Portugal faz diferente do Reino Unido: 2.700 vacinas para a monkeypox vão ser oferecidas “independentemente da orientação sexual, como é óbvio”

21 jun, 20:20
Monkeypox (GettyImages)

“Não é segredo para ninguém que as pessoas que têm sido mais afetadas são homens com sexo com outros homens e homens com múltiplos parceiros, isto é claro e óbvio, mas não podemos estigmatizar: sabemos que a transmissão não é sexual, apenas pode ter entrado nesse grupo de pessoas”

Portugal vai receber 2.700 vacinas para a monkeypox que vão ser administradas “independentemente da orientação sexual, como é óbvio”. Estão destinadas aos contactos próximos de pessoas infetadas, “sejam contactos profissionais, pessoais ou sexuais, desde que cumpram o critério de contacto de proximidade”, garante à CNN Portugal Margarida Tavares, porta-voz da Direção-Geral da Saúde para este surto.

Ao contrário do que o Reino Unido e a Alemanha vão fazer, Portugal não terá a orientação sexual como base para a vacinação, até porque, frisa a médica, os “critérios da DGS nunca assentaram” nas opções sexuais. “Sempre tivemos esse cuidado em não estigmatizar, fomos sempre muito cuidadosos na nossa comunicação. Nunca ninguém me ouviu falar em orientação sexual, nem à Direção-Geral da Saúde, nem ao Ministério da Saúde. No máximo, o que temos falado são de práticas associadas a um aumento do risco. Não é por receio de falar - é porque essa é a forma correta de se falar. O que temos de falar são de práticas e atitudes que possam aumentar o risco. Não é segredo para ninguém que as pessoas que têm sido mais afetadas são homens que tiveram sexo com outros homens e homens com múltiplos parceiros, isto é claro e óbvio, mas não podemos estigmatizar: sabemos que a transmissão não é sexual, apenas pode ter entrado nesse grupo de pessoas”, afirma a médica.

Vacinas podem chegar ainda este mês

Para já, Portugal “adquiriu 2.700 vacinas” - das 109.090 adquiridas pela Comissão Europeia - e está “a contar com elas até ao final do mês - foi a estimativa que foi dada”, embora Margarida Tavares não consiga dar uma data concreta para quando a vacinação será iniciada, até porque, diz, “ainda há características que desconhecemos . em termos de armazenamento, quanto tempo a vacina está disponível a vários tipos de temperatura, para sabermos a cadeia de frio”.

Ao “contrário do Reino Unido, que já tinha uma reserva” e que, por isso, irá ter um plano de vacinação mais abrangente e a acontecer de imediato, em Portugal, e “para este pequeno número de vacinas, a nossa prioridade vai ser vacinar os contactos dos casos” e, mais uma vez, frisa, "independentemente da orientação sexual em causa". A vacinação dos contactos de maior proximidade é conhecida como vacinação em anel e é aquela que possibilita a quebra da cadeia de contágios.

Margarida Tavares diz que a norma da DGS sobre a vacinação para a monkeypox "está a ser preparada". "Fizemos um parecer sobre a forma como era suposto usar as vacinas em Portugal, a quem será destinada” e “estamos agora a conversar com os vários parceiros no sentido de preparar um circuito e tudo o que implica implementar a vacinação, isto é, implica identificar os contactos, onde vamos ter essas vacinas, entre outros aspetos”, diz.

“Para podermos disponibilizar este número relativamente pequeno de vacinas, temos de ter algo capaz em termos logísticos. Uma coisa é ter imensas vacinas, outra é ter um número tão pequeno de vacinas, mas foi aquele que nos foi destinado pela Europa nesta primeira fase. Temos de ser muito parcimoniosos como vamos dar e identificar as pessoas”, explica a médica.

Esta terça-feira, a Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA, na sigla original) anunciou que vai oferecer vacinas a homens homossexuais e bissexuais que possam estar em maior risco de contrair Monkeypox. Segundo aquela autoridade, que emitiu a decisão em comunicado, o alargamento da vacinação vai abranger os homens “em maior risco de exposição” à doença. Também a Alemanha anunciou no início do mês que todos os maiores de 18 anos expostos à Monkeypox ou com risco aumentado de infeção serão vacinados com Imvanex, da Bavarian Nordic, e aqui incluem-se, disse a Reuters, “homens que fazem sexo com vários parceiros do sexo masculino e trabalhadores de laboratório de doenças infecciosas”.

Portugal ultrapassou esta terça-feira os 300 casos de Monkeypox.

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