Primeiro-ministro garantiu ainda que "nunca" decidiu "nada em conflito de interesses"
Luís Montenegro reagiu, esta sexta-feira, à polémica que o envolve e ao grupo Solverde, garantindo que, "enquanto primeiro-ministro, nunca" decidiu "nada em conflito de interesses". O chefe do Governo anunciou ainda que convocou um Conselho de Ministros extraordinário para a tarde de sábado para analisar a situação, "que não é agradável", e da qual vai sair uma decisão que o país vai conhecer às 20:00.
"Enquanto primeiro-ministro nunca decidi nada em conflito de interesses com qualquer atividade profissional e qualquer interesse particular que estivesse em causa no exercício das minhas funções profissionais. Nunca. Nunca aconteceu e nunca acontecerá. O que eu confirmo é que esta empresa presta serviços e que esses serviços são remunerados", afirmou, acrescentando que prestou serviços a essa empresa "quando não tinha nenhum cargo político".
Em causa estão dois pontos distintos: primeiro uma existência de relações entre a sociedade de advogados onde Luís Montenegro trabalhava, e que representou o grupo Solverde nas negociações com o Estado; segundo o pagamento mensal de 4.500 euros que a Solverde ainda faz à empresa da família de Luís Montenegro, a Spinumviva, e que começou em 2021.
O primeiro-ministro disse ainda que "sempre que acontecer alguma situação" em que, da sua intervenção ou da sua possibilidade de decisão, "houver alguma colisão com algum interesse particular, seja por via do exercício de funções profissionais, seja até por via do conhecimento pessoal com algumas pessoas que possam ter intervenção em algumas empresas", se eximirá de intervir.
"Agora, também quero dizer-vos que, atenta a situação criada, que não é uma situação agradável, que é uma situação que causa apreensão, eu farei uma avaliação de todo o contexto, quer pessoal, quer político", garantiu.
"Atendendo à situação criada, que não é uma situação agradável, eu farei uma avaliação do contexto, quer pessoal, quer político. Já tive ocasião de convocar um Conselho de Ministros extraordinário para amanhã à tarde e às 20:00 comunicarei ao país as minhas decisões pessoais e políticas sobre esta matéria, para que o Governo possa governar, possa concentrar toda a sua atenção, toda a sua disponibilidade, a servir o interesse do país e dos portugueses, resolvendo os seus problemas", acrescentou, para depois referir que desempenha as suas funções até com "paixão".
Questionado se a demissão está em cima da mesa, Luís Montenegro ignorou a questão. No entanto, garantiu que vai fazer "uma avaliação profunda do caso", porque "só é possível servir o país com a confiança dos portugueses".
"Eu já disse, eu vou fazer a minha avaliação da situação pessoal, familiar e política. E anunciarei ao país a minha decisão para encerrar este assunto de vez", acrescentou.
Aos jornalistas, Montenegro garantiu ainda que não tem nenhum problema que a lista de clientes da empresa que criou e onde trabalhou seja divulgada, mas que considera que devem ser os clientes a tomar essa iniciativa, tal como já tinha sugerido no Parlamento, na moção de censura apresentada pelo Chega já por causa de questões relacionadas com a Spinumviva.
"Devem ser os próprios a tomar essa iniciativa e espero mesmo que, dada toda esta situação mediática, isso possa acontecer nas próximas horas e que, ou por sua iniciativa ou com a sua autorização, o nome das empresas cujo perfil eu próprio anunciei também na Assembleia da República possa ser conhecido", reiterou.
Montenegro esclareceu ainda que "esta empresa presta serviços e esses serviços são naturalmente pagos".
"Eu não sou empresário, estou exclusivamente dedicado à minha atividade como primeiro-ministro", garantiu aos jornalistas na Câmara Municipal do Porto, antes da chegada do presidente francês, Emmanuel Macron.