A Argentina na casa assombrada: viagem aos onze (mais um) maiores escândalos em Mundiais

23 nov, 09:19
Argentina (AP)

O Maisfutebol viaja aos resultados mais surpreendentes da história dos Campeonatos do Mundo, numa lista em que Portugal também tem o direito de figurar. Tudo isto a propósito da vitória da Arábia Saudita, nesta terça-feira, sobre Messi e companhia, claro.

O que a Arábia Saudita conseguiu esta terça-feira confere-lhe o direito de entrar para a notável galeria das maiores surpresas na história dos Campeonatos do Mundo. Ao lado de seleções como a Argélia, a Bulgária, a Alemanha e até mesmo Portugal. Sim, já por lá passámos.

Não foi só vencer a Argentina, de resto: foi vencer esta Argentina. Uma seleção num estado de euforia enorme.

Se não, veja-se. Antes de mais, é o último Mundial de Lionel Messi, o que só por si já é especial. Também é o Mundial em que a seleção albiceleste se apresentava sem perder há 36 jogos, e pronta a igualar o recorde absoluta da Itália. Por fim, a primeira parte foi de sentido único.

Ora por isso, ninguém esperava que a Arábia Saudita, cheia de jogadores desconhecidos, que jogam todos no campeonato local, pudesse ser um adversário à altura da valorizada seleção de Scaloni. Muito menos, provavelmente, os adeptos argentinos, que há meses andam em euforia.

Mas os sauditas trocaram as voltas ao mundo, e em cinco minutos contruíram a vitória.

O mundo abriu a boca de espanto. Escândalo», «choque», «batacazo», titularam as manchetes um pouco por todo o mundo. Messi caiu do alto do pedestal, numa das derrotas mais dolorosas da carreira.

O que nos fez viajar pelos onze (mais um) maiores escândalos em Mundiais.

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Coreia do Sul-Alemanha, 2-0

Fase de grupos, Mundial 2018

A Alemanha dependia dela própria para ultrapassar a fase de grupos: tinha de vencer a Coreia (ou empatar caso a Suécia não vencesse o México). Nesse dia, porém, tudo correu mal. A seleção de Neuer, Kroos, Khedira, Ozil e Reus goleou em posse de bola, mas não marcou. Já nos descontos, ao quarto e ao sexto minuto de compensação, Gwon e Son criaram o escândalo: pela primeira vez na história, a Alemanha (campeã do mundo em título) caía na fase de grupos.

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Brasil-Alemanha, 1-7

Meias-finais do Mundial 2014

Provavelmente o escândalo dos escândalos. Aconteceu no Mineirão e ficou conhecido como Mineirazo. Orientado pelo campeão do mundo Scolari, que deixou Neymar de fora dos convocados, o Brasil jogava em casa e alimentava o sonho do hexa, quando foi atropelado pela Alemanha. Muller, Klose, Kroos (bis), Khedira e Schurrle (bis) fizeram os golos que deixaram a nação em choque. No dia a seguir os jornais encheram-se de gente a chorar.

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Espanha-Países Baixos, 1-5

Fase de grupos do Mundial 2014

Era o primeiro jogo da Espanha no Mundial 2014, ela que se apresentava como campeã do mundo (e bicampeã da Europa) em título. Curiosamente numa reedição da final do último Mundial (em 2010). A Espanha tinha ganhado as últimas três grandes provas, portanto, era a favorita ao título e até entrou bem, a marcar por Xabi Alonso. Depois Van Persie fez um dos melhores golos da história e em meia hora a seleção de Van Gaal construiu uma goleada humilhante. Xavi, Iniesta, David Silva e companhia não recuperaram da vergonha.

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Argentina-Alemanha, 0-4

Quartos de final, Mundial 2010

Em 2010 a Argentina entrava no Mundial como favorita. Orientada por Maradona, tinha uma equipa de luxo, com Messi, Tevez, Aguero, Higuaín, Di Maria, Mascherano, Palermo, Verón, enfim. Até então tinha vencido todos os jogos na África do Sul, mas naquele sábado mergulhou num pesadelo que lhe custou a eliminação. A Alemanha, essa, venceu com golos de Muller, Friedrich e Klose (bis). Pelo caminho ainda apresentou ao mundo talentos como Ozil e Khedira.

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França-Senegal, 0-1

Fase de grupos, Mundial 2002

O jogo de abertura em 2002 apresentava a França, campeã mundial e europeia em título, frente um Senegal que fazia a estreia em Mundiais. Sem a estrela Zidane, que estava lesionada e faria apenas um jogo, a França acabou por perder: um golo de Papa Bouba Diop fez o resultado. A constelação de estrelas francesa tinha Henry, Trezeguet, Djorkaeff, Vieira, Thuram, Desailly ou Dugarry não recuperou daquele choque e acabou eliminada na primeira fase.

