Escândalo Mundial: Alemanha sem capacete choca com estrondo contra muro de dois metros

30 jun, 00:34
O guarda-redes do Paraguai, Orlando Gill, reage após defender um penálti durante o jogo das oitavas de final do Campeonato do Mundo de futebol entre a Alemanha e o Paraguai, em Foxborough, Massachusetts, perto de Boston, na segunda-feira, 29 de junho de 2026. (AP Photo/Charles Krupa)
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CRÓNICA ALEMANHA 1-1 PARAGUAI || Está encontrada a primeira grande surpresa deste Mundial

Vamos já colocar as coisas totalmente corretas: a parede não tinha 2 metros, mas sim 1,99 metros. Uma parede humana que viveu o melhor dia da sua carreira, proporcionando em simultâneo o melhor dia da sua nação, o Paraguai, e uma das maiores humilhações da poderosa Alemanha.

Falamos em primeiro lugar de Orlando Gill, esse agora ilustre desconhecido que parou os penáltis de Kai Havertz e Nick Woltemade primeiro, estendendo de bandeja o resto do trabalho aos seus colegas, mesmo que eles não tenham aceitado a coisa facilmente.

Que momento do guarda-redes do San Lorenzo, que fez 120 minutos competentes e se tornou transcendente já na hora das decisões a partir dos 11 metros. Ele e Manuel Neuer, diga-se, já que o guarda-redes alemão também defendeu uma bola e adivinhou o lado de outra - parecia até na calha para defender se o remate não fosse para fora.

O problema é que Orlando Gill teve uma terceira a que Manuel Neuer já não chegou. Ele também não chegou, mas estava lá, em cima da linha, e isso por si só pareceu fazer tremer os alemães.

O Paraguai até podia ter acabado com tudo logo nos primeiros cinco pontapés, mas Antonio Sanabria e Fabián Balbuena falharam duas de seguida, dando total marcha-atrás no trabalho do seu guarda-redes.

Só que depois veio Jonathan Tah a desmerecer também o sonho mantido vivo por Manuel Neuer. O central atirou muito mal, ou então ficou atemorizado pela parede na sua frente, não acertando sequer na baliza do gigante, que até se atirou para o outro lado.

Seguiu-se José Canale, um dos melhores da noite, a carimbar a passagem do Paraguai e a confirmar o primeiro grande escândalo deste Mundial 2026. A Alemanha está fora já nos 16 avos de final, numa partida em que foi capaz de muito pouco para lá de atirar bolas para a área e esperar que elas descobrissem a cabeça de um dos seus jogadores.

O jogo até aqui

Numa partida quase sempre igual durante 120 minutos, a Alemanha tentou e tentou, mas não conseguiu e não conseguiu mesmo. O Paraguai atreveu-se a pouco mais do que a defender bem, aproveitando uma grande jogada pela direita para, já no fim da primeira parte, fazer o golo que provocava meio escândalo.

Julio Enciso, provavelmente o mais talentoso desta geração paraguaia, apareceu no meio da área cheio de estilo para cabecear. Confirmavam-se as debilidades defensivas de uma Alemanha feita e pensada para atacar.

O problema? É que esta Alemanha não fez nem pensou em atacar. Pelo menos não da forma correta. O erro de Julian Nagelsmann começa logo no onze. Toda a gente pedia Deniz Undav e isso era percetível, mas colocá-lo para tirar Jamal Musiala, sobretudo num jogo que pedia criatividade, não fez muito sentido.

Talvez devesse ser Kai Havertz o sacrificado - podemos ser desmentidos pelo facto de ter sido ele a marcar o golo do empate -, ou talvez Julian Nagelsmann tivesse de ser mais teimoso e manter o plano inicial. Atiramos ainda um terceiro talvez: talvez fosse Leroy Sané a sair, ele que esteve completamente fora de jogo quase toda a competição, para que as outras peças se encaixassem de alguma forma.

Com Deniz Undav em campo, Julian Nagelsmann perdeu também a capacidade de carregar a área quando precisou disso, e nem mesmo a entrada de Nick Woltemade resolveu, antes pelo contrário, já que o ponta de lança do Newcastle, o mesmo que marcou um dos penáltis mais icónicos da época, falhou redondamente a sua oportunidade na marca dos 11 metros.

A Alemanha limitou-se a um jogo de cruzamentos durante quase todo o jogo e nem mesmo as alterações que foram sendo feitas ajudaram a mudar o rumo. O Paraguai, esse, agarrou-se à crença de que era possível e ao passar do relógio. Talvez por incapacidade do adversário, acaba por merecer estar nos oitavos de final.

Ainda antes de o ser fisicamente na pessoa de Orlando Gill, a parede do Paraguai foi, sobretudo, invisível, mas claramente identificável. Contra uma Alemanha a querer furar essa parede sem capacete acabou a ser morte certa. Foi o final esperado para uma seleção que nunca demonstrou poder ser muito mais. Goleou Curaçau, é certo, mas impunha-se. Nos outros jogos foi pior que Costa do Marfim e Equador. E se desta vez não foi pior, também não foi o que devia ter sido.

O Paraguai volta a ser grande num Mundial, prova a que não chegava desde 2010. Curiosamente, essa última participação foi também a sua melhor, tendo chegado até aos quartos de final. Veremos o que acontece agora, com a seleção sul-americana à espera de França ou Suécia.

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