Seleção iraniana aterrou no México e vai jogar em três cidades americanas
Teerão critica "obstáculos" dos EUA à seleção iraniana de futebol
A seleção de futebol do Irão aterrou na cidade de Tijuana, no noroeste do México, no último domingo — a poucos passos da fronteira com os Estados Unidos —, enquanto Teerão criticava Washington pelas restrições de vistos antes do Campeonato do Mundo que arranca dentro de dias.
O presidente da federação iraniana de futebol, Mehdi Taj, afirmou no domingo que a seleção iraniana de futebol recebeu autorização para entrar nos EUA para o torneio, mas “apenas um dia antes do jogo”, segundo o comunicação social semi-oficial iraniana, o que gerou acusações de tratamento injusto.
“Não sabemos até onde o obstrucionismo dos americanos irá continuar”, disse Taj, segundo a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos (ISNA). "O que os Estados Unidos estão a fazer reflete malícia e uma falta de igualdade entre as equipas."
Um responsável da administração norte-americana disse à CNN que os vistos necessários para o Irão competir no Mundial, incluindo os dos atletas e da equipa de apoio necessária, já foram emitidos. As duas nações continuam em guerra, sem nenhum sinal de um avanço imediato nas negociações de paz.
"Não permitiremos que a equipa iraniana abuse deste sistema para introduzir terroristas nos Estados Unidos sob falsos pretextos", afirmou o responsável.
O futebol é mais do que apenas o desporto mais popular do Irão. O apoio público à seleção nacional ultrapassa as divisões sociais, regionais e políticas, tornando-a uma força unificadora para milhões de iranianos.
Consequentemente, a qualificação para o Mundial tem sido, há muito, motivo de orgulho nacional. Mas a guerra dos EUA e de Israel contra o Irão, a par da recente agitação económica e política no país, transformou o campo de futebol num palco para o "soft power", desviando a atenção do próprio jogo.
O Irão deverá defrontar a Nova Zelândia em Los Angeles a 15 de junho, a Bélgica em Los Angeles a 21 de junho e o Egito em Seattle a 26 de junho, de acordo com a FIFA, o órgão regulador que organiza o Mundial. Espera-se que esses jogos sejam transmitidos em cinemas por todo o Irão, sujeito às "aprovações necessárias", afirmou no domingo a organização de comunicação social estatal iraniana IRIB.
Este é o primeiro Mundial de futebol desde a criação do torneio em 1930 em que um país anfitrião está prestes a receber um país com o qual está em guerra ativa, segundo a Reuters.
Ida e volta ao México
No domingo, a equipa aterrou em Tijuana, no México – do outro lado da fronteira com San Diego, na Califórnia –, segundo noticiaram vários meios de comunicação iranianos. No mês passado, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que a seleção iraniana ficaria no México entre os jogos.
Um porta-voz da federação iraniana de futebol disse este fim de semana que a equipa viajaria para os EUA com um visto de entradas múltiplas, entrando um dia antes do primeiro jogo e dois dias antes de cada um dos dois jogos seguintes, informou a agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
Taj considerou "verdadeiramente estranho" que Washington estivesse a interferir na administração do evento desportivo, acrescentando que a federação iraniana de futebol apresentaria um protesto à FIFA. A CNN contactou o órgão regulador para obter comentários.
O presidente da federação também especulou que os EUA poderiam tentar interferir na entrada da equipa no país, ao mesmo tempo que parecia associar a tomada de decisões de Washington à guerra em curso.
"Não sabemos que tipo de problemas poderão criar no aeroporto. Foram derrotados em algumas áreas pela resistência do povo e estão agora a tentar compensar essas derrotas e descarregar as suas frustrações no campo de futebol", citou a ISNA, referindo-se às palavras de Taj.
Entretanto, Amir Ghalenoei, o treinador principal da equipa, acrescentou que a alguns membros da direção, pessoal dos meios de comunicação social e um diretor executivo ainda não foi concedida autorização para assistir ao torneio.
"Pergunto-vos: que tipo de tratamento é este? Espero que esta situação seja corrigida e que tal comportamento não se repita no futuro", afirmou Ghalenoei no domingo, segundo a Tasnim.
Juntando-se ao coro de críticas, a Embaixada do Irão em Ancara afirmou num comunicado que os EUA estavam a "privar a seleção nacional do Irão do seu direito de participar no Mundial em condições normais e sem pressão e stress desnecessários".
"Esta é a pior forma possível de interferência política no desporto", afirmou a embaixada.
