A hora vai mudar este domingo (adiante 60 minutos) e é preciso preparar o nosso corpo para isso
Adiantar o relógio uma hora parece um ato inofensivo e há até quem o deseje após semanas a fio de dias mais curtos e escuros. Mas a mudança de hora, seja para o horário de verão - como acontece já este domingo - como de inverno traz consequências diretas para a saúde. E pouco ou nada se pode fazer para travar este efeito que se repete duas vezes ao ano, uma vez que qualquer mudança de horário tem impacto direto no relógio circadiano (biológico) das pessoas.
E há estudos que apontam para consequências dos pés à cabeça, quase literalmente. Nem todos são totalmente conclusivos, mas há um consenso médico para a importância de haver um só horário o ano todo, uma vez que, do que já se estudou, sabe-se que há uma maior propensão para ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais com a mudança para o horário de verão, como uma maior produção de marcadores inflamatórios no organismo, uma resposta direta ao stress que, no fundo, fragiliza o sistema imunitário, deixando-o, por exemplo, mais propenso a infeções. Um estudo de 2019 da Academia Americana de Medicina do Sono (AASM) - que é a favor da abolição destas mudanças bianuais - aponta, por exemplo, para um aumento dos níveis de cansaço com a chegada do horário de verão, em que o período de claridade é maior, o que, direta ou indiretamente, aumenta o tempo de frenesim.
Segundo a Universidade de Harvard, as pessoas dormem em média 40 minutos a menos na segunda-feira após o início do horário de verão. E isso traz várias consequências, não apenas no cansaço, como no apetite e até na concentração, estando provado que “o sono interrompido pode fazer com que as pessoas se sintam fatigadas, grogues e menos focadas”, como diz Charles Czeisler, professor de Medicina do Sono da Faculdade de Medicina de Harvard, que recorda um estudo de 2020 publicado na revista Current Biology que nota um aumento de 6% em acidentes de carro após a mudança para o horário de verão.
A chegada do horário de verão deixa muitas pessoas felizes por haver mais luz natural durante mais tempo, o que pode até promover estilos de vida mais ativos, mas o certo é que há claras mudanças de humor, tendo um estudo de 2020 associado este fenómeno a um aumento da depressão, ansiedade e abuso de substâncias, mas também de problemas comportamentais, patologias cardíacas e doenças relacionadas com o sistema imunitário. “Estimamos que cada mudança para o horário de verão esteja associada a efeitos negativos para a saúde, com 150.000 ocorrências nos EUA e 880.000 globalmente”, lê-se no estudo.
Apesar de pouco ou nada se poder fazer para travar as consequências diretas da mudança de hora, a Fundação Americana do Sono deixa algumas dicas que podem ajudar a atenuar os efeitos. E tudo começa com mudanças na sua rotina três dias antes de a hora mudar (ou seja, a partir desta quinta-feira), começando com uma maior exposição à luz nesses dias, assim como a adaptar a hora de deitar e levantar. O consumo de álcool e cafeína nestes três dias deve ser também moderado.