"Não sofreu. Foi tudo muito rápido": as últimas horas do Papa Francisco em detalhe

22 abr 2025, 17:28
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Vaticano continua a partilhar momentos, incluindo o acordar do Papa e a morte ocorrida pouco depois

O Vaticano continua a dar mais detalhes sobre as últimas horas do Papa Francisco. Depois de ter partilhado o que o líder da Igreja Católica disse ao seu enfermeiro pessoal, dá agora a conhecer o que aconteceu na manhã de segunda-feira, que durou apenas duas horas e meia.

Depois de ter ido à Praça de São Pedro no Domingo de Páscoa, onde ainda apareceu uma última vez aos fiéis, descansou durante a tarde e jantou “tranquilamente”.

Acordou na segunda-feira às 05:30 locais (menos uma hora em Portugal Continental) com os primeiros sinais de indisposição, tendo havido logo uma “ação imediata de quem o acompanhava”.

Logo aí disse a Massimiliano Strappetti, o seu enfermeiro pessoal, que não se estava a sentir bem. Uma hora depois de estar deitado no seu apartamento, no segundo andar da Casa Santa Marta, acabou por entrar em coma.

“Não sofreu. Foi tudo muito rápido”, pode ler-se no website Vatican News, que cita fontes próximas do processo.

“Uma morte discreta, quase repentina, sem longas esperas e muito alarde para um Papa que sempre manteve as condições de saúde em segredo”, lê-se.

Antes da confirmação, e por volta das 07:00 locais, a equipa médica do Vaticano recebeu uma chamada de emergência daquele mesmo apartamento. Chegou a considerar-se a transferência para o hospital Gemelli, em Roma, onde Francisco tinha passado várias semanas internado recentemente. Foi até pedida uma escolta urgente da polícia, mas a rápida deterioração do estado de saúde tornou essa escolta inútil.

O Vaticano acabaria por declarar a morte às 07:35 locais, depois de o Papa Francisco ter sofrido um AVC que acabou por resultar num "colapso cardiovascular irreversível".

As últimas palavras

Entre as últimas palavras do Papa Francisco estava um “obrigado” ao seu enfermeiro pessoal que ajudou o pontífice a surpreender as multidões com um breve passeio no seu papamóvel na Praça de São Pedro no Domingo de Páscoa, de acordo com os meios de comunicação do Vaticano.

“Obrigado por me trazeres de volta à Praça”, disse Francisco a Massimiliano Strappetti, o enfermeiro que ficou ao lado do Papa durante as cinco semanas de pneumonia dupla, informou a agência noticiosa do Vaticano esta terça-feira.

Depois de salvar a vida do Papa ao sugerir uma cirurgia ao cólon, Strappetti era o assistente pessoal de Francisco desde 2022. Strappetti esteve com o papa durante sua longa estadia recente no Hospital Gemelli de Roma e continuou a cuidar do pontífice enquanto ele se recuperava em sua residência na Casa Santa Marta.

Antes da cerimónia do Domingo de Páscoa, Strappetti levou o Papa a rever o percurso que faria até à varanda da Basílica de São Pedro. Depois da missa, Francisco queria oferecer “uma última e significativa surpresa aos 50 mil fiéis” que se tinham reunido na praça, disse o Vaticano.

Mas o doente Francisco estava hesitante, perguntando a Strappetti: “Achas que consigo fazê-lo?”

Depois de percorrer a praça e abraçar membros da multidão, o Vaticano disse que um Francisco “cansado mas satisfeito” agradeceu a Strappetti.

No entanto, de um dia para o outro, a saúde do Papa começou a deteriorar-se. Na segunda-feira de manhã cedo, ele fez um “gesto de despedida” para Strappetti enquanto estava deitado na cama na sua residência papal, disse o Vaticano. Depois de ter entrado em coma, Francisco teve uma “morte discreta, quase súbita, sem longo sofrimento ou alarme público”.

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