Os momentos decisivos de uma semana histórica em Londres. Flores, polícias, homenagens e uma crise

Lina Santos , enviada especial a Londres
19 set, 00:03
Londres (Getty Images)

Londres, 2022. Os dez dias em que a cidade se despediu de uma rainha de sete décadas e acolheu um rei de 70 anos

Na cidade, os supermercados encheram-se como se este domingo fosse véspera de Natal. Todos se preparam para esta segunda-feira, dia do funeral da rainha em que Londres para e nada estará aberto, desde os grandes armazéns aos cinemas, passando pelo Mc Donalds. Até lá, os britânicos e os turistas tiraram partido do sol de quase outono com que cidade foi brindada. À beira do rio Tamisa, as mesas estavam cheias de pessoas que aproveitavam para beber um copo. Na ponte, um casal de noivos posava para o fotógrafo com o Big Ben em fundo. Ele de fato verde; ela com um vestido de costas decotadas. Do outro lado do rio, a fila de longos quilómetros com milhares de pessoas que querem entrar na Abadia de  Westminster impressiona o mundo que assiste pela televisão ao que ali se passa. Desde quinta-feira 8, data em que a Rainha morreu que na capital Inglesa se vivem dias históricos.    

Domingo, 18. Da descontração da peregrinação às despedidas emocionadas

“O que são 24 horas comparados com os seus 70 anos de serviço”, dizia um dos que calmamente esperavam durante oito, dez, doze horas ao relento para velar a rainha Isabel II em Westminster Hall. Outro explicava que estar na fila é “viver a história”. Outros ainda garantiam que “não podiam não estar" naquele momento. 

E enquanto uns esperavam para o velório, outros já estavam acampados na zona guardando o melhor lugar para assistir à derradeira despedida de Isabel II esta segunda-feira: do palácio de Westminster até à abadia -  a mesma onde Isabel II se casou com o príncipe Philip (1921-2021) e onde foi coroada rainha em 1953. O passeio é estreito para esta ‘espera’, ninguém desiste e a polícia autoriza, há voluntários com coletes azuis a ajudar e seguranças com coletes refletores por todo lado. Ainda é possível chegar a Westminter, mas daqui já não se pode partir pelo metro.

Às 06.30 desta segunda-feira, o velório público termina. E às 10:44, o carro que transporta a urna será puxado por 142 marinheiros da Royal Navy até à abadia, como se pôde ver no meticuloso ensaio do trajeto que aconteceu na madrugada de quinta-feira. As gaitas de foles escocesas vão dar o mote ao início da procissão até à abadia. Duas mil pessoas vão assistir ao funeral. 

Com 13 horas de espera pela frente, às 09:00 de domingo, a comunicação do governo pediu à população para não ir para a fila. A qualquer momento viria a notícia: a fila para prestar o último tributo à rainha teria fechado. Enquanto não chegava mais e mais pessoas foram chegando a Southwark Park, ponto de partida da peregrinação. Na esquina da ponte de Westminster está montada uma banca de venda de lembranças carregada de bandeiras do país, ursinhos castanhos e souvenirs com o rosto da rainha. 

A atmosfera sombria criada pelos guardas vestidos a rigor (e à antiga) guardando a urna da rainha, as vigílias solenes dos quatro filhos, na sexta-feira, e dos oito netos, este sábado, contrastam com o ambiente distendido que se vive nos cerca de 12 quilómetros que separam o fim da fila da entrada no edifício (e já contando com a ‘cobra’, o nome dado à fila em ziguezague de mais de três horas nos jardins Victoria, junto ao palácio de Westminter).

Quatro dias inteiros de velório em que uma familiar de Isabel II perdeu os sentidos. Um guarda desmaiou (foi ajudado por seguranças, os outros guardas mantiveram-se impávidos). Um homem tentou correr para o caixão e foi detido. O britânico David Beckham quis ser tão britânico como todos os britânicos e esperou 12 horas na fila. 

Este domingo o Presidente da República de Portugal também lá esteve. 

Marcelo, filho de Baltazar Rebelo de Sousa, subsecretário nacional de Educação do governo de Salazar, esteve “na primeira fila” no Terreiro do Paço vendo a rainha que chegava de carruagem na sua primeira visita oficial a Portugal, em 1957. Tinha nove anos, “era uma criança”, como lembrou a Isabel II durante um encontro em 2016 no Palácio de Buckingham. “Tenho a certeza que era”, retorquiu a rainha. Esta segunda-feira é um dos chefes de Estado que estará no funeral da rainha esta segunda-feira - essa dor de cabeça protocolar.  

