Duelo está marcado para o dia 28 de dezembro, no Dubai
Aryna Sabalenka, líder do ranking feminino de ténis, e Nick Kyrgios, que já andou às portas do top 10 masculino mas, atualmente, ocupa um modesto 652.º lugar devido às lesões, reeditam, a 28 de dezembro no Dubai, a “Batalha dos Sexos”, um conceito que, há mais de 50 anos, colou mais de 90 milhões de pessoas aos ecrãs para ver Billie Jean King derrotar Bobby Riggs. Uma história incrível que teve, até, direito a um filme.
Em 1973, Riggs, que chegou a ser o número 1 do mundo, derrotou a então líder da hierarquia feminina, Margaret Court (6-2 e 6-1), na primeira “Batalha dos Sexos” da história. Um resultado que reforçava a sua convicção de que uma mulher era incapaz de derrotar um homem em court.
Não demorou muito para que Billie Jean King desafiasse Riggs para um novo duelo, que aconteceu nesse mesmo ano, em Houston. Perante mais de 30 mil pessoas nas bancadas, e uma audiência televisiva estimada em mais de 90 milhões de espectadores, a tenista norte-americana, então com 29 anos, acabaria por vencer os três sets que disputou com Bobby Riggs, por 6-4, 6-3 e 6-3.
O triunfo de Billie Jean King foi encarado como um momento de emancipação das mulheres no mundo do desporto e deu origem a um filme, sem surpresa intitulado de Batalha dos Sexos, que estreou em 2017 e teve Emma Stone e Steve Carrell nos papéis principais.
O conceito da “Batalha dos Sexos” foi-se renovando, de tempos a tempos. Em 1992, Martina Navratilova, com 35 anos, perdeu para o já aposentado Jimmy Connors, cinco anos mais velho, por 7-5 e 6-2, num encontro em que o tenista norte-americano só podia servir uma vez e tinha de defender também os corredores de pares.
Seis anos depois, Venus Williams, à data uma das melhores tenistas do mundo, foi derrotada pelo então número 203 masculino Karsten Braasch (6-2 e 6-2). Mais recentemente, em 2023, a jovem Mirra Andreeva, então com 16 anos e que ocupava o 57.º posto no ranking WTA, perdeu por 7-5 e 6-2 frente a Yanis Ghazouani Durand, que ocupava o lugar 1145 na hierarquia masculina, num jogo de exibição em França.
Agora, Sabalenka e Kyrgios voltam a colocar em confronto as diferenças entre homens e mulheres no ténis. No dia 28 de dezembro, no Dubai, vão disputar uma partida à melhor de três sets, com um super tie-break no terceiro parcial caso seja necessário disputá-lo.
Segundo a BBC, o lado do court de Sabalenka vai ser encurtado em 9 por cento e cada tenista apenas poderá servir uma vez por ponto disputado, medidas que visam colocar os dois jogadores a um nível mais aproximado entre si.
Aos 30 anos, Kyrgios, acossado por uma série interminável de lesões, só disputou cinco partidas neste ano, tendo caído para um impensável 652.º lugar no ranking ATP. Com sete títulos no currículo, o australiano, que foi finalista do Estoril Open em 2015, teve na presença na final de Wimbledon, perdida para Djokovic em 2022, um dos pontos altos da carreira.
Quanto a Sabalenka, de 27 anos, lidera o ranking WTA e tem quatro títulos do Grand Slam no currículo, dois deles conquistados na Austrália e os restantes no US Open.
No podcast apresentado por Alexander Bublik, outro dos figurões do circuito masculino, Kyrgios disse não acreditar que Sabalenka lhe consiga fazer frente. «Achas mesmo que tenho de dar 100 por cento? Vou estar focado, afinal represento os homens aqui. Diria que vou ganhar por 6-2», chegou a dizer.
Já Sabalenka sente que não tem nada a perder: «Estou orgulhosa por poder representar o ténis feminino nesta reedição da “Batalha dos Sexos”. Apenas quero jogador o meu melhor ténis e deixá-lo numa situação desconfortável. Para ele é uma situação de perder ou perder, sabem? Tenho muito respeito por ele, mas estou preparada para dar o meu melhor para lhe ganhar».