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Irão nos EUA: este é o primeiro Mundial em que um anfitrião recebe um país com o qual está em guerra ativa. Não está a começar bem

CNN , Billy Stockwell e Aida Karimi
10 jun, 19:00
Os membros da seleção nacional iraniana de futebol chegam ao Aeroporto Internacional de Tijuana, no México, no domingo, para o mundial de futebol. Mario Tama/Getty Images
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Seleção iraniana aterrou no México e vai jogar em três cidades americanas

Teerão critica "obstáculos" dos EUA à seleção iraniana de futebol

A seleção de futebol do Irão aterrou na cidade de Tijuana, no noroeste do México, no último domingo — a poucos passos da fronteira com os Estados Unidos —, enquanto Teerão criticava Washington pelas restrições de vistos antes do Campeonato do Mundo que arranca dentro de dias.

O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, afirmou no domingo que a seleção iraniana de futebol recebeu autorização para entrar nos EUA para o torneio, mas “apenas um dia antes do jogo”, segundo o comunicação social semi-oficial iraniana, o que gerou acusações de tratamento injusto.

“Não sabemos até onde o obstrucionismo dos americanos irá continuar”, disse Taj, segundo a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos (ISNA). "O que os Estados Unidos estão a fazer reflete malícia e uma falta de igualdade entre as equipas."

Um responsável da administração norte-americana disse à CNN que os vistos necessários para o Irão competir no Mundial, incluindo os dos atletas e da equipa de apoio necessária, já foram emitidos. As duas nações continuam em guerra, sem nenhum sinal de um avanço imediato nas negociações de paz.

"Não permitiremos que a equipa iraniana abuse deste sistema para introduzir terroristas nos Estados Unidos sob falsos pretextos", afirmou o responsável.

O futebol é mais do que apenas o desporto mais popular do Irão. O apoio público à seleção nacional ultrapassa as divisões sociais, regionais e políticas, tornando-a uma força unificadora para milhões de iranianos.

Consequentemente, a qualificação para o Mundial tem sido, há muito, motivo de orgulho nacional. Mas a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, a par da recente agitação económica e política no país, transformou o campo de futebol num palco para o "soft power", desviando a atenção do próprio jogo.

O Irão deverá defrontar a Nova Zelândia em Los Angeles a 15 de junho, a Bélgica em Los Angeles a 21 de junho e o Egito em Seattle a 26 de junho, de acordo com a FIFA, o órgão regulador que organiza o Mundial. Espera-se que esses jogos sejam transmitidos em cinemas por todo o Irão, sujeito às "aprovações necessárias", afirmou no domingo a organização de comunicação social estatal iraniana IRIB.

Este é o primeiro Mundial de futebol desde a criação do torneio em 1930 em que um país anfitrião está prestes a receber um país com o qual está em guerra ativa, segundo a Reuters.

Ida e volta ao México

No domingo, a equipa aterrou em Tijuana, no México – do outro lado da fronteira com San Diego, na Califórnia –, segundo noticiaram vários meios de comunicação iranianos. No mês passado, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que a seleção iraniana ficaria no México entre os jogos.

Um porta-voz da federação iraniana de futebol disse este fim de semana que a equipa viajaria para os EUA com um visto de entradas múltiplas, entrando um dia antes do primeiro jogo e dois dias antes de cada um dos dois jogos seguintes, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.

Taj considerou "verdadeiramente estranho" que Washington estivesse a interferir na administração do evento desportivo, acrescentando que a federação iraniana de futebol apresentaria um protesto à FIFA. A CNN contactou o órgão regulador para obter comentários.

O presidente da federação também especulou que os EUA poderiam tentar interferir na entrada da equipa no país, ao mesmo tempo que parecia associar a tomada de decisões de Washington à guerra em curso.

"Não sabemos que tipo de problemas poderão criar no aeroporto. Foram derrotados em algumas áreas pela resistência do povo e estão agora a tentar compensar essas derrotas e descarregar as suas frustrações no campo de futebol", citou a ISNA, referindo-se às palavras de Taj.

Entretanto, Amir Ghalenoei, o treinador principal da equipa, acrescentou que a alguns membros da direção, pessoal dos meios de comunicação social e um diretor executivo ainda não foi concedida autorização para assistir ao torneio.

"Pergunto-vos: que tipo de tratamento é este? Espero que esta situação seja corrigida e que tal comportamento não se repita no futuro", afirmou Ghalenoei no domingo, segundo a Tasnim.

Juntando-se ao coro de críticas, a Embaixada do Irão em Ancara afirmou num comunicado que os EUA estavam a "privar a seleção nacional do Irão do seu direito de participar no Mundial em condições normais e sem pressão e stress desnecessários".

"Esta é a pior forma possível de interferência política no desporto", afirmou a embaixada.

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