Esteve 20 anos preso por supostamente ter assassinado Malcolm X, foi ilibado. Exige 40 milhões de dólares

15 jul, 19:52
Muhammad Aziz em 1965 e 2022 (AP)

A história de Muhammad Aziz

Um dos dois homens que foram erradamente condenados pelo homicídio de Malcolm X deu entrada a um processo em que pede à cidade de Nova Iorque uma indemnização de 40 milhões de dólares (o mesmo valor em euros ao câmbio atual) em compensação por ter passado 20 anos na prisão por um crime que afinal não cometeu.

Muhammad Aziz esteve de 1965 a 1985 na prisão, condenado pela morte do ativista norte-americano. Agora, aos 84 anos, exige reparação por aquilo que diz ter sido uma acusação maliciosa - a negação de direitos processuais e uma má conduta por parte do governo.

O antigo fuzileiro só foi ilibado do crime 55 anos após a condenação, que ocorreu em março de 1966. O processo reabriu em 2020 e, citando “novas provas”, a acusação decidiu revogar a acusação, decidindo que Muhammad Aziz não tinha sido um dos três atiradores que dispararam sobre Malcolm X quando este se preparava para fazer um discurso em Nova Iorque. Ilibado foi também Khalil Islam, que passou 22 anos na prisão pelo mesmo crime, que afinal não cometeu. Este último morreu em 2009.

A última decisão acabou mesmo por motivar um pedido de desculpas por parte do procurador de Manhattan, que admitiu a existência de uma conduta ilegal por parte da polícia e das autoridades que investigaram o caso ao início.

Na queixa que deu entrada no tribunal do distrito de Brooklyn vem referido o fim das negociações que a cidade e Muhammad Aziz mantinham para a reparação do condenado. Sem um acordo prevê-se agora uma longa batalha judicial para se chegar a um veredicto.

O advogado de Muhammad Aziz, que também representa a causa de Khalil Islam, afirmou que as condenações foram “resultado de uma revoltante má conduta do governo e da violação de direitos constitucionais”.

“Estes homens e as suas famílias não podem ser privados por mais tempo da compensação pelas graves injustiças que sofreram”, afirmou David Shanies. À altura da detenção, quando tinha 26 anos, Muhammad Aziz tinha seis filhos.

Nos papéis que formalizam a queixa de Muhammad Aziz existem acusações de que a polícia de Nova Iorque e o procurador de Manhattan esconderam provas que provavam a inocência do homem, sugerindo ainda que foram utilizados falsos testemunhos que suportavam as descobertas que a investigação tinha. Ao todo são 24 os nomes referidos na queixa.

“Ele passou 20 anos, durante aquele que deveria ter sido o seu melhor tempo, fechado na prisão por um crime que não cometeu. O dano causado ao senhor Aziz e à sua família foi imenso e irreparável”, pode ainda ler-se.

Apesar da ausência de provas físicas, da existência de depoimentos contraditórios e das declarações de um homem que se confessou como um dos assassinos e que ilibou os outros dois condenados, a justiça decidiu avançar para a condenação de Muhammad Aziz e Khalil Islam. Algo que só 55 anos mais tarde reconheceu que foi feito de forma errada.

E.U.A.

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