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Bulgária-Alemanha, 2-1

Quartos de final, Mundial 94

A Alemanha era campeã mundial em título, antes disso tinha sido finalista vencida e dois anos antes estivera também na final do Euro 92. Por isso, era claramente favorita nos Estados Unidos, quando caiu com estrondo nos quartos de final. A Bulgária, de Stoichkov, Balakov e Kostadinov, já tinha afastado a França do Mundial, ainda em Paris, naquele dia até esteve a perder quando Matthaus abriu o marcador, mas um golo de Stoichkov e outro de Letchkov no quarto de hora final viraram o jogo e criaram o escândalo. A desconsiderada Bulgária seguia para as meias-finais.

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Argentina-Camarões, 0-1

Fase de grupos, Mundial 90

Os Camarões já não eram nenhuns desconhecidos desde que tinham deixado o Mundial 82, em Espanha, sem perder nenhum jogo. Em 1990, porém, ainda não ameaçavam ninguém, até que no jogo de abertura da competição venceram o campeão em título: a Argentina de Maradona. Um golo de Omam-Biyik fez o resultado e deu início a um Mundial de sonho da seleção do mítico Roger Milla, que só acabou nos quartos de final. Já a Argentina, de Maradona, Burruchaga e Caniggia, recuperou do choque e foi até à final, que perdeu com a Alemanha.

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Alemanha-Argélia, 1-2

Fase de grupos, Mundial 82

A Argélia fazia o primeiro jogo num Mundial, na estreia na competição, perante a poderosa Alemanha de Schumacher, Rummenigge, Stielike, Littbarski, Paul Breitner e Felix Magath. Em Gijón, Rabah Madjer deu-se a conhecer ao mundo e inaugurou o marcador, Rummenigge ainda empatou, mas Belloumi finalizou o escândalo. Apesar desta derrota humilhante, a Alemanha ainda haveria de recuperar e chegar à final, que perdeu frente à surpreendente Itália.

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Alemanha Oriental-Alemanha Ocidental, 1-0

Fase de grupos, Mundial 74

A maior vitória da história da Alemanha Oriental: na única vez que os dois países se defrontaram, um golo de Sparwasser fez história. Curiosamente, a Alemanha Ocidental jogava em casa e haveria de se tornar campeã do mundo. Naquele dia, porém, Beckenbauer, Muller, Sepp Maier, Berti Vogts e Paul Breitner acabaram humilhados. Já Sparwasser foi transformado em garoto propaganda dos ideais comunistas, até desertar para o outro lado da fronteira.

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Portugal-Brasil, 3-1

Fase de grupos, Mundial 66

O grande Brasil de Pelé, Garrincha, Jairzinho, Tostão e Djalma Santos apresentava-se no Mundial de 66 como grande favorito. Afinal de contas tinha vencido os últimos dois Mundiais, em 1958 e em 1962. Em Inglaterra, porém, não passou da primeira fase. No último e decisivo jogo, a precisar de ganhar, foi derrotado por um estreante Portugal, que marcou duas vezes por Eusébio e uma por Simões, apurando-se no primeiro lugar. Tudo isto numa tarde em que Pelé acabou por sair lesionado, depois de uma marcação impiedosa de António Morais.

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Brasil-Uruguai, 1-2

Final do Mundial 50

Seguramente o jogo mais famoso da história dos Mundiais: sobre ele já se disse, já se escreveu e até já se cantou tudo. O Maracanã com mais de 200 mil adeptos, a vitória anunciada do Brasil e no fim... o Maracanazo. Numa altura em que o Mundial se disputava em duas fases de grupos, a seleção canarinha só precisava de empatar. Até marcou primeiro, mas Schiaffino empatou e Ghiggia, a onze minutos do fim, entrou para a história e condenou Barbosa a uma pena eterna. «A nossa Hiroshima», escreveu Nélson Rodrigues.

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MAIS UM

Itália-Brasil, 3-2

Segunda fase de grupos, Mundial 82

Este não é propriamente um escândalo na verdadeira aceção da palavra, afinal de contas foi uma vitória pela margem mínima entre duas seleções que já tinham sido campeãs do mundo. Mas foi um escândalo pelo que significou. Chamaram-lhe «A tragédia de Sarriá». Basicamente o grande Brasil de Sócrates, Zico, Falcão e Júnior, a equipa que se diz que jogava o melhor futebol já visto num relvado, foi eliminada por uma Itália sem graça, que encontrou no quase proscrito Paolo Rossi o novo herói. Nesse jogo fez os três golos italianos e, dizem, matou para sempre o futebol espetáculo.

 

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