Jota, Francisco, Teresa, Diane, Robert, Clara: lembremos estas e as outras pessoas que perdemos em 2025

31 dez 2025, 09:00

A terminar o ano, uma homenagem a algumas das pessoas que perdemos em 2025

O futebolista Diogo Jota estava a cumprir os seus últimos dias de férias antes de iniciar a sexta época no Liverpool, quando teve um acidente na província de Zamora, em Espanha. O carro onde seguia com o seu irmão despistou-se e incendiou-se. Morreram ambos. Jota, de 28 anos, e o irmão, o também futebolista André Silva, de 25. Nessa primeira semana de julho, multiplicaram-se as homenagens ao jogador nortenho que passou brevemente pelo FC Porto e fez carreira internacional, sendo também um dos rostos da seleção nacional. 

Todas as mortes são tristes, mas as dos jovens são mais difíceis de aceitar. É por isso que, chegados ao final do ano, quando olhamos ao retrovisor neste 2025, nos lembramos imediatamente da comovente despedida a Diogo Jota. Isto num ano particularmente difícil para o FC Porto, que em fevereiro perdeu o seu histórico presidente, Jorge Nuno Pinto da Costa, e em agosto viria a perder Jorge Costa, que foi futebolista e treinador e era atualmente diretor de futebol. Tinha apenas 53 anos.

Neste ano perdemos também duas mulheres espantosas, ambas portuguesas e ambas escritoras. Em fevereiro morreu Maria Teresa Horta, poeta e jornalista, que ficou conhecida como uma das "três Marias", autoras das “Novas Cartas Portuguesas”, publicadas em 1974, e por defender a liberdade e os direitos das mulheres; mais perto do final do ano, em dezembro, morreu Clara Pinto Correia, bióloga, professora universitária, jornalista, apresentadora de televisão. Tinha 25 anos quando publicou o seu livro mais conhecido, "Adeus, Princesa". Morreu com apenas 65 anos.

E já que estamos a falar de mulheres corajosas, temos que referir Jane Goodall, primatologista britânica: foi uma das mais importantes investigadoras dos primatas e ativista pela conservação da natureza. Nunca desistiu de lutar. Mantinha, aos 91 anos, a esperança de que um dia soubéssemos valorizar esta casa onde vivemos e que tratamos tão mal.

Em 2025, assinalou-se ainda a morte do Papa Francisco, chefe da Igreja Católica desde 2013. O papa argentino, conhecido pela sua humildade, pelo foco nos mais pobres e, também, pela sua visão progressista da Igreja, onde dizia que cabiam "todos, todos, todos",  visitou duas vezes Portugal, a última das quais durante a Jornada Mundial da Juventude que se realizou em Lisboa, em 2023.

Nas artes: de David Lynch a Diane Keaton, passando por Brian Wilson

No mundo das letras, assinale-se ainda a partida do escritor britânico David Lodge e Mario Vargas Llosa, escritor peruano, vencedor do Prémio Nobel da Literatura, em 2010, e autor de obras como “Conversa n’A Catedral” e "A guerra do fim do mundo”.

O cinema despediu-se dos realizadores David Lynch e Rob Reiner. Lynch, um dos nomes mais importantes os últimos 50 anos, levou-nos a "Twin Peaks" e fez filmes que exploravam o lado mais negro da nossa mente, como "Eraserhead", "Dune", "Blue Velvet", "Mulholand Drive" e tantos outros. Rob Reiner, tragicamente assassinado pelo filho, num crime, ainda mal explicado, em que morreu também a sua mulher, Michele, foi ator e realizador, por exemplo, da comédia romântica "Um Amor Inevitável".

O ator e realizador Robert Redford, conhecido por filmes como “Dois homens e um destino” e “Os Homens do Presidente” e por ter criado o festival de Sundance, morreu em setembro, com 89 anos. Ainda não tínhamos recuperado desta notícia quando soubemos da morte de Diane Keaton, a atriz de sorriso doce que vimos tão nova a ganhar um Óscar em “Annie Hall” e, muito mais tarde, a ser nomeada pela quarta vez na sua carreira, com "Alguém tem de ceder".