Sábado, dia 17. Proteger reis, presidentes e multidões

A cidade acalma depois de uma semana de trabalho, apesar da azáfama no coração de Londres, e do trabalho que, sem surpresa, corre nos gabinetes. “Como decidir onde se senta o soberano do Mónaco, realeza, mas de um país mais pequeno? E o presidente dos EUA é mais importante do que as monarquias? Quem fica na primeira fila?”, diz um colaborador do governo britânico à CNN Portugal. “Podem sempre optar por sentar as pessoas por ordem alfabética”, alvitra. “Mesmo que esteja tudo decidido, há sempre questões de última hora”, considera esta fonte.

Como ver a presença de Mohammed bin Salman (MBS), herdeiro ao trono e efetivamente em funções no lugar do pai, poderia estar presente? Os reis de Espanha, Felipe VI e Letizia, vão sentar-se lado a lado com os eméritos Juan Carlos e Sofía, que também confirmaram presença? Joe Biden será transportado de autocarro até à abadia de Westminter juntamente com outros chefes de Estado, cabeças reinantes e altos dignitários mundiais?

Esta é a maior operação de proteção alguma vez realizada em Londres pela Metropolitan Police e não custa perceber. A lista de chefes de Estado é longa, mas o grupo de polícias com capacetes de obra que na quarta-feira abriu as tampas dos esgotos diz mais. Nesse dia, o relvado verde da praça do Parlamento esteve interdito. 

Não surpreende, por isso, que Carlos III, acompanhado por William, tenha querido reconhecer publicamente este trabalho fazendo uma visita ao quartel-general da Metropolitan Police, em Londres. 

Sem que estivesse anunciado, o rei e o herdeiro foram cumprimentar as pessoas na fila, agradecerem e perguntarem se passaram bem a noite – até houve um encontro com uma portuguesa, Vânia, que vive no Reino Unido há 30 anos e, emocionada, contou a experiência de cumprimentar o novo monarca.

Cerca de 10 mil polícias guardam Londres por estes dias, e especialmente o centro da cidade. Pode acontecer desconhecerem a geografia da cidade tanto quanto os milhares que aqui estão. “Desculpe, não sei onde fica a rua do Parlamento, sou de Birmingham”, diz um agente junto ao palácio de Westminster. Outro, que veio do País de Gales de autocarro até Londres, conta que “cada destacamento enviou um contingente".
 

Sexta-feira, dia 16. À sombra de um crise económica

Com as temperaturas a descerem abaixo dos 10 graus esta semana e o outono a aproximar-se, o aumento do custo de vida e dos preços da energia é outro assunto que preocupa o país. Tudo ficou em suspenso depois da morte de Isabel II ser anunciada. 

“A morte da rainha acontece ao mesmo tempo que ocorrem uma série de fraquezas na economia britânica. Os grandes desafios são a fraca produtividade desde a crise financeira mundial, que depois se relaciona com a estagnação real dos salários que é depois afetada por fenómenos como a pandemia, a crise da energia ou Brexit”, explica a economista britânica Anna Valero. 

A especialista em produtividade e inovação e crescimento sustentável recebe a CNN Portugal/ TVI no seu gabinete num dos edifícios da London School of Economics fugindo do ruído do átrio principal da universidade onde os caloiros fazem as inscrições para o novo ano letivo, alheios ao desaparecimento de Isabel II. 

A entrevista acontece no mesmo dia em que Carlos III faz a sua primeira visita ao País de Gales como rei e, mais uma vez, contacta com as multidões que estão para lá das barreiras de segurança e uma conversa sai do âmbito das condolências pela perda da mãe e é captada pelas televisões: “Carlos, enquanto lutamos para aquecer as nossas casas, pagamos a tua parada. Os contribuintes pagam 100 milhões de libras. Para quê?”, pergunta um homem. O rei afasta-se.

A inflação e o custo de vida eram os assuntos na agenda da primeira-ministra quando a morte da rainha foi anunciada. Sabe-se apenas que o teto de gastos da fatura de energia vai ficar nas 2500 libras por ano (quase 2900 euros). Estava nos mil euros há um ano, mas, calcula-se, pode chegar aos 3 mil este ano. 

A apresentação do plano de ajuda às famílias ficou adiada até ao final do luto nacional. Mas para Anna Valero o assunto está em suspenso “desde o verão, quando Boris Johnson saiu do cargo”. 

