Monkeypox: a vacina, os conselhos e as primeiras mortes fora de África

29 jul, 22:25
Monkeypox

OMS alerta que qualquer pessoa pode contrair o vírus, mas exclui, para já, a vacinação em massa contra a doença

A Monkeypox continua a propagar-se um pouco por todo o mundo, e esta sexta-feira registaram-se as primeiras mortes pela doença fora de África desde que o surto começou, em maio.

No Brasil, onde já foram confirmados mais de mil casos do vírus, o Ministério da Saúde do país anunciou ao início da manhã de sexta-feira a morte de um doente na cidade de Uberlândia, no estado de Minas Gerais, onde já foram detetados 44 casos. De acordo com as autoridades de saúde, o homem tinha imunidade baixa.

Em Espanha, a primeira morte por este vírus foi confirmada pelo Ministério da Saúde local, com base nos dados da Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica (RENAVE). Com 4.307 casos, Espanha é dos países mais afetados por esta doença que a Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou como emergência de saúde pública internacional, sendo que 3,2% dos doentes tiveram de ser hospitalizados, havendo agora um óbito a registar.

Desde o início do surto que a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem emitido várias recomendações para evitar a propagação da doença. A mais recente, dada pelo próprio diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Gebreyesus, indicava aos homens que têm relações sexuais com outros homens, faixa que representa 98% dos casos da doença, para reduzirem o número de parceiros sexuais, bem como para trocarem informações com qualquer novo parceiro “para que se possam isolar”.

Apesar disso, as Nações Unidas reforçam que a Monkeypox não está classificada como uma Doença Sexualmente Transmissível (DST), dado que ainda não se confirmou que os fluidos corporais transmitem o vírus, e também relevam que toda a gente pode contrair a doença, uma vez que esta se propaga através de contactos próximos entre humanos, como beijos ou abraços.

A OMS alerta ainda que as pessoas com imunidade baixa, crianças e grávidas são especialmente vulneráveis a infeções graves. "As crianças podem ter erupções cutâneas extensas e ficar desidratadas. Se aparecem caroços no pescoço, podem ter dificuldades em engolir e dores graves na boca", explicou a líder técnica do organismo para a Monkeypox, Rosamund Lewis.

Sobre a vacina, a OMS não recomenda, para já, a imunização em massa contra a doença. “Ainda nos faltam dados sobre a eficácia das vacinas contra a Monkeypox, ou quantas doses podem ser necessárias. É por isso que instamos todos os países que estão a utilizar vacinas a recolher e partilhar dados críticos sobre a sua eficácia", disse Gebreyesus, que sublinhou que a vacina não garante proteção instantânea contra a doença. "Isso significa que as pessoas vacinadas devem continuar a tomar medidas para se protegerem, evitando o contacto próximo, incluindo sexo, com outras pessoas que tenham ou estejam em risco de ter Monkeypox".

Mais de 22 mil casos foram detetados em todo o mundo desde o início de maio, cerca de 18 mil fora de África, onde é endémica. A Monkeypox foi relatada em 75 países até agora e 70% dos casos estão concentrados na Europa e 25% nas Américas, disse o responsável da OMS. A nível global, os 10 países mais afetados são: Estados Unidos da América (4.907), Espanha (4.307), Alemanha (2.595), Reino Unido (2.469), França (1.955), Brasil (1.066), Países Baixos (878), Canadá (803), Portugal (633) e Itália (479).

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