Diane Keaton (AP)

Os atores Gene Hackman, Richard ChamberlainVal Kilmer e Claudia Cardinale estão entre as perdas de 2025. Em agosto, morreu também o diretor de fotografia Eduardo Serra, o mais internacional dos portugueses em Hollywood, que trabalhou em filmes como "Harry Potter e os Talismãs da Morte" e "Rapariga com Brinco de Pérola" e foi duas vezes nomeado para um Óscar. Já perto do final do ano, Brigitte Bardot, a atriz francesa que se tornou popular na década de 1960, morreu aos 91 anos.

Brian Wilson, o génio por trás dos Beach Boys, morreu em julho - pouco depois da partida de Ozzy Osbourne, o músico britânico que antes de ser estrela de reality-show foi vocalista dos Black Sabbath, e pouco antes de outro génio, o compositor e multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal.

Neste ano, entre tantos outros nome das música, despediram-se também as cantoras Marianne Faithfull (de “As Tears Go By”) e Roberta Flack (de "Killing Me Softly With His Song"), o músico norte-americano D'Angelo e o cantor português Nuno Guerreiro, que foi a voz Ala dos Namorados.

O estilista italiano Giorgio Armani morreu com 91 anos. E Frank Gehry, o arquiteto canadiano, vencedor do prémio Pritzker em 1989 e autor do famoso edifício do Museu Guggenheim em Bilbao, morreu após uma longa vida - tinha 96 anos.

Na política: Balsemão, Mujica, Charlie Kirk

Francisco Pinto Balsemão, fundador do PSD, primeiro-ministro de Portugal entre 1981 e 1983, empresário fundador do jornal Expresso e do canal de televisão SIC, entre tantos outros feitos, morreu em outubro com 88 anos.

No mundo da política, destacam-se ainda as despedidas a Miguel Macedo, advogado e dirigente do PSD, que foi ministro da Administração Interna; ao socialista João Cravinho, que foi ministro da Administração do Território no governo de António Guterres; e a Teresa Caeiro, advogada que pertenceu ao CDS, foi deputada e vice-presidente da Assembleia da República.

O jurista Álvaro Laborinho Lúcio, que foi juiz do Supremo Tribunal da Justiça e ministro da Justiça, morreu em outubro.

A 2 de dezembro desapareceu alguém que conhecia bem todos estes políticos: a jornalista Constança Cunha e Sá. Tinha 67 anos e ficou conhecida pela sua independência e por nunca se esquivar a uma controvérsia, nas crónicas que assinou n'O Independente ou nos comentários que fazia na TVI.

Lá fora, a França despediu-se do fundador da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, o Uruguai do seu antigo presidente Pepe Mujica e os Estados Unidos do controverso vice-presidente de George W. Bush, Dick Cheney. Mas a morte que mais surpreendeu o mundo foi mesmo a de Charlie Kirk, ativista político norte-americano. O influencer e apoiante de Donald Trump foi alvejado enquanto dava uma palestra. Tinha apenas 31 anos.

Estes olhares vão fazer-nos falta

Sebastião Salgado (DR)

O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que por várias vezes apresentou o seu trabalho em Portugal, morreu aos 88 anos. Deixou-nos as imagens, quase sempre a preto-e-branco, que fez nas suas muitas voltas ao mundo. Fotografou como poucos dois mundos em extinção - o do trabalho e o da natureza, nomeadamente a sua querida Amazónia. 

Também nos despedimos do fotógrafo português Eduardo Gageiro. Fotojornalista que documentou o Portugal da ditadura e foi um dos que fotografou as operações militares na revolução de 25 de Abril de 1974.

Já agora, nunca é demais referir que, de acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), no último ano, pelo menos 67 jornalistas foram mortos, 503 jornalistas foram detidos, 20 jornalistas foram feitos reféns e 135 jornalistas estão desaparecidos. "O número de jornalistas assassinados voltou a aumentar devido às práticas criminosas das forças armadas, regulares ou não, e do crime organizado", afirma a organização.

De acordo com os dados da RSF, quase metade dos 67 jornalistas mortos entre 1 de dezembro de 2024 e 1 de dezembro de 2025 foram assassinados na Faixa de Gaza na sequência de ataques militares israelitas, todos eles eram palestinianos.

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