Djokovic na Austrália retido no aeroporto: visto cria dúvidas

5 jan, 16:10
Novak Djokovic na final do Masters 1.000 de Pari (Christophe Petit Tesson/EPA)
Novak Djokovic na final do Masters 1.000 de Pari (Christophe Petit Tesson/EPA)

Tenista sérvio foi interrogado depois de aterrar por, alegadamente, ter visto que não permite isenções médicas

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O tenista sérvio Novak Djokovic aterrou em Melbourne, Austrália, pelas 23h30 locais desta quarta-feira (12h30 em Portugal), mas continua no aeroporto devido a dúvidas com a documentação que prova a isenção médica recebida para entrar no país e disputar o Open da Austrália, o primeiro torneio Grand Slam de 2022.

De acordo com a imprensa local, nomeadamente o The Age e o Sydney Morning Herald, o governo de Vitória - estado no qual se realiza o torneio - foi informado pela Força de Fronteira Australiana (ABF, Australian Border Force) de que Djokovic teria afinal um visto que não permitia isenções médicas por não estar vacinado contra a covid-19.

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Segundo os jornais australianos, a ABF interrogou o 20 vezes vencedor de torneios do Grand Slam pelo menos uma hora e 15 minutos numa sala do aeroporto, em Melbourne, sobre as autorizações envoltas na sua entrada no país.

Uma fonte do governo federal, citada pela mesma imprensa, confirmou que havia dúvidas sobre se Djokovic tinha a documentação adequada que prova a isenção médica que ele próprio anunciara na terça-feira. Além disso, a mesma fonte adiantou que não era claro se uma pretensa infeção por covid-19 nos últimos seis meses – que se suspeita ser a justificação para a isenção – seria suficiente para permitir a Djokovic entrar, protegido pelas diretrizes do governo federal da Austrália. Em todo o caso, a confirmar-se isto, Djokovic já teria estado reinfectado, uma vez que acusou positivo em junho de 2020.

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Uma certeza, por outro lado, foi deixada pela ministra do desporto de Vitória: Jaala Pulford confirmou nas últimas horas, através da rede social Twitter, que não apoiaria a concessão de visto a Djokovic para participar no Open da Austrália.

«O governo federal perguntou se nós iríamos apoiar o pedido de visto para Novak Djokovic entrar na Austrália. Nós não vamos fornecer apoio individual ao pedido de visto de Novak Djokovic para participar no Open da Austrália 2022. Sempre fomos claros em dois pontos: a aprovação de vistos é um assunto para o governo federal e as isenções médicas é um assunto para os médicos», afirmou Pulford, espelhando aquilo que é a oposição dos altos funcionários vitorianos sobre a possível entrada de Djokovic.

Um porta-voz da ABF, citado pelos jornais locais, rejeitou as alegações de Pulford. «A ABF não solicitou o visto do governo de Vitória. A ABF entrou em contacto com o governo de Vitória para validar as suas declarações públicas sobre o apoio para a entrada, e se Vitória tinha mais informação relacionada com a documentação da isenção médica», refere.

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Em todo o caso, as forças fronteiriças podem permitir que Djokovic entre na Austrália, apesar da nega dada pelo governo de Vitória. Resta é saber em que condições isso poderá acontecer.

Já esta quarta-feira, o governo australiano admitiu enviar Djokovic para casa «no primeiro avião» e o diretor do Grand Slam, Craig Tiley, também já tinha pedido a Djokovic para revelar os motivos da exceção médica, mas garantiu que o sérvio não foi beneficiado.

A propósito disto, recorde-se ainda que, terça-feira, a Tennis Australia, parceira do governo de Vitória na organização do Open da Austrália, foi alvo de críticas pela exceção atribuída a Djokovic, tendo emitido um comunicado a explicar como o processo se desenrolou.

«Djokovic pediu uma exceção médica que foi concedida depois de um processo rigoroso que envolveu dois painéis médicos independentes. Um foi o Independent Medical Exemption Review Panel (IMERP), formado pelas autoridades de saúde de Vitória. Avaliaram todas as candidaturas para ver se correspondiam às regras do Australian Technical Advisory Group on Immunisation (ATAGI)», referiu a Tennis Australia, detalhando que o processo de candidatura à isenção médica passa pela avaliação do ATAGI por médicos de doenças infeciosas e imunologia e que, havendo seguimento, passaria pelo IMERP, com a avaliação de um segundo painel de especialistas, estes definidos pelo Governo.

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