A expectativa agora é saber se Liz Truss vai manter os planos que anunciou aos membros do partido conservador quando estava na corrida para suceder a Boris Johnson ou se vai recuar como fez ao anunciar um teto para a fatura da energia.

“O Reino Unido sempre foi visto como tendo instituições fortes, estabilidade política e formas sensatas de produzir políticas, mas a volatilidade dos últimos anos é algo com que muitos vamos lutando nos últimos anos e é um desafio para as instituições que existem durante todo o processo do Brexit. Tínhamos uma fonte constante de certeza que era a rainha, a nossa chefe de estado, que nos viu em diferentes áreas da nossa história. Agora temos um novo monarca ao mesmo tempo que muda um governo com novas prioridades apesar de ser do mesmo governo”, analisa Anna Valero. 

À noite, e contrariando a aparente indiferença de Carlos III para com quem lhe perguntou sobre os preços da energia, na noite de sexta-feira, o primeiro-ministro do País de Gales, Mark Drakeford, revela a conversa com o rei mostra que está atento à subida dos preços de energia. “Ele está preocupado com a forma como as pessoas vão gerir com o que se vai passar no inverno”, revelou.

Quinta-feira, 16. Uma cidade com mais turistas do que nunca?

Na city, centro financeiro de Londres, o corropio é outro. Adeus turistas, olá engravatados. Adeus monumentos históricos e tijolos, olá edifícios envidraçados. É aqui que trabalha o português Eduardo Stock da Cunha,  presidente executivo de um banco de investimento no Reino Unido. Vive em Londres há oito anos, com uma pausa de dois para assumir a presidência do Novo Banco. 

Em tempos de crise será esta exposição mundial do país um bálsamo para a economia? As contas dizem que não, diz Stock da Cunha, citando o instituto de estatística britânico. “As previsões são de que a economia contraia 0,1%. Contrai em vários sectores porque há um feriado e está tudo fechado, cresce em hospitalidade, porque os hoteis estão cheios”. Mas as pessoas são incentivadas a tirarem partido da cidade enquanto esperam a última homenagem à rainha. Admirar a instalação da Tate Modern ou ver os filhos escolhidos pelo British Film Institute que estão a passar no ecrã gigante.

Os bancos, a área que interessa a Stock da Cunha estão fechados ou não fosse este um ‘bank holiday’. Mas estava tudo planeado.  “A cada seis meses fazíamos reuniões para prever o que podia acontecer numa ocasião como essas. Se havia negócio ou não, se não há operações financeiras como abordar os clientes que iam receber ou pagar nesse dia”, conta o financeiro. Ao fim de tantos e com duas filhas educadas aqui já lhe saem palavras em inglês e expressões como “nós, no Reino Unido”. Aconteceu também jantar num restaurante ao lado de William e Kate. 

Nessa quinta-feira, o futuro rei e rainha  visitaram Sandringham, em Norfolk, a propriedade de Isabel II onde a família passa os natais esta quinta-feira. Mais uma vez, agradeceram e cumprimentaram a população. William trocou as condolências por uma confissão sobre o momento em que acompanhou a pé pelas ruas de Londres a urna da avó. “Foi desafiante e trouxe memórias”, disse, lembrando o funeral da mãe, Diana. 

Todos os dias, após a morte da rainha, o rei e outros membros da família real mostraram-se ao mundo, seja em atos oficiais, comunicados ou encontros com a população.

No ‘tube’ quase sempre silencioso e apenas interrompido pelas indicações de “mind the gap” a cada paragem, a voz forte e o sotaque norte-americano do homem sobressaem. “Coitado do Carlos”, diz aos amigos. “Foi à missa sete dias por semana e trocou de farda não sei quantas vezes”.

Quarta-feira, dia 14. “Ter uma líder mulher foi uma inspiração”

A rainha saiu de Buckingham pela última vez na quarta-feira para uma viagem de 38 minutos em que é acompanhada pelo rei Carlos, os irmãos e alguns dos netos da rainha. 

É quando a multidão dispersa que Molly, outra das seguranças que esteve nas barreiras na rua do Parlamento conta à CNN Portugal que conseguiu ver alguma coisa, apesar de a sua missão implicar estar de costas para a urna e a olhar para a multidão. Lembra 1997, o ano em que a popularidade da rainha foi beliscada, mas ela soube dar a volta. Quando Isabel II se curvou perante Diana no dia do funeral. “Quebrou as regras, mudou com Diana e foi um grande momento na história. Pavimentou futuro”. 

