Homem que morreu em "ato terrorista islâmico" em França era português

22 fev 2025, 17:50
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Emmanuel Macron não teve dúvidas em definir este como um ato terroristas, enquanto François Bayrou lamentou que o "fanatismo" tenha voltado a atacar

O homem que morreu no ataque à faca na cidade de Mulhouse, no este de França, era um cidadão português, avança o jornal Figaro, que cita a procuradoria local, referindo que se trata de um homem de 69 anos.

Trata-se de um “civil que interveio” durante o ataque que o presidente francês, Emmanuel Macron, já descreveu como um “ato terrorista islâmico”, e no qual cinco polícias ficaram feridos, incluindo dois com gravidade.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou, entretanto, a nacionalidade da vítima: "Um cidadão português de 69 anos que se encontrava no local ter-se-á interposto entre os polícias e o atacante, tendo sido esfaqueado e morto", disse a porta-voz daquele ministério à agência Lusa.

O primeiro-ministro francês também já reagiu ao caso, referindo que "o fanatismo voltou a atacar". François Bayrou enviou as suas condolências às famílias das vítimas, felicitando as forças de segurança que agiram no local.

O suspeito, de 37 anos, terá cometido os crimes à margem de uma manifestação e há dois agentes da polícia municipal feridos com gravidade - foram esfaqueados na carótida e no tórax -, disse o procurador Nicolas Heitz à AFP, acrescentando que outros três agentes sofreram ferimentos mais ligeiros. Está neste momento sob custódia das autoridades.

O suspeito, e nacionalidade argelina, consta do “ficheiro de processamento de sinalização para a prevenção da radicalização terrorista”, declarou o responsável, confirmando que o homem estava a ser seguido pelas autoridades.

O ataque ocorreu pouco antes das 16:00 hora local (15:00 em Lisboa), à margem de uma manifestação de apoio à República Democrática do Congo, que enfrenta uma ofensiva, no leste, do movimento armado M23, apoiado pelo Ruanda.

Segundo o jornal regional Les Dernières Nouvelles d'Alsace, o ataque ocorreu entre a Praça do Mercado e a Rua Lavoisier, onde foi detido o suspeito, um homem nascido em 1987, de nacionalidade estrangeira e expulso de França.

O canal BFMTV indicou que, enquanto se aguarda a determinação das motivações para este acontecimento, a procuradoria de Mulhouse está a trabalhar em conjunto com a Procuradoria Nacional Antiterrorista (PNAT).

Montenegro e Marcelo deixam condolências

O primeiro-ministro enviou a sua solidariedade ao povo francês pelo ataque ocorrido em Mulhouse e salientou a “valentia” do cidadão português que interveio e acabou por morrer, ato que poderá ter salvado outras vidas.

“Perante um ataque contra a comunidade que o acolheu, um português interveio e acabou por perder a vida, em França. A sua valentia, que lhe custou a vida, poderá ter salvo tantas outras”, escreveu Luís Montenegro na sua conta oficial na rede social X (antigo Twitter).

Na mensagem, o chefe do Governo português deixou “sinceras condolências aos familiares e amigos - e toda a solidariedade ao povo francês”.

O Presidente da República condenou com veemência o “ataque de ódio” lamentou a morte de um cidadão português vítima do atentado, apresentando condolências à família e à comunidade portuguesa desta cidade francesa.

Numa nota publicada na página oficial da Presidência da República na Internet, refere-se que Marcelo Rebelo de Sousa apresentou “as suas mais sentidas condolências à família, amigos e à comunidade portuguesa de Mulhouse”, depois de um cidadão português “ter sido atacado mortalmente no atentado terrorista perpetrado naquela cidade francesa”.

“O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa condena veementemente aquele ataque de ódio e mantém-se em contacto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros no acompanhamento à família da vítima”, acrescenta-se na mensagem.

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