Judo: sete atletas denunciam «clima tóxico» na Federação

11 ago, 14:42
Telma Monteiro nos Europeus de Lisboa (EPA)

O presidente da federação, Jorge Fernandes, é visado na carta aberta subscrita pelos judocas

Os atletas olímpicos Telma Monteiro, Catarina Costa, Bárbara Timo, Rochele Nunes, Patrícia Sampaio e Anri Egutidze acusam a Federação Portuguesa de Judo, nomeadamente o seu presidente, Jorge Fernandes, de opressão e de «clima tóxico» e apelam à intervenção da tutela do desporto.

Em carta aberta assinada por seis judocas, mais Rodrigo Lopes, num total de sete dos 10 atletas do projeto olímpico da modalidade, são muitas as críticas a Jorge Fernandes, sendo acusado de discriminação e ameaças, no que dizem ser um «clima insustentável e tóxico».

Os judocas lamentam que Jorge Fernandes continue a insistir na obrigatoriedade da presença em Coimbra em 70/80 por cento dos 52 estágios num ano, ameaçando com a exclusão da equipa, caso os atletas falhem esse pressuposto. 

«Aquilo que foi uma boa solução durante o período em que a pandemia causada pela covid-19 impôs a criação de uma bolha de treino, em Coimbra, que nos permitiu estar nos Jogos em segurança, é hoje um dos fatores em que discordamos profundamente da estratégia imposta pela federação», referem em comunicado.

Um cenário que, explicam, os impede de participar em estágios internacionais e treinarem com os melhores do mundo, além de o fazerem num local que dizem não ter condições: «por vezes, estão apenas oito atletas presentes para treinar, e durante o inverno chegar a estar sete graus dentro do pavilhão».

A menos de dois anos dos Jogos Olímpicos de Paris2024, os judocas pedem «uma gestão criteriosa» da carreira desportiva e financeira e apelado ainda que as respetivas bolsas olímpicas sejam geridas pelo Comité Olímpico de Portugal.

«Sugerimos que as bolsas dos judocas olímpicos passem a ser geridas pelo próprio Comité Olímpico de Portugal, em sintonia com os clubes e os treinadores”, defendem, apelando que à ajuda das entidades que regem o desporto, para que se chegue a uma solução, caso contrário não encontram condições para continuarem a fazer face às exigências da alta competição e do apuramento olímpico», assinalam.

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