"O Mourinho calou-se, deixou-me falar": a história que define Jorge Costa (1971-2025)
Até as melhores equipas adormecem de vez em quando. Nesses momentos aparecem os capitães, apareceu Jorge Costa - que morreu esta terça-feira, tinha 53 anos, ele que viveu como um capitão nos anos de FC Porto e além deles
Uma das melhores equipas de sempre do FC Porto. Todos se recordam de 2002/03, quando a equipa de José Mourinho espalhava magia dentro e fora de portas, talvez até com mais qualidade do que aquilo que faria um ano depois.
Há várias histórias dessa época, mas uma é particularmente marcante e mostra bem do que é feito um capitão e do que se faz aquilo que se popularizou como um “jogador à Porto”.
A equipa que ganhava a todos com aparente facilidade apanhou-se a meio de um jogo no Restelo a perder 1-0 contra o Belenenses, numa noite complicada de meio de janeiro.
E foi assim que foi para o intervalo, deixando José Mourinho visivelmente irado com a apatia que se sentia a partir do campo.
O próprio Jorge Costa recorda ao FC Porto essa noite, lembrando uma equipa muito “apática”. E foi aí que o capitão aproveitou para os “acordar”, deixando de lado a intervenção do treinador.
“Cheguei ao intervalo e fui talvez das vezes mais agressivo de toda a minha vida. Acabei por fazê-lo de uma forma natural, porque estava mesmo natural”, conta.
#Throwback Quando Jorge Costa deu a volta a um Belenenses-FC Porto ⚽#FCPorto #BELFCP pic.twitter.com/sN8Qq9NptA
— FC Porto (@FCPorto) December 7, 2019
“O Mourinho ia a entrar, calou-se, deixou-me falar…”, continua, lembrando que ao treinador bastou dar as indicações técnicas. O resto tinha sido feito pelo homem que fica conhecido como o “Bicho”.
Voltados ao campo, Jorge Costa, que quase nunca fazia golos - marcou apenas 20 em toda a carreira -, marcou um bis e ajudou a dar a volta ao marcador. "Não era normal em mim. Fazer dois golos num jogo aconteceu-me uma vez".
É daqueles jogos que cheira a título. E nesse caso foi mesmo.
A morte do Capitão
Jorge Costa morreu esta terça-feira aos 53 anos, depois de ter sofrido duas paragens cardiorrespiratórias, a primeira quando ainda estava a assistir ao treino da equipa principal.
Foi imediatamente socorrido pela equipa médica do FC Porto, que recorreu a um desfibrilhador.
Depois foi encaminhado de urgência para o Hospital de São João, onde voltou a sofrer uma paragem cardiorrespiratória, dessa vez fatal.
O FC Porto já recordou o "Capitão", um dos jogadores mais icónicos da história do clube.
