultado dilatar da mesma forma - contra a seleção africana o 3-0 chegou até relativamente cedo.

De resto, a segurança foi só mesmo no último minuto dos descontos. Agora imagine quem marcou. Lionel Messi, pois... São cinco golos da Argentina em dois jogos, cinco golos de Lionel Messi, que passa a ter 18 tentos em Mundiais.

Ainda assim, impressionante a capacidade defensiva da Argentina, sobretudo se pensarmos que o quarteto defensivo não é nada por aí além, com um central errático como Cristian Romero e um Lisandro Martínez intermitente a nível físico.

A Argentina não é propriamente encantadora e às vezes até dá sono, mas é claramente uma das grandes candidatas a ganhar o título.

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