Negociador discreto nos bastidores e filho “mais influente” de Ali Khamenei é o escolhido pela Assembleia dos Peritos
Mojtaba Hosseini Khamenei foi oficialmente anunciado como o novo Líder Supremo do Irão, informou este domingo a autoridade religiosa do país. Filho do falecido Ali Khamenei, Mojtaba torna-se assim o terceiro Líder Spremo da República Islâmica, fundada em 1979.
Nascido a 8 de setembro de 1969, Mojtaba era considerado o filho “mais influente” do ex-líder, tendo servido na Guerra do país contra o Iraque entre 1987 e 1988. Segundo algumas fontes do país, Mojtaba terá ainda assumido o controlo da milícia paramilitar Basij, utilizada para reprimir protestos após as eleições de 2009.
Apesar de ser considerado um negociador discreto nos bastidores, o agora novo líder supremo do país enfrentava obstáculos para a sua escolha: não era clérigo de alto escalão, não detinha cargos oficiais e já tinha sido alvo de sanções norte-americanas em 2019. A sucessão de pai para filho era também mal vista por setores da hierarquia clerical xiita, especialmente num Irão revolucionário que sucedeu à monarquia derrubada.
Segundo o jornal Iran International, Mojtaba Khamenei era o preferido da Guarda Revolucionária Islâmica, que terá pressionado a Assembleia de Peritos para garantir a sua eleição. Este órgão eleito, responsável por escolher o líder supremo, já teria, no sábado, praticamente decidido a sucessão.
Na manhã deste domingo, o aiatola Mohsen Heidari Alekasir explicou que o sucessor tinha sido escolhido seguindo o conselho do falecido líder: “deve ser odiado pelo inimigo e não elogiado por ele”. O clérigo acrescentou que até o “Grande Satã”, numa referência aos Estados Unidos, já teria “mencionado o nome do escolhido”. As declarações surgem dias depois de Donald Trump ter considerado “inaceitável” a possibilidade de Mojtaba Khamenei assumir o cargo.
Na véspera, o aiatola Mohammad Mehdi Mirbagheri, membro da Assembleia de Peritos, tinha afirmado que “formou-se uma opinião decisiva e esmagadora - que representa a posição da maioria”. No entanto, sublinhou que “nestas circunstâncias difíceis, existem obstáculos” e que o processo teria de ser conduzido com cuidado para não ser alvo de contestação.