Há coisas que não mudam mesmo: Lionel Messi chegou agora ao Mundial e já é a figura maior

17 jun, 04:01
Argentina-Argélia (FOTO: Ed Zurga/AP)
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CRÓNICA ARGENTINA 3-0 ARGÉLIA || Estreia assombrosa do astro argentino, que não parece, nem ele nem os seus colegas, ter a mínima vontade de abdicar do título conquistado há quatro anos. A Argentina é mesmo candidata

É uma alegria para qualquer pessoa que goste de futebol e tenha andado mais afastada de Lionel Messi ver o craque argentino em campo. “Que jogador é este?”, perguntaram os mais desatentos que não percebem porque é que não está todas as terças e quartas-feiras na Champions. Não só porque se percebe que a qualidade ainda está toda lá, mas porque se vê a olho nu que também a alegria de representar a seleção ainda é algo que move um dos melhores jogadores da história.

Quando entrou em campo no Argentina-Argélia quando em Portugal já era madrugada, Lionel Messi fez história ao confirmar a sua presença em seis campeonatos do mundo, algo que Cristiano Ronaldo também vai atingir mais logo, esperemos que com o mesmo brilhantismo.

A seleção de Lionel Scaloni continua claramente a rodar em torno do agora jogador do Inter Miami, que joga e faz jogar tudo à sua volta, por vezes até parado, quase como se fosse alguém que só lá está para permitir que os colegas se divirtam. Já agora, que também nós nos possamos divertir, o que aconteceu.

Numa partida em que a Argélia cumpriu o prometido pelo seu selecionador na conferência de imprensa, a Argentina soube lidar com o facto de não poder controlar tanto o jogo com bola, algo que gosta de fazer. Nada de problemático, como se percebeu, porque a seleção africana nunca conseguiu realmente levar o jogo para uma dimensão de susto aos campeões do mundo em título. A exceção encontra-se nos primeiros 10 minutos de jogo, mas o remate de Fares Chaibi que ainda foi inicialmente validado como golo acabou por ser anulado pelo VAR.

A partir daí a Argentina conseguiu ganhar ascendente, num jogo que lhe foi sempre servindo, já que a equipa poucas vezes foi apanhada fora de posição, mas conseguiu sair várias vezes com espaço para o ataque.

O rasgo maior, esse, foi sempre dado por Lionel Messi, um autêntico vagabundo a aproveitar as boas movimentações de Lautaro Martínez, e que descobriu espaço nas entrelinhas para fazer o primeiro da partida. Foi ao minuto 17, num bom passe de Rodrigo de Paul que encontrou o astro argentino numa das suas posições favoritas. A partir daí foi olhar para a baliza e rematar, ficando a sensação de que o guarda-redes da Argélia, Luca Zidane - não, o nome não é coincidência - podia ter feito algo mais.

Com Zinedine Zidane a assistir na bancada a uma partida menos feliz do filho, o 10 de Lionel Messi entrava em grande no Mundial 2026, dando tranquilidade para que a Argentina pudesse ter uma estreia diferente da de há quatro anos, embora também nesse jogo com a Arábia Saudita tivesse começado a ganhar.

Se nos recordarmos do que foi a evolução da Argentina que perdeu com a Arábia Saudita em 2022 até à final vencida nos penáltis contra a França seis jogos depois, percebemos que a seleção das Pampas entra aqui num patamar diferente.

Do 11 que iniciou a caminhada no Catar sobram cinco jogadores: além de Lionel Messi, claro, também estão Emiliano Martínez, Cristián Romero, Rodrigo de Paul e Lautaro Martínez. Do onze que carimbou esse título para a partida de Kansas City sobram os primeiros quatro e repetem-se Alexis Mac Allister e Enzo Fernández. Estes dois últimos não são repetições ao acaso, mas antes o equilíbrio essencial para que lá na frente brilhem as estrelas. Para que brilhe a maior de todas, de quem ainda vamos falar outra vez, mas também Lautaro Martínez ou Julián Álvarez, este último entrado para o lugar do primeiro contra a Argélia. Por falar em entradas, vejam só esta substituição: sai o homem, o tal, Lionel Messi, e entra Nico Paz. Nada mal.

Voltando a antes disso, temos mais Lionel Messi para distribuir. Por aqui, por ali, por onde quiserem.

Se mais provas fossem precisas para confirmarmos que está em todo o lado, foi ele a aparecer no coração da área para emendar um remate de Alexis Mac Allister que o guarda-redes da Argélia defendeu para a frente. Poderá até dizer-se que Luca Zidane podia ter feito algo mais novamente, mas se calhar devemos todos aceitar que a bola gosta mais de Lionel Messi do que qualquer outro jogador. A julgar pela forma como ele a trata, faz todo o sentido.

E se os dois golos já colocavam Lionel Messi no topo dos melhores marcadores ao lado de outros jogadores que também bisaram nesta primeira jornada, o astro quis mostrar algo mais. Tinha, afinal, guardado o melhor para o fim, já que o 3-0 da Argentina e o seu 3-0 pessoal, um hat-trick, pois claro, é o melhor golo da noite - do dia, arriscamos -, que coroou uma exibição de gala e mostrou que esta Argentina está na América para morder o título que conquistou e dificilmente o largar.

Nota ainda só para dizer que este mesmo Lionel Messi igualou Miroslav Klose na lista de jogadores com mais golos em campeonatos do mundo, com 16. Um recorde que deverá cair ainda na América e para o lado já sabemos de quem.

O último a fazer um hat-trick na jornada inaugural de um Mundial foi, imagine-se, Cristiano Ronaldo, com a fantástica exibição de abertura na competição organizada pela Rússia em 2018, em que marcou três golos à Espanha. Oxalá este fique “picado” com a entrada de Lionel Messi e vá pelo mesmo caminho.

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