Ministro da Economia diz que, em algumas freguesias, o projeto avançará já em junho
O ministro da Economia disse esta sexta-feira, no parlamento, que o Governo vai criar condições para que haja caixas automáticas de levantamento de dinheiro nas mais de 1.000 freguesias que atualmente não têm.
"Há mais de 1.000 freguesias que não têm caixas Multibanco, não têm forma de aceder a dinheiro. Dar condições é criar, com a SIBS e com o Banco de Portugal, capacidade para que em cada freguesia as pessoas possam levantar dinheiro", disse Castro Almeida num debate na Assembleia da República, em Lisboa.
O governante disse que em algumas freguesias o projeto avançará já em junho e que a ideia é estender a todas as freguesias sem caixas automáticas.
Para Castro Almeida, é uma "questão de elementar justiça" para os territórios com menos pessoas, para que quem aí vive também tenha acesso a levantamento de dinheiro 'vivo'.
A falta de multibancos tem sido uma preocupação regularmente levantada pela Associação Nacional de Freguesias - ANFRE, que inclusivamente foi debatida no congresso de final de janeiro. Aí, foi aprovada uma moção que pedia atenção para este assunto.
Há freguesias onde os habitantes têm de fazer dezenas de quilómetros para aceder a uma caixa automática.
Quando tomou posse como governador do Banco de Portugal, em outubro de 2025, Álvaro Santos Pereira disse que o sistema bancário tem de manter suficientes caixas automáticas em todo o país para garantir que a população consegue aceder facilmente a dinheiro físico.
"Embora a importância dos pagamentos digitais tenha vindo a aumentar, devemos assegurar que o numerário permanece facilmente acessível a todos os portugueses", afirmou.
Em setembro de 2025, a Denária, associação que defende a utilização do numerário como um meio de pagamento, criticou os “desertos de numerário” em Portugal, devido à falta de caixas multibanco, considerando que afeta sobretudo os grupos mais isolados e vulneráveis.
A associação citava dados do Banco de Portugal de 2022, segundo os quais 1.276 freguesias (41%) não tinham qualquer ponto de acesso a dinheiro físico.
Para a associação, é imperativo reforçar a cobertura da rede e garantir que todos os portugueses têm o direito de utilização do numerário.
No final de 2025, existiam 13.700 caixas automáticas em Portugal, segundo dados do Banco de Portugal.
