Mundial 2022: Croácia-Bélgica, 0-0 (crónica)

1 dez 2022, 17:38

Que diabo, Lukaku!

No duelo entre Croácia e Bélgica, respetivamente segunda e terceira melhores equipas do Mundial anterior, era à segunda equipa que mais competia fazer pela vida, mas foi a seleção dos Balcãs quem quis durante mais tempo e a seguir para os oitavos de final da competição.

Desde logo porque entrou no jogo com uma ocasião de golo (remate ao lado de Perisic) logo na primeira jogada do encontro. Os minutos iniciais foram dos croatas, mais rápidos no pensamento e na execução diante de uma equipa que se apresentou para este jogo com o onze inicial com a média de idades mais elevada deste Mundial até agora: 31,3 anos.

Aos belgas ia valendo o génio de Kevin de Bruyne para quebrar o ritmo melancólico que, por ter sido constante em 270 minutos de prova, torna evidente o canto do cisne de uma das mais brilhantes gerações da década.

Duas transições dos diabos quase consecutivas – uma aos 12m concluída por Carrasco e outra aos 14m conduzida por De Bruyne, que serviu Mertens para uma grande ocasião desperdiçada – aliada à vantagem de Marrocos sobre o Canadá no outro jogo do grupo obrigaram a Croácia a adotar um pragmatismo que, na medida do possível, foi tentando conciliar com a verticalidade.

Aos 15 minutos, Luka Modric ainda foi para a marca dos 11 metros após penálti cometido por Carrasco sobre Kramaric, mas o árbitro, depois de visionar as imagens, reverteu a decisão devido a fora de jogo posicional de Lovren.

A Bélgica ganhou uma segunda vida, mas só fez por merecê-la já bem tarde no jogo. Já lá iremos.

Ao intervalo, Romelu Lukaku, suplente em todos os jogos deste Mundial, foi a jogo e a seleção de Roberto Martínez moldou-se à forma dele. De Bruyne, por exemplo, começou a aparecer pelos flancos para o servir e não faltaram oportunidades ao avançado de 30 anos: aos 49 minutos cabeceou fraco para defesa de Livakovic e aos 60m acertou no poste esquerdo.

Na Croácia, a omnipresença de Modric, por vezes bem acompanhado por Kovacic, mantinha o conjunto dos Balcãs também perto do golo. Pelos equilíbrios, pela capacidade para construir sempre com critério e pela forma como também ele fazia a diferença à entrada para o último terço.

Só tardiamente, repetimos, a Bélgica fez verdadeiramente pela vida. Os últimos dez minutos terão sido os melhores dos diabos vermelhos neste Mundial, o que diz muito sobre o que a segunda seleção no ranking da FIFA foi ao longo da competição.

Aos 87 minutos, Lukaku desperdiçou o golo que daria aos belgas o apuramento e que enviaria os croatas para casa. Na primeira - que diabo! - falhou por pouco num desvio na pequena-área; na segunda, mais fácil ainda, amorteceu com o peito para o lado sem ninguém entre ele e a linha da felicidade que, na verdade, a Bélgica fez pouco por merecer ultrapassar.

A Croácia sofreu como nunca nos três jogos anteriores. Teve de recuar linhas, conviveu mal com isso, mas sobreviveu à custa de muito esforço – Gvardiol notável – e sorte que, no fundo, até mereceu ter pela simples razão de que, mesmo sem precisar de querer tanto como o adversário, condenado a ganhar para não depender de terceiros, quis quase sempre mais do que ele.

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