Austrália declara monkeypox "doença transmissível de importância nacional”

Agência Lusa , AM
28 jul, 07:12
Monkeypox (GettyImages)

Até ao momento, contabilizaram-se no mundo mais de 18 mil casos

As autoridades de saúde australianas declararam hoje a varíola dos macacos uma "doença transmissível de importância nacional", depois de registar 44 infeções no país, na maioria em pessoas que regressaram do exterior.

O anúncio foi feito pelo diretor clínico do governo australiano, Paul Kelly, e vem abrir portas à mobilização de recursos para combater a doença nas áreas mais afetadas, bem como à implementação de medidas para controlar o vírus.

Num comunicado, Kelly referiu que a varíola dos macacos “é muito menos prejudicial do que a covid-19 e que nenhuma morte foi registada durante o atual surto, fora dos países onde o vírus é endémico”.

Até ao momento, contabilizaram-se no mundo mais de 18 mil casos de varíola dos macacos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A Espanha é o país com mais casos (3.595, um quinto do total), seguindo-se Estados Unidos (2.881), Alemanha (2.410), Reino Unido (2.208) e França (1.567).

Em Portugal foram confirmadas 588 infeções.

Cerca de 70% dos casos concentram-se na Europa e 25% no continente americano: o Brasil registou até à data 696 casos, o Canadá 681, o Peru tem 203 e o México 59.

Cinco pessoas morreram da doença (todas em África) e cerca de 10% dos casos exigem internamento hospitalar para tentar aliviar a dor dos pacientes.

A OMS recomendou na quarta-feira aos homens que praticam sexo com outros homens que reduzam o número de parceiros sexuais.

O diretor da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou, durante uma conferência de imprensa realizada em Genebra, na Suíça, que a melhor maneira de se protegerem é “reduzir o risco de exposição à doença”.

Para os homens que fazem sexo com homens, isso também significa, de momento, reduzir o número dos parceiros sexuais e trocar informações com qualquer novo parceiro para poder contactá-los em caso de aparecimento de sintomas, para que se possam isolar, explicou Tedros Ghebreyesus, após a OMS ter declarado no sábado a doença como uma emergência de saúde pública de preocupação internacional, o nível mais alto de alerta.

A Direção-Geral da Saúde portuguesa aconselha as pessoas que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, a procurar aconselhamento médico e a evitarem contacto físico direto.

A vacina contra a varíola, assim como antivirais e a imunoglobulina 'vaccinia' (VIG), podem ser usados como prevenção e tratamento para esta doença rara.

A doença, que tem o nome do vírus, foi identificada pela primeira vez em humanos em 1970 na República Democrática do Congo, depois de o vírus ter sido detetado em 1958 no seguimento de dois surtos de uma doença semelhante à varíola que ocorreram em colónias de macacos mantidos em cativeiro para investigação - daí o nome "Monkeypox" ("monkey" significa macaco e "pox" varíola).

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