Molly conta como a rainha lhe vai fazer falta e como queria continuar a ter uma rainha em vez de um rei. Não se conhecem posições feministas à rainha, exceto quando conduziu um príncipe saudita por Balmoral, mas não é disso que fala Molly. “A nossa geração lutou pelos direitos das mulheres e ela ser mulher, sabermos que a nossa líder era uma mulher foi uma inspiração. Parece que perdemos qualquer coisa e andámos para trás”, diz a jovem. 

Quando o assunto é o rei, as opiniões das jovens diferem. Hazel é contida. “Ainda não sei, não tenho nenhuma ligação”. Molly dispara. “Custa a gente ver tanta gente na rua e eles com tantos luxos”. Pouco depois, a comitiva da Range Rover e Bentleys cruza a rua de regresso ao Palácio de Buckingham. 

Terça-feira, dia 13. William e Kate, os mais populares depois da rainha

A urna da rainha chegou a Londres no final de uma terça-feira chuvosa, que mesmo assim juntou milhares de pessoas no Palácio de Buckingham. As flores continuavam a chegar. 

As últimas viagens da rainha - de Balmoral para Edimburgo, de Edimburgo para Londres - foram acompanhadas pela princesa Anne, 72 anos, em todos os momentos, virando as atenções para a princesa real, “uma dos membros da família real que mais trabalha e que tem uma agenda mais preenchida. É a mais parecida com a mãe, obstinada no trabalho, e faz muitas coisas que não se veem e não aparecem nos jornais”, diz uma cientista com quem a CNN falou, que prefere não ser identificada. Especialmente, quando o assunto é quebrar a unanimidade em torno do novo rei. Mas será Anne tão impopular? 

Uma sondagem da empresa Statista anterior ao jubileu da rainha punha Isabel II no primeiro lugar com uma aprovação de 81%. Seguiam-se o príncipe William e a mulher, com 75% e 70%, e depois a princesa Anne, com 67%. Todos eles estavam à frente do então príncipe Carlos, que tinha 54% de aprovação. 

Harry e Meghan tinham 32% e 23%, respetivamente. Andrew, a braços com um processo judicial por abuso de menores no EUA, era o menos popular (apenas 5% de aprovação). Numa cerimónia pública, na Escócia, um homem foi detido por lhe chamar pedófilo.

Mas se as estatísticas contrariam a perceção de que Anne é pouco apreciada,  mostram um herdeiro mais popular do que o rei. “É verdade que várias pessoas que conheço dizem que gostavam da rainha mas que nunca vão cantar o God Save The King”. 

Em entrevista à CNN Portugal, Tony Travers, que ensina o governo britânico na London School of Economics, diz que o momento é propício a debate e o movimento republicano tem aparecido mais do que nunca, a começar nas redes sociais com a tag #NotMyKing. 

Segunda-feira, dia 12. Os republicanos mostram-se

Depois do primeiro comunicado oficial em que diziam que haveria tempo para debater o que se passa com a monarquia, os republicanos britânicos condenaram a a ascensão de Carlos III ao trono e, sobretudo, as detenções na Escócia de pessoas com cartazes contra o rei e a monarquia.

“A liberdade de expressão é fundamental em qualquer democracia. Num momento em que os media estão saturados de admiração por um rei nomeado sem debate ou consentimento, é ainda mais importante”, disse o porta-voz dos republicanos, Graham Smith. 

“Carlos pode ter herdado a Coroa, mas não herdou a deferência e o respeito dispensados à mãe”, promete Graham Smith. 

Eduardo Stock da Cunha lembra como a rainha foi tal seguro de vida para a monarquia que nem Jeremy Corbyn se atraveu a criticá-la: “Ele disse que era impossível falar de república com Isabel II no poder, portanto o que lhe desejava eram muitos anos de vida porque enquanto ela aqui estiver estamos seguros como numa república”. E não acredita em grandes mudanças.

“Na quarta-feira jantei com um lord inglês que nos disse: as fundações da democracia britânica são tão fortes que em dois dias assistiu à nomeação de uma primeira-ministra e um novo rei e nada parou”. Nem o jantar, que esteve para ser cancelado, mas se manteve.

Domingo, 11 de setembro. As flores em Buckingham

As menções à rainha estão por todas as partes e foram nascendo à medida que o funeral se aproximava. Todas as estações do metro recebem os passageiros com as condolências à rainha num cartaz. A montra da cadeia M&S é ocupada por uma foto da rainha nas livrarias os livros sobre a sua vida e da família começam a sair das estantes para as mesas - cada vez mais vísiveis. 

Dois dias depois da morte da rainha, the Mall, aquela avenida larga que desemboca no Palácio de Buckingham Palace já estava adornada com a bandeira britânica - a Union Jack, símbolo do reino que une Inglaterra, Escócia, Gales e a Irlanda do Norte. Nas barreiras, o placa com o nome Simões na farda do agente dá pistas sobre a sua origem, É o próprio que confirma a origem minhota, enquanto encaminha para o jardim. 

Vestida de negro e com um ramos flores, a mulher, de aspeto desolado, deposita o ramos de flores no parque. Enquanto se afasta, enxuga as lágrimas. A rainha passou uma vida evitando emoções em público, mas os súbditos não têm tido vergonha dos seus sentimentos.

Sábado, dia 10. O passeio dos irmãos

Inesperadamente, quando as pessoas (e os jornalistas) esperavam ver William e Catherine a saudar a multidão em Windsor, uma surpresa: Harry e Meghan também lá estavam. Durante 40 minutos, distribuíram apertos de mãos, beijinhos, abraços, viram dedicatórias em cartões, receberam flores e agradeceram.

Os duques de Cambridge e dos duques de Sussex pareciam enterrar o machado em homenagem à avó. As fotografias mostram-nos juntos, os vídeos deixam perceber que poucas palavras trocaram.  

Uma imagem como esta não era vista desde 2020, o ano em que Harry e Meghan deixaram as suas funções na casa real britânica. Depois disso, só tinha possível ver o duque de Sussex (sem a mulher) no enterro do avô, Philip, com William e Kate. 

Harry e Meghan tomaram a decisão de deixar de ter funções oficiais como membros da família real no final de 2021 e vivem atualmente na Califórnia com os filhos, Archie e Lilibeth, e a quem o rei dedicou uma frase no seu discurso: “Também quero expressar o meu amor por Harry e Meghan que continuam a construir as suas vidas no estrangeiro”.

Sexta-feira, dia 9. O rei fala e cumprimenta a multidão

Quando Beatriz dos Países Baixos se tornou rainha, em 1980, aos 52 anos, o primogénito de Isabel tinha 32 anos e marcou presença. Beatriz reinou durante 32 anos, é uma das monarcas com o reinado mais longo da história do seu país. Resignou em 2013, passando o ceptro ao filho Willem Alexander, então com 46 anos. Carlos voltou a estar na assistência. Tinha 64 anos e esperou quase mais uma década para ser o protagonista da história. 

O primeiro banho de multidão de Carlos Filipe Artur Jorge aconteceu à porta do Palácio de Buckingham. O novo rei saiu do carro com a rainha consorte, Camila, e sem hesitação ele dirigiu-se a um lado da multidão, ela foi na direção oposta e distribuíram sorrisos e até um beijo inesperado.  

Foi também o dia do seu primeiro discurso, junto a foto da rainha. “À minha querida mamã, que começa a sua última viagem para se juntar ao meu querido papá, digo simplesmente obrigado. Obrigado pelo seu amor e devoção para com a nossa família e a família das nações que serviu de forma tão diligente ao longo destes anos”. 

Quinta-feira, dia 8, 18:31. “A rainha morreu"

Pela hora do almoço, a notícia caiu inesperada: os médicos estavam preocupados com a saúde da rainha. Filhos e netos dirigiam-se a Balmoral, onde a rainha estava desde junho e tinha dado posse à nova primeira-ministra, dois dias antes. Adensava-se a preocupação, reforçada pelas gravatas negras dos repórteres que acompanhavam o caso em Londres. 

Ao fim da tarde, o palácio confirmava a notícia. “A rainha morreu tranquilamente”.

Eduardo Stock da Cunha, presidente executivo de um banco de investimento no Reino Unido, estava em St. Paul’s a beber um copo após o trabalho quando a notícia chegou. “A rainha morreu”. Eram 18:31 de 8 de setembro. “A algazarra tão característica dos pubs parou”, escreveu no Facebook e contou à CNN Portugal. E foi só mesmo essa algazarra de fim de tarde que foi perturbado. “Não deve haver muitos países em que muda primeiro-ministro e morre a rainha e nada parou. É assim que os britânicos são: muito pragmáticos”.

Todos os olhares se fixaram em Londres. E, no entanto, o verdadeiro teste à monarquia acontecerá no próximo verão quando Carlos III for coroado quantos vão confirmar a sua presença na abadia de Westminter?

 

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