Montenegro foi colaborador remunerado de duas das empresas que continuam a ser clientes da Spinumviva 

28 fev 2025, 14:42
Luís Montenegro (Paulo Novais/Lusa)

Existiu uma quase continuidade de relação entre Luís Montenegro e as duas empresas, a Ferpinta e a Rádio Popular. Primeiro, de forma direta e, depois, através da Spinumviva, empresa na qual já não tem capital, mas continua a estar no seu universo pessoal através da sua mulher

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, teve cargos remunerados em duas das sociedades para as quais a sua empresa familiar ainda presta serviços. Segundo a declaração entregue na Entidade da Transparência, foi presidente da Assembleia-Geral da Rádio Popular entre 30 de maio de 2015 e 26 de maio de 2022 e teve vários cargos no universo Ferpinta entre 30 de maio de 2015 e 25 de outubro de 2022. Todos estes cargos eram remunerados. 

Recorde-se que Luís Montenegro venceu as eleições para a liderança do PSD, contra Jorge Moreira da Silva, a 28 de maio de 2022, tendo anunciado a sua candidatura em março daquele ano. 

A Ferpinta e a Rádio Popular são duas das empresas para quem a empresa familiar de Luís Montenegro - a Spinumviva - ainda presta serviços de consultoria, segundo um comunicado enviado pela própria empresa de consultoria. De acordo com o mesmo documento, os serviços prestados tiveram início “numa altura em que era sócio e gerente desta sociedade, mas não tinha qualquer atividade política”. 

Luís Montenegro teve atividade na Spinumviva entre 21 de janeiro de 2022 e 30 de junho de 2022 e, como tal, terá sido entre estas datas que a empresa de consultoria familiar iniciou os contratos com vários clientes, entre eles os referidos Rádio Popular e a Ferpinta. 

Ou seja, houve uma quase continuidade de relação entre Luís Montenegro e as duas empresas, a Ferpinta e a Rádio Popular. Primeiro, de forma direta e, depois, através da Spinumviva, empresa na qual já não tem capital, mas continua a estar no seu universo pessoal através da sua mulher.

Particularmente, o primeiro-ministro foi presidente da Assembleia-Geral da Rádio Popular S.A. durante 7 anos, entre 30 de maio de 2015 e 26 de maio de 2022. Já no caso da Ferpinta, Luís Montenegro manteve uma série de outros cargos no universo da industrial de Oliveira de Azeméis. Desde logo, foi presidente da Assembleia Geral da Ferpinta SGPS, SA; da Ferpinta Indústria SGPS, SA e da Ferpinta Imobiliária, SA.

Além destas duas empresas, segundo o comunicado enviado esta sexta-feira pela Spinumviva, foram também revelados contratos com outras empresas até agora desconhecidas: a Lopes Barata, Consultoria e Gestão, Lda e o CLIP - Colégio Luso Internacional do Porto. A juntar a estas está também o grupo Solverde, revelado como cliente pelo Expresso. 

Em todos estes casos a Spinumvia prestou serviços na área da implementação e desenvolvimento de planos de ação no âmbito da aplicação do Regulamento Geral de Proteção de Dados.

De acordo com o comunicado, a consultora nega “qualquer envolvimento político” no serviço prestado a estas empresas e garante que a relação contratual com “cada um dos seus clientes teve início” quando Luís Montenegro “era sócio e gerente desta sociedade, mas não tinha qualquer atividade política”.

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