Moscovo envia mercenários do Africa Corps para ajudar junta militar do Níger a conter a rebelião militar

30 ago, 19:01
Níger (AP)
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Na origem da contestação estarão as pesadas baixas sofridas na linha da frente e o descontentamento com a incapacidade da junta militar para travar a insegurança no país

O Africa Corps, o grupo de mercenários russos destacado em África e sob a tutela de Moscovo, interveio no Níger para apoiar a junta militar a recuperar o controlo do país após a insurreição militar desencadeada no sábado, revelaram este domingo fontes oficiais.

Perante o motim, o regime nigerino solicitou assistência direta a Moscovo. Os efetivos do Africa Corps prestaram apoio aéreo e terrestre às tropas leais ao presidente Abdourahamane Tchiani. A confirmação partiu do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Níger, que, juntamente com outras chefias miltiares, agradeceu publicamente a intervenção aos comandantes operacionais russos.

As autoridades não confirmaram, até ao momento, o número de vítimas mortais ou de detidos na sequência dos confrontos, que rebentaram na madrugada de sábado e colocaram em risco pontos estratégicos da capital, Niamey, incluindo o palácio presidencial e o aeroporto.

A estação de televisão estatal transmitiu imagens de militares amotinados sob custódia, sem avançar mais pormenores. A imprensa local adianta, contudo, que os revoltosos são sobretudo operacionais jovens integrados em unidades destacadas no combate aos grupos jiadistas.

Na origem da contestação estarão as pesadas baixas sofridas na linha da frente e o descontentamento com a incapacidade da junta militar para travar a insegurança no país.

Este levantamento representa o mais sério desafio interno enfrentado por Tchiani desde que assumiu a liderança do Níger através de um golpe de Estado, em julho de 2023.

Numa avaliação divulgada pelo Timbuktu Institute, centro de análise especializado em segurança na África Ocidental, a intervenção do Africa Corps aprofunda significativamente a dependência de Niamey face a Moscovo, consolidando o papel da Rússia como principal fiador da sobrevivência da junta militar.

O envolvimento do Kremlin ganha particular relevo no quadro regional, uma vez que o Níger integra, a par do Mali e do Burquina Fasso, a Aliança dos Estados do Sahel. As três capitais cortaram grande parte dos laços militares históricos com França para estreitar a cooperação em matéria de defesa com Moscovo.

Entretanto, a diplomacia russa expressou solidariedade para com a população do Níger e garantiu que "continuará a apoiar os amigos nigerinos na luta contra os extremistas, instigados pelas antigas metrópoles europeias".

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