Monkeypox chegou à China e há um conselho à população: não toquem em estrangeiros

19 set, 11:27
Desinfeção

Especialista garante que só as medidas de combate à covid-19 permitiram que o país tivesse ficado sem casos da doença durante tanto tempo

O principal epidemiologista do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças da China aconselhou os cidadãos chineses a não tocarem nos cidadãos estrangeiros. Tudo depois de ter sido confirmado o primeiro caso de monkeypox no país.

Através da plataforma Weibo, uma das redes sociais mais populares na China, Wu Zunyou disse que foram as medidas de combate à covid-19 instauradas por Pequim que adiaram a chegada do primeiro caso desta doença ao país. Apesar disso, escreveu o responsável, um caso “escapou pela rede”.

O caso a que o especialista se referiu foi detetado em Chongqing, no sudoeste da China, e foi confirmado durante a vigência da “chegada internacional”, uma medida aplicada para controlar a covid-19, identificando todos os estrangeiros que chegassem a solo chinês. Apesar disso, as autoridades não divulgaram a nacionalidade da pessoa infetada com monkeypox.

“É necessário e importante reforçar a monitorização e prevenção da monkeypox”, escreveu Wu Zunyou, que ressalvou que a propagação da doença pode ser impulsionada pelas viagens e pelo contacto próximo. Entre as cinco recomendações deixadas à população, uma destacou-se: “Não tenham contacto de pele com pele com estrangeiros”.

A publicação do epidemiologista foi recebida com um misto de elogio e críticas. Por um lado, há quem tenha ficado aliviado: “É bom abrirmos as portas do país, mas não podemos deixar entrar toda a gente”, escreveu um utilizador naquela mesma rede social, citado pela CNN Internacional.

Mas também há quem veja na publicação de Wu Zunyou discriminação, com muitos chineses a recordarem aquilo que entendem ter sido uma onda de violência e xenofobia que os povos asiáticos enfrentaram no início da pandemia de covid-19, que começou na cidade chinesa de Wuhan.

Alguns temem que possa estar a acontecer o contrário, sendo que o próprio Wu Zunyou fez a comparação: “É um pouco como no começo da pandemia, quando lá fora evitavam os chineses por medo”.

“Não acredito nisso porque nenhuma das coisas tem base científica, estão em todo o lado e aumentam o pânico”, acrescentou.

Há ainda quem tenha recordado que muitos estrangeiros já estão na China há vários anos, destacando que essas pessoas poderão ser discriminadas, mesmo que seja tão provável que tenham o vírus da monkeypox como qualquer chinês que não tenha deixado o país.

A mais recente vaga de monkeypox já chegou a quase todo o mundo. Segundo o Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, mais de 61 mil casos foram identificados em dezenas de países, sendo que mais de 60 mil se encontram em zonas onde a doença não é endémica. Recorde-se que a monkeypox é uma doença comum em países africanos, como a República Democrática do Congo ou a Nigéria.

Com mais de 23 mil casos, os Estados Unidos são mesmo o país com mais infeções confirmadas. Em Portugal, e de acordo com os mais recentes dados, já foram identificados 898 casos, depois de o país ter sido um dos primeiros a confirmar contágios no início da vaga. A Direção-Geral da Saúde já arrancou, entretanto, com um processo de vacinação preventiva.

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