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É como se Guimarães ou Odivelas fossem ao Mundial assustar um tetracampeão. No fim prevaleceu um ditado

14 jun, 20:00
Alemanha-Curaçao, duelo do Mundial 2026 (Foto: Karen Warren/AP)
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CRÓNICA ALEMANHA 7-1 CURAÇAU || Uma seleção que vem de uma pequena ilha com menos de 160 mil habitantes veio fazer uma coisa e conseguiu-a: divertir-se e divertir-nos

No futebol diz-se que são 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha. A tradição cumpriu-se na estreia da Manschaft neste Mundial 2026, mas a primeira impressão assustou até o alemão mais confiante, deixando algumas dúvidas em relação ao que pode ser a caminhada do tetracampeão mundial.

Depois de uma entrada forte que deu a liderança à Alemanha sobre o muito frágil Curaçau, a equipa caribenha mostrou que está neste Mundial para se divertir.

É a estreia da pequena ilha que não chega aos 160 mil habitantes - sensivelmente a população de concelhos como Guimarães ou Odivelas - nestas andanças, pelo que o melhor é mesmo aproveitar, até porque não se sabe quando vai voltar a acontecer.

Com apenas um jogador nascido no seu território, Curaçau apresentou um onze que há uns anos poderia ser interessante em videojogos. Tahith Chong, Jurgen Locadia, Leandro Bacuna, Riechedly Bazoer ou Armando Obispo fizeram parte da equipa inicial. Cada um à sua maneira, chegaram a prometer grandes coisas. O primeiro era estrela da formação do Manchester United e até tem 16 jogos pelos Red Devils. Outros três foram estrelas, pelo menos a dada altura, na Eredivisie - Armando Obispo ainda o é, à sua maneira, no PSV Eindhoven, e é preciso não esquecer que Riechely Bazoer passou pelo FC Porto, onde fez três jogos pela equipa principal. Já Leandro Bacuna chegou a ser figura do Aston Villa.

Ânimo, portanto, mesmo depois de sofrer o primeiro golo, marcado cedo num grande remate de Felix Nmecha. E se Curaçau não se encolheu, deu até para empatar aos 21 minutos por Livano Comenencia.

Durou pouco o sonho, mais precisamente 17 minutos, por Nico Schlotterbeck restabeleceu a vantagem para a Alemanha aos 38 minutos, na golpada que parece ter sido decisiva nas dúvidas do jogo.

É que a partir daí não mais conseguiu esboçar a reação que até então parecia pelo menos ter vontade de mostrar. Talvez tenham faltado pernas aos jogadores de Curaçau, que se percebe que, sem grande surpresa, não estão ao nível da Alemanha.

O 3-1 de penálti ainda na primeira parte colocou uma pedra final sobre o assunto, com a segunda parte a desenrolar-se no sentido que era mais previsível, o de uma goleada.

Já na segunda parte sucederam-se os golos, com Kai Havertz a marcar o segundo golo - tinha sido dele o 3-1 -, aparecendo ainda nomes como Jamal Musiala, Nathaniel Brown e Deniz Undav na lista de marcadores da primeira grande goleada do Mundial.

O resultado final ficou em 7-1 para a Alemanha, curiosamente contra uma equipa que vestiu de amarelo e azul - trocaram só a cor da camisola com a dos calções -, tal como aconteceu no Mineirazo de 2014, então nas meias-finais do Mundial do Brasil.

A Alemanha acaba por cumprir o exigido e vence uma das seleções mais fracas deste Mundial, mas algumas descompensações defensivas fazem pensar o que pode acontecer contra adversários mais fortes, nomeadamente a Costa do Marfim, que também está neste grupo, tal como o Equador.

Quanto a Curaçau, espetacular pelo golo marcado, pela festa nas bancadas e pela alegria que tentou sempre imprimir à partida. Divirtam-se, é a mensagem, e esta seleção conseguiu fazê-lo em dose dupla: divertiram-se a eles e a nós.

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