ANÁLISE || Melhor exibição da época na Liga para os encarnados, seguramente a mais consistente, a dar continuidade ao chocolate dado ao Nápoles a meio da semana. Os golos, esses, pode vê-los todos aqui
Adulto. Se tivéssemos de encontrar uma palavra para definir a exibição do Benfica este domingo em Moreira de Cónegos, num jogo que foi transmitido pela TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal), essa serviria perfeitamente.
Não foi deslumbrante, mas foi ineficaz nas duas áreas, que é o quanto baste para fazer a diferença numa liga desequilibrada como a nossa - que o diga o FC Porto, que vai seguindo só com vitórias muito nesse registo, nomeadamente nas últimas jornadas.
O paralelismo é até interessante de se fazer. O Benfica até esteve uns furos acima daquilo que os dragões têm vindo a fazer em termos de qualidade, mas foi a frieza a finalizar e a brutal segurança a defender que fizeram toda a diferença.
Desta vez não houve aquele Benfica inseguro do Rio Ave ou Casa Pia que treme que nem vara verde até ao fim. Não houve aquele Benfica apático que precisa de rasgo individual para fazer golos, nomeadamente o primeiro, que por estas bandas desbloqueia quase tudo.
À boleia de três golos de Vangelis Pavlidis e de um chapéu de Fredrik Aursnes, os encarnados tiveram muito provavelmente a exibição mais consistente da época a jogar em Portugal.
Mesmo tendo em conta os muitos brindes dados pelo Moreirense na segunda parte, há que destacar a frieza do Benfica, que até tinha chegado à vantagem ainda no primeiro tempo numa excelente combinação que acabou com uma aula de cabeceamento de Pavlidis.
O grego viria a bisar e depois ainda a fazer o hat-trick, antes de Fredrik Aursnes aproveitar novo deslize do adversário para colocar selo de goleada na exibição.
Isto depois de na quarta-feira já ter feito o melhor jogo da época contra o Nápoles na Liga dos Campeões, pelo menos com José Mourinho no banco - é o próprio que o diz. Melhor até que em Guimarães, sim, porque foi muito mais consistente ao longo dos 90 minutos.
É um Benfica que já não está ansioso com tudo, que já confia de forma muito sólida nos seus processos. Um Benfica que espremeu aquelas borbulhas irritantes de adolescente e agora está pronto para começar a fazer a barba.
É como que uma metáfora para dizer que os encarnados têm de dar sequência ao que vêm fazendo, nomeadamente nestes últimos dois jogos.
Consistência precisa-se, claro, e também a prova de que é possível replicar isto mesmo em mais jogos de dimensão elevada. É o próximo passo a dar para José Mourinho, que continua à espera de deslizes dos rivais para se ir aproximando mais de FC Porto e Sporting.