Relatório da DGS contabiliza mais 78 mortes maternas do que as reportadas pelo INE

MM
3 set, 09:31
Gravidez (Pexels)

Dados referem-se ao período entre 2001 e 2018. Um dos autores do relatório diz que os números de mortes maternas estão “subestimados em todo o mundo”

Um relatório da Direção-Geral de Saúde (DGS) contabiliza mais 78 mortes maternas do que os números avançados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), no período entre 2001 e 2018. A notícia é avançada este sábado pelo Público.

No documento intitulado “Mortes Maternas 2017-2018”, os dados compilados pela DGS indicam que 198 mulheres terão morrido por complicações durante a gravidez ou até 42 dias após o parto. Os óbitos maternos contabilizados pelo INE totalizam 120, naquele período de 18 anos.

De acordo com o jornal, o relatório foi esta sexta-feira finalmente enviado ao Parlamento, dois anos e meio depois de ter sido concluído. A equipa da DGS contabiliza muito mais mortes maternas do que as que estão reportadas oficialmente na maior parte dos anos. De acordo com o Público, exemplo disso é o caso de 2006, ano em que o INE dá conta de cinco óbitos e a DGS regista 20. Apenas nos anos de 2017 e 2018 os números do INE e da DGS batem certo – 11 e 15 mortes maternas, respetivamente.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, um dos autores do relatório, diz que os números de mortes maternas estão “subestimados em todo o mundo”: “há mais mortes maternas do que as que estão reportadas”.

O problema da “subestimação da mortalidade materna em Portugal” já tinha sido destacado num relatório anterior da DGS assinado por Carmo Gomes e Teresa Ventura e que se debruçou sobre as mortes maternas entre 2001 e 2007. Os investigadores sublinham que os dados da mortalidade materna “são difíceis de obter com fiabilidade e nenhum país pode estar absolutamente confiante da validade das suas estimativas nacionais”.

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