Mohammed Deif, mentor dos ataques de 7 de outubro, morreu no "ataque preciso e direcionado" em Khan Younis

CNN , Dana Karni e Sophie Tanno
1 ago 2024, 14:28
Mohammed al-Deif (AP)

Ataque aconteceu há quase três semanas. Morte só agora foi confirmada

As forças armadas israelitas afirmaram que um dos alegados mentores dos ataques de 7 de outubro, Mohammed Deif (chefe militar do Hamas), foi morto num ataque levado a cabo no sul de Gaza no mês passado.

A reivindicação da morte de Deif surge um dia depois do líder político do Hamas, Ismail Haniyeh, ter sido assassinado em Teerão, capital do Irão.

Um oficial militar israelita disse à CNN que receberam novas informações nas últimas horas que lhes deram confiança para confirmar a morte de Deif, quase três semanas depois de terem executado o ataque em Khan Younis. O oficial não quis especificar a natureza dessas informações.

Não houve qualquer declaração imediata do Hamas. A CNN contactou o grupo militante para obter comentários.

Um comunicado das Forças de Defesa de Israel (IDF) afirma ter realizado um "ataque preciso e direcionado" a um complexo onde se encontravam Deif e outro comandante, Rafe Salama. As IDF anunciaram a morte de Salama no mês passado.

Nas últimas semanas, as autoridades israelitas disseram ter indicações de que o ataque tinha sido bem sucedido, mas só agora puderam confirmar a sua morte.

O ataque contra Deif em Khan Younis no mês passado atingiu uma zona humanitária designada, matando pelo menos 90 palestinianos. As imagens do campo de deslocados de Al-Mawasi mostram corpos na rua e tendas destruídas.

Figura esquiva e poderosa, Deif é considerado um dos autores dos atentados de 7 de outubro. Dirigiu o braço armado do grupo militante palestiniano durante mais de duas décadas.

Israel tem afirmado repetidamente que um dos seus principais objetivos de guerra é eliminar o Hamas em Gaza. A morte de Deif torná-lo-ia o mais alto responsável militar do Hamas morto na Faixa de Gaza desde o início da guerra.

Pensa-se que Deif tenha nascido na década de 1960 no campo de refugiados de Khan Younis, um dos vários campos estabelecidos em Gaza no final da década de 1940 para os palestinianos deslocados a quem o recém-criado Estado de Israel negou a liberdade de regressar às suas casas.

Nascido como Mohammad Diab Ibrahim al-Masri, ficou mais tarde conhecido como "El Deif" ou "o Hóspede", devido ao seu hábito de ficar em casas diferentes todas as noites durante décadas para evitar ser seguido e morto por Israel.

Durante décadas, Deif esteve no topo da lista dos mais procurados por Israel, que o considera responsável pela morte de dezenas de cidadãos israelitas. Tanto os Estados Unidos como a União Europeia incluíram-no em listas negras de terroristas.

O Ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, saudou o anúncio como um "marco significativo no processo de desmantelamento do Hamas como autoridade militar e governamental em Gaza".

Numa declaração no X, Gallant escreveu: "A operação foi conduzida com precisão e profissionalismo pelas IDF e pela ISA (Agência de Segurança de Israel). Esta operação reflecte o facto de o Hamas se estar a desintegrar e de os terroristas do Hamas poderem render-se ou serem eliminados".

"O sistema de defesa de Israel perseguirá os terroristas do Hamas - tanto os que planearam como os que perpetraram o massacre de 07.10. Não descansaremos enquanto esta missão não for cumprida", acrescentou.

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