Nadadora que desmaiou conta o que sentiu: «Vi tudo negro à minha volta»

24 jun, 10:51

Anita Álvarez conta ao jornal «El País» que estes incidentes são frequentes na natação sincronizada e diz que está determinada em voltar à competição já esta sexta-feira

Anita Álvarez, a nadadora norte-americana que desmaiou em plena competição, contou ao jornal espanhol El País o que sentiu antes de perder a consciência e anunciou que tenciona participar esta sexta-feira na final do Mundial de natação sincronizada que está a decorrer em Budapeste, na Hungria.

«Foi uma temporada longa. Fraturei um pé em fevereiro, fui operada em março e voltei à competição em maio porque estava determinada em participar nestes Mundiais», começou por contar a nadadora norte-americana junto à piscina onde, no dia anterior, desmaiou.

As imagens de Anita a afundar-se na piscina, antes de ser salva pela treinadora, correram o mundo, mas a nadadora conta que é vulgar estes incidentes ocorrerem na natação sincronizada. «Como em qualquer desporto, forçamos o nosso corpo até ao limite e às vezes até passamos um bocadinho. As pessoas não se apercebem porque o que vêm é uma imagem de harmonia e felicidade. Sorrimos com maquilhagem. Essas pequenas coisas escondem o tremendo esforço que fazemos. Quando acabamos um treino sentimos que morremos. Nem nos conseguimos mexer. As pessoas não têm noção que estes desfalecimentos são frequentes. Eu atraí as atenções porque aconteceu num Mundial, mas neste desporto todos os dias há nadadoras a desfalecer. Não aconteceu apenas comigo», conta.

Anita conta depois o que sentiu momentos antes de perder a consciência. «Senti apenas que estava a deixar tudo na piscina. No último exercício, em que tenho de despedir-me levantando um braço, lembro-me de pensar: “Levanta esse braço! Não desistas agora. Dá tudo até ao último segundo!” Houve outras vezes que senti que ia desmaiar. Desta vez estava muito compenetrada no meu papel, a viver o momento intensamente. Continuei, continuei… Às vezes sentes uma dor e tens de parar. É como no atletismo. Estava cansada como sempre, mas estava a desfrutar. Quando senti que por fim podia relaxar, vi tudo negro à minha volta. Não me lembro de mais nada», revela.

Um incidente normal para Anita, mas a verdade é que as imagens tiveram impacto. «Ao início fiquei chocada. Não estava à espera que publicassem algo assim. Não quis ver a imagem com pessimismo. Agora penso que as fotos até são bonitas de alguma forma. Ver-me ali debaixo de água, tão em paz, tão em silêncio, e depois ver a Andrea [a treinadora], com o braço esticado a tentar alcançar-me, como se fosse uma super-heroína… Às vezes o lugar mais pacífico da terra é debaixo de água, quando te sentas no fundo da piscina em silêncio. Sentes que não tens peso e estás contigo mesmo. Gosto muito», conta.

A verdade é que o incidente não abalou Anita que está determinada em voltar à competição. «Descansei muito, toda a noite e todo o dia. Sinto o meu corpo completamente normal. Já me tinha acontecido. Descansas e no dia a seguir voltas à água. Tens de fazer isso para não encher a tua cabeça com receios. Os médicos já me observaram. Quero terminar esta competição. Estou muito contente com o meu solo e agora não quero faltar ao compromisso que tenho com a minha equipa na final livre. Quero acabar com a cabeça levantada. Quero que as minhas companheiras sintam que podem confiar em mim», destacou ainda.

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