A área marinha do monte Gorringe é considerada uma região com elevado valor ecológico e que integra desde 2015 a Rede Natura 2000 como Zona Especial de Conservação
A ministra do Ambiente e Energia anunciou, esta quarta-feira, que Portugal vai classificar o monte de Gorringe como área marinha protegida, durante a Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, na cidade francesa de Nice.
"Em termos de proteção marinha, somos o país mais avançado do mundo, com as nossas caraterísticas que combinam território continental e insular. Somos certamente o líder na Europa", afirmou Maria da Graça Carvalho.
A governante confirmou à Renascença que o Conselho de Ministro vai aprovar um decreto-lei para proteger as áreas oceânicas nacionais, abrindo o caminho para o aumento de 19% para "27% e 30%" da área protegida do mar português. Esta posição coincide com as declarações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, dias antes, abrindo a porta a uma maior fiscalização a possíveis intrusões de embarcações estrangeiras nestas áreas.
“O banco Gorringe tem todo o trabalho científico já feito, numa cooperação entre a Fundação Oceano Azul, o ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e Florestas), várias instituições científicas nacionais e internacionais, cofinanciada pelo Fundo Ambiental", refere a ministra, que recorda que já foi feita "uma expedição no navio Santa Maria Manuela" e que recolheu "todos os dados" para fazer a conservação e a proteção daquela área marinha.
A ministra adiantou que o decreto-lei está pronto e que agora segue-se a realização do modelo de gestão, sublinhando que espera que este processo esteja concluído até ao final do ano e acredita que a próxima área a ser classificada como protegida seja Mafra, Cascais e Sintra.
O Monte Gorringe, aproximadamente a 200 quilómetros a sudoeste do cabo de S. Vicente, no Algarve, tem 23 mil quilómetros quadrados e ergue-se dos cinco mil metros de profundidade a poucas dezenas de metros abaixo da superfície do mar, em dois picos, o Gettysburg e o Ormonde.
Considerado com elevado valor ecológico, o banco de Gorringe integra desde 2015 a Rede Natura 2000 como Zona Especial de Conservação. Esta área tem uma vasta diversidade de habitats e centenas de espécies, como corais e campos de esponjas e florestas de algas, que são ameaçados pela pesca. Várias expedições revelaram que, apesar da sua riqueza ecológica, este monte tem bastante lixo marinho, particularmente equipamento de pescadores abandonado.
A ministra recordou que o “grande salto” de Portugal nesta área “foi dado pela proteção de 30% do mar dos Açores”, que possibilitou ao país estar nos atuais 19% de áreas marinhas protegidas.
