Estes drones têm sido usados pelos EUA na guerra contra o Irão. E há mais a caminho da guerra - mas antes disso passam pelos Açores
A base das Lajes, na ilha Terceira, está a ultimar os preparativos para receber os drones MQ-9 Reaper da General Atomics, ao serviço das Forças Armadas dos EUA. Os drones devem depois seguir para o Médio Oriente para participar em operações de combate contra o Irão.
À CNN Portugal, o major-general Arnaut Moreira detalha os pontos fortes deste armamento, que diz ser o “mais caro do mercado neste momento”. “A sua utilização é discreta. Na maioria dos casos são utilizados sem que nós saibamos da sua utilização, pois voam extraordinariamente alto, à volta dos 15 quilómetros de altitude. São, portanto, dificilmente identificáveis e, sobretudo, são extraordinariamente flexíveis do ponto de vista dos equipamentos e dos armamentos que levam”, explica o especialista em Geopolítica.
“Estes Reapers são aeronaves relativamente modernas”, diz à CNN Portugal o tenente-general Rafael Martins. “Podem ser controlados à distância, do outro lado do planeta, têm ligações satélite, têm elevados graus de autonomia e de alcance e têm também a capacidade de largar diversos tipos de armamento, de maior ou de menor precisão. Têm também uma enorme capacidade para recolha de informação. Têm uma plataforma de multissensores, tanto no domínio do visual, multiespectral, como no domínio do radar, do infravermelho. E, simultaneamente, fazem também a eliminação de alvos para outras aeronaves tripuladas ou não tripuladas”, acrescenta.
Arnaut Moreira afirma que este drone pode fazer “com grande facilidade” a recolha de intelligence no local e tem também a vantagem de ter grande autonomia e poder permanecer mais de 24 horas no mesmo local. O major-general destaca também a capacidade que os MQ-9 Reaper têm para transportar mísseis “de elevada precisão”.
“O Irão continua a dispor de um conjunto de plataformas que vai escondendo, que vai trazendo para o exterior para fazer o lançamento dos mísseis balísticos e que depois são recolhidos, escondidos em hangares, em depósitos ou em montanhas. Ora, os F-35 não podem permanecer na zona eternamente à procura que se mostrem este tipo de alvos, mas este drone permite sobrevoar uma zona que esteja previamente identificada como um local normal para a ativação das plataformas de lançamento dos mísseis balísticos e ficar à espera de que eles se manifestem. Para aquilo que eu chamo os alvos de oportunidade, estes drones são mais interessantes do que um F-35”, afirma.
Outro ponto forte dos Reaper é a capacidade de reutilização, explica o major-general. “Contrariamente aos drones Shahed, que foram feitos para serem gastos, isto é, uma vez lançados já não regressam à base, este foi feito para poder ter armamento suficiente para cumprir a sua missão e depois regressar em segurança à base de onde foi lançado.”
Apesar de todas estas vantagens, Rafael Martins sublinha que alguns destes drones – os EUA tinham ao serviço cerca de 300 antes da guerra começar – já foram abatidos pelas forças iranianas, “pois não são totalmente invisíveis”.
“Os Estados Unidos já têm plataformas destas no domínio stealth, que não estão neste momento, pelo menos, a ser anunciadas como presentes no teatro de operações. A Marinha [dos EUA] também desenvolve plataformas não tripuladas mais avançadas do que estas e não tão expostas em termos da assinatura a radar”, diz o tenente-general.
E porque foram destacados para as Lajes? Para serem montados e estarem mais perto do teatro de operações, diz Rafael Martins, que afirma que estes podem fazer a travessia do arquipélago português até ao Médio Oriente, onde serão equipados.
“Eles viajam normalmente em contentores. Não é que não possa fazer viagens muito longas, porque ele tem 25 horas de autonomia”, complementa Arnaut Moreira. “A questão não é essa da sua autonomia. A questão é que não vale a pena estar a gastar um equipamento destes em voo durante todas estas horas só para fazer o transporte entre o ponto de partida e o ponto de chegada. Normalmente vão em contentores até um lugar mais próximo da área de operações para poderem ser montados.”