Novas imagens revelam tatuagens complexas em “múmia de gelo” siberiana com 2.000 anos

CNN , Jack Guy
14 set 2025, 09:00
Um corte suturado na pele que atravessa as tatuagens sugere que esta arte não tinha um papel apenas nos rituais funerários (G. Caspari & M. Vavulin)

Um corte suturado na pele que atravessa as tatuagens sugere que esta arte não tinha um papel apenas nos rituais funerários

Os arqueólogos utilizaram técnicas de ponta para revelar novos dados sobre as complexas tatuagens de uma mulher que viveu na Sibéria durante a Idade do Ferro.

Embora os restos pré-históricos tenham mais de 2.000 anos, a pele e, por consequência, as tatuagens das múmias da cultura Pazyryk daquela região foram preservadas no pergelissolo [camada do subsolo da crosta terrestre que está permanentemente congelada] das montanhas Altai, segundo um estudo publicado recentemente na revista Antiquity.

Uma seleção de tatuagens encontradas na múmia (D. Riday)

“Há muito que as tatuagens intrigam os arqueólogos, devido aos seus elaborados desenhos figurativos”, afirma o autor do estudo, Gino Caspari, que é arqueólogo do Instituto Max Planck de Geoantropologia e da Universidade de Berna, em comunicado.

Contudo, as investigações anteriores sobre as tatuagens assentavam em desenhos esquemáticos antigos.

“Essas interpretações careciam de maior clareza no que respeita às técnicas e ferramentas utilizadas, e não se concentravam muito nos indivíduos, mas antes no contexto social geral», explica Caspari.

Um modelo a três dimensões da múmia (M. Vavulin)

Porém, agora, os investigadores conseguiram produzir uma digitalização a três dimensões de uma múmia tatuada, com recurso à fotografia infravermelha de alta resolução, que foi recentemente disponibilizada, revelando o alto nível de habilidade dos tatuadores de Pazyryk.

Os investigadores trabalharam com tatuadores modernos para identificar as ferramentas e técnicas utilizadas pelos seus antepassados. Uma das descobertas foi o facto de esta múmia, em particular, ter tido tatuagens mais complexas no antebraço direito do que no esquerdo.

Embora as duas tatuagens partilhem muitas das mesmas características, o braço direito mostra “uma maior atenção aos detalhes e uma maior variedade de técnicas visuais” quando comparando com o esquerdo, segundo o estudo.

A reconstrução de uma tatuagem com uma figura semelhante a um cavalo (D. Riday)

A tatuagem no braço direito terá, provavelmente, levado pelo menos duas sessões até ficar pronta e aproveita os contornos do pulso para fazer com que a tatuagem flua pelo braço, acrescenta.

Essa “posição inteligente” não apenas “mostra a perícia do artista”, mas também enfatiza um animal – um felino - como o ponto de foco da tatuagem, segundo o estudo.

A perícia fica ainda mais demonstrada pelo traçado claro e consistente, afirmam os investigadores.

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