O que se sabe sobre o caso dos quatro polícias agredidos à porta da discoteca em Lisboa

21 mar, 13:04

Um dos agentes, que se encontrava em coma desde sábado, morreu esta manhã no hospital de São José, em Lisboa. Fábio Guerra tinha 26 anos

Morreu, esta segunda-feira de manhã, o polícia que estava internado em coma desde sábado, no hospital de São José, em Lisboa. Fábio Guerra, de 26 anos, era um dos quatro elementos da PSP que foram violentamente agredidos, na madrugada de sábado, à porta da discoteca MOME, em Lisboa.

Era natural da Covilhã, sendo o mais velho de três irmãos, mas estava em Lisboa há quatro anos e pertencia à esquadra 64, de Alfragide, na Amadora, desde julho de 2020.

O que aconteceu na madrugada de sábado? 

Um grupo de jovens terá iniciado um conflito com os seguranças da discoteca na madrugada de sábado, levando os quatro agentes da PSP, que se encontravam à civil e desarmados, por estarem fora de serviço, a intervir. 

Em comunicado enviado às redações, a PSP informou que os quatro polícias "imediatamente intervieram", como era sua obrigação legal, quando confrontados com uma "alteração da ordem pública, com agressões mútuas entre vários cidadãos". 

"De imediato, um dos grupos, com cerca de 10 pessoas, atacou os polícias, agredindo-os violentamente", refere o documento, que acrescentava ainda que um dos agentes "foi empurrado e caiu ao chão, onde continuou a ser agredido com diversos pontapés, enquanto os restantes polícias continuavam também a defender-se das agressões". 

Já a discoteca MOME, também em comunicado, lamentou as agressões, sublinhando que ocorreram na via pública e que nenhum colaborador esteve envolvido.

“Vimos lamentar, desde já, o sucedido. Reiteramos que nenhum colaborador da discoteca esteve envolvido na ocorrência e que estamos, naturalmente, a colaborar com as autoridades no sentido de apurar e identificar os responsáveis”, lia-se no documento. 

Estes quatro agentes da esquadra da Amadora foram assistidos no hospital de São José, mas apenas um, Fábio, se encontrava em estado crítico. Os restantes três já tiveram alta e foram, entretanto, ouvidos pela Polícia Judiciária. 

O que se sabe sobre os suspeitos? 

No domingo, dois dos três suspeitos das agressões foram apanhados e estão retidos em instalações da Marinha, apurou a CNN Portugal/TVI, enquanto não são formalmente detidos pela Polícia Judiciária. Ficaram retidos neste estabelecimento porque são todos fuzileiros e estavam prestes partir para uma missão das Nações Unidas no estrangeiro.

"Continuam em curso todas as diligências, em coordenação com a Polícia Judiciária, visando a identificação e detenção de todos os autores das agressões, que resultaram na morte do nosso Polícia", lê-se no comunicado da PSP desta segunda-feira. 

As detenções deverão entretanto ser formalizadas, por ordem do Ministério Público, e os suspeitos serão presentes a um juiz de instrução entre segunda e terça-feira, provavelmente indiciados por crimes de homicídio na forma tentada, cuja pena varia entre 12 e 15 anos, sendo que, no caso do polícia que morreu esta manhã, poderá haver uma indicação por homicídio, o que já prevê a pena máxima, 25 anos. 

Marcelo lamenta morte, Ministra garante rápido apuramento dos factos

A ministra da Administração Interna manifestou, no sábado, "preocupação face à brutalidade e violência da agressão" contra polícias na noite de Lisboa e classificou tais atos como "intoleráveis" e prometeu ainda um "rápido apuramento dos factos".

"Francisca Van Dunem manifesta a sua preocupação face à brutalidade e violência da agressão, totalmente intoleráveis e que justificam um rápido apuramento dos factos e a responsabilização dos seus autores", lia-se numa nota informativa do Ministério da Administração Interna.

Já esta segunda-feira, o Presidente da República "manifestou a sua tristeza e pesar pela perda de uma vida em circunstâncias tão trágicas", acrescentando ainda que Fábio Guerra "será recordado pela sua abnegação, coragem e dedicação ao serviço do próximo e da segurança pública".

"O Presidente da República endereça as mais sentidas condolências à família do agente Fábio Guerra, bem como aos seus amigos e aos profissionais da PSP", lê-se na nota publicada no site da presidência